O início do Ypiranga no Campeonato Brasileiro Série C foi positivo, com três pontos conquistados contra o Paraná, um dos adversários mais fortes do grupo. Mesmo que a expectativa pudesse ser diferente, com um time que passou por remontagem no plantel na reta final da preparação para a competição e saídas importantes, o ambiente no clube não foi abalado, pelo contrário, reforçou a união. O presidente Adilson Stankiewicz, participou na terça-feira (1), do programa Virando o Jogo da TV Bom Dia e falou sobre a boa fase vivida pelo time de Erechim e a volta por cima.
Pé direito
O presidente destacou a importância em começar com o pé direito, para conseguir aliviar a tensão do grupo nas próximas rodadas. Quebrando o tabu de não vencer no primeiro jogo da Série C, Adilson espera que este seja um “prenúncio de muitas vitórias”.
“Se for formos observar, na equipe titular que entrou em campo havia apenas um atleta que não estava conosco no Gauchão, que era o Luiz Soares. Nós fomos ao mercado, mas sabendo que a força já estava no elenco. Sabíamos das peças que tínhamos, bastava dar confiança para os atletas, que iriam responder. Isso é muito bom, já tínhamos visto nos jogos-treinos um ótimo desempenho, o que nos deixava na espera de que tudo aconteceria da melhor forma. Normalmente as soluções estão dentro do grupo”, ressaltou.
Cara do treinador
Segundo Adilson, o time está comprometido com uma forma de jogar própria, que foi adaptada com uma forte base pelo treinador Júnior Rocha. “A forma como jogamos é a cara do treinador. O que vimos contra o Paraná foi o coletivo se sobressaindo. Isso não é novo, nós buscamos manter a ideia desde a chegada do Paulo Henrique Marques, ainda em 2019. Jogamos do mesmo modo a mais de dois anos, com o tempero de quem chega. O treinador Júnior é um grande gestor de grupo, conhece muito bem a parte técnica, tática e estratégica. Estamos muito contentes com o que vem sendo feito”.
Um gol épico
Na vitória diante do Paraná, os gols foram marcados pelo volante Mikael, que já foi criticado por uma parte da torcida, e Revson, distante da grande área, que encontrou o ângulo esquerdo do goleiro adversário. “O atleta criticado dá a resposta dentro de campo. O gol que o Mikael fez poderia ter sido contra o Grêmio, no Estadual, em uma bola que bateu no travessão, logo no final do jogo. Dessa vez foi perfeito, sem chances de defesa para o Bruno Grassi, do Paraná. A cobrança de falta do Revson, foi um gol épico, um dos mais lindos que vimos no Colosso da Lagoa”, destacou.
Comemoração solitária
“O momento no vestiário é um extravasamento de todas as tensões, cobrança, pressão, da situação toda. Somos um clube do interior, com poucos recursos, em uma região pequena, que disputa com grandes potencias. É difícil para reter os atletas, atrai-los para cá, montar a comissão técnica com profissionais qualificados, como temos hoje. Aquele momento em que estávamos juntos é especial. O grupo está unido, coeso, todos felizes na busca dos mesmos objetivos”, desabafou.
Reforço e saída
Na manhã de quarta-feira (2), o Ypiranga apresentou mais um reforço para a disputa da Série C. Trata-se do meia-ofensivo, Luiz Felipe Machado Souza, 24 anos, 1,80 mts. O atleta disputou o Campeonato Paulista da 1ª Divisão com o São Caetano, e já jogou a Série C nacional pelo Paysandu. Também tem passagens pelo Santa Cruz, São Bernardo e Atlético Goianiense.
Quem deixou o clube foi o atacante Eto'o. De acordo com o presidente Adilson, o contrato com o atleta chegou ao fim e ele está indo para o Igrejinha, onde disputará a Divisão de Acesso do Campeonato Gaúcho.
Categorias de base
Recentemente o clube divulgou o vínculo profissional do jogador Roger Alves, oriundo da base. No que se refere a formação de novos atletas, o presidente explicou que há muitas dificuldades para tornar isso efetivamente possível. “Quando assumimos, tinha uma categoria de base custeada pelos cofres do clube. O salário dos atletas não se paga, mas todos os outros custos existem, as contas são as mesmas do profissional. Se tivéssemos uma despesa grande com a base, perderíamos recursos no time principal. O retorno financeiro é muito complexo. Para ter o direito sobre os atletas é necessário ter o selo de ‘clube formador’, o qual estamos buscando, se não, é muito fácil, quando um jovem está se sobressaindo alguém vir e levá-lo para outro lugar. Tivemos vários exemplos de casos onde isso aconteceu e não ganhamos nada”, explicou.
Colosso do Futuro
“É bastante complicado, porém promovemos nomes da base e que estiveram conosco no principal. Em 2019, fizemos uma parceria com a escola Colosso do Futuro e buscamos recursos do Pró-Esporte do Governo Estadual. Através disso, colocamos a categoria sub-17. No ano seguinte, o sub-20 foi reestabelecido. O Roger Alves é um exemplo, do processo de plantar e colher. Não tenho dúvida que terão mais atletas que irão chegar, o que nos dá uma perspectiva de que é possível. Esperamos, quem sabe no futuro, sermos beneficiados com esse investimento. Esse meio é predatório e precisamos garantir os nossos direitos também”.