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Opinião

Projeto S: redução dos casos sintomáticos, internações e mortes

A vacinação em massa fez os casos sintomáticos de Covid-19 despencarem 80%, as internações, 86%, e as mortes, 95% após a segunda vacinação do último grupo

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Vacinação protegeu tanto os adultos quanto as crianças e adolescentes com menos de 18 anos, que não
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

 “Só se combate doenças infecciosas com imunização”. Começo esta coluna, de fim de semana, com a afirmação do professor e pesquisador, Odir Dellagostin, natural de Aratiba, que faz parte do grupo de elite de cientistas brasileiros e trabalha há muitos anos com desenvolvimento de vacinas. É importante dizer, por mais óbvio que pareça nesta altura da pandemia, que a covid-19 é uma doença infecciosa transmitida por um vírus.  

Algumas pessoas são céticas quanto a imunização, e isso é legítimo, cada um tem o direito de pensar o que quiser, não pode ser diferente disso. Por outro lado, não dá para se fechar e dar a questão por finalizada. Até porque a informação que gera o ceticismo sobre as vacinas tem origem, não é um fenômeno natural, mas produto também de uma determinada visão cultural.

O que é?

Enfim, voltando ao ponto, vou falar sobre o Projeto S do Butantan, inédito no mundo. O nome parece de filme de ficção, mas não é. Segundo o instituto, o Projeto S realizou a imunização de toda a população adulta do município de Serrana, no interior paulista, com a vacina CoronaVac, fabricada pelo Butantan.

Resultados 

A vacinação em massa fez os casos sintomáticos de Covid-19 despencarem 80%, as internações, 86%, e as mortes, 95% após a segunda vacinação do último grupo. E, essa é a principal conclusão do Projeto S. Houve redução dos casos sintomáticos, das internações e mortes.

Segundo o Butantan, os resultados também mostraram que a vacinação protege tanto os adultos que receberam as duas doses do imunizante quanto as crianças e adolescentes com menos de 18 anos, que não foram vacinados.

O diretor de ensaios clínicos do Instituto Butantan, Ricardo Palacios, também diretor do estudo, afirma que a redução de casos em pessoas que não receberam a vacina indica a queda da circulação do vírus. “Isso reforça a vacinação como uma medida de saúde pública, e não somente individual", disse.

“Cinturão imunológico”

Outra conclusão importante, conforme o Butantan, é a avaliação da incidência da doença em Serrana na comparação com as cidades vizinhas. Serrana tem cerca de 10 mil moradores que trabalham em Ribeirão Preto, diariamente. Porém, enquanto Ribeirão Preto e cidades da região apresentavam alta nos casos de Covid-19, Serrana mantinha taxas de incidência baixas graças à vacinação.

Assim, além da queda das infecções, os moradores que transitam em outras cidades não trouxeram um incremento relevante nos casos. O Projeto S criou um “cinturão imunológico” em Serrana, uma barreira coletiva contra o vírus, reduzindo drasticamente a transmissão no município.

O diretor afirma que o resultado mais importante do estudo foi entender que se pode controlar a pandemia, mesmo sem vacinar toda a população. “Quando atingida a cobertura de 70% a 75%, a queda na incidência foi percebida até no grupo que ainda não tinha completado o esquema vacinal", disse.

Pra quem tem dúvidas, a resposta está aí. Agora, se a ciência não tem valor, aí o problema é outro. Bom fim de semana.

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