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Saúde

Evitar aglomerações é o principal foco das medidas do Plano de Ação

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Por Izabel Seehaber

Nas últimas semanas os índices relacionados a pandemia em âmbito regional, refletem em preocupação constante. A cada levantamento, a equipe técnica da denominada R16 – formada pela Associação de Municípios do Alto Uruguai, além de Nonoai e Rio dos Índios -, percebe um agravamento do cenário.

Em entrevista ao Bom Dia nesta sexta-feira (28), o integrante do Comitê Regional de Atenção ao Coronavírus da Amau, Jackson Arpini, avaliou que a curva epidemiológica de casos ativos ganhou um desenho de elevação, ao mesmo tempo que as taxas de internações de casos clínicos subiram de 18% para aproximadamente 80%, e os leitos de UTI estão praticamente lotados. “Nesse cenário temos que agregar que o Estado, mediante o novo modelo de governança 3As, já emitiu o aviso e, na quarta-feira (26), o alerta. Estamos crescendo, quando falamos em casos ativos, numa velocidade acima do Estado, segundo os boletins oficiais divulgados pelo sistema 3As e necessitamos, por força do regramento, agir”, reiterou.

Arpini afirmou que, a partir desse novo cenário, infelizmente agravado, o grupo está aprofundando as análises para verificar as ações que são pertinentes nesse momento. “A adoção de protocolos mais rígidos visa, unicamente, evitar e coibir a aglomeração de pessoas, partindo da inicial que a disseminação ocorre pelo contato entre as pessoas e, se registramos quase 1.000 casos ativos, podemos concluir que parte da população não está seguindo as recomendações sanitárias”, salientou. 

Fatores que podem ter contribuído para esse cenário

A região já enfrentou um episódio agravado entre os meses de março e abril, o mais crítico até a presente data, com sobrecarga do sistema de saúde e taxas de ocupação acima de 100% dos leitos de UTI e clínicos. “Nesse caso, com a melhora dos indicadores, nunca conseguimos abaixar as taxas de ocupação das UTI para patamares menores que 70%, fato que não correu nas situações anteriores do ano de 2020”, assinalou o integrante do comitê regional.

Segundo ele, também fazem parte desse contexto outros fatores: a) Parte da população tem negligenciado na adoção da medidas sanitárias; b) Com a chegada da imunização, algumas pessoas tiveram o sentimento que a situação estava resolvida, o que não é verdadeiro, considerando que estamos imunizando uma parcela da população e com imunizantes que possuem uma efetividade de 50 a 70%; c) com a alteração do modelo ocorreu também uma leitura equivocada que o novo modelo estava atrelado a flexibilizações e a melhora do cenário pandêmico, e, na verdade, foi apenas uma alteração na proposta de trabalho, que repassou mais responsabilidades aos municípios; d) exaustão da população pela longevidade do cenário pandêmico, também pode ser levada em consideração.

Estrutura hospitalar

A R16 compreende 34 municípios e possui duas instituições que possuem as chamadas Alas Covid (leitos clínicos e de UTI), sendo a Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim e o Hospital de Caridade. “As casas de saúde, quando falamos em terapia intensiva, ampliaram a sua capacidade física, equipamentos e de recursos humanos na integralidade, adotando os planos de contingência”, comentou Arpini.

A região conta, ainda, com 10 hospitais regionais que possuem leitos clínicos habilitados para assistência de pacientes com covid. Nesse caso existe uma interlocução regional, com o apoio da 11ª CRS para utilização desses 109 leitos de retaguarda técnica, para não sobrecarregar as estruturas de Erechim, fato que já ocorreu em episódios anteriores, quando houve um aumento acentuado nos leitos clínicos. “Vale ressaltar que no momento mais agravado tivemos elevação das internações nos hospitais regionais, fato que vem ocorrendo novamente”, cita.

Atualmente há 34 pacientes internados nos hospitais da região e 73 em Erechim, sendo 40 em leitos clínicos e 33 em leitos de UTI, portanto com 107 pacientes internados em decorrência de complicações causadas pelo Coronavírus.   

Alerta regional!

“Estamos diante de uma situação que precisamos agir. O novo modelo impõe, mediante o alerta, um plano de ação por parte da região, caso contrário, haverá uma ação mais enérgica do Estado, face aos indicadores negativos.

Precisamos ter a consciência que o cenário novamente agravou. Não existem vagas em leitos de UTI e precisamos reagir coletivamente. Para tanto, temos que adotar com o maior rigor os protocolos, especialmente o uso da máscara e evitar aglomerações. Caso não aconteça uma melhora no cenário, poderemos sofrer uma ação bem mais restritiva por parte do Estado”, reforça o integrante do comitê da Amau.     

Reajuste de protocolos

Diante do alerta emitido pelo governo estadual, a equipe técnica do Comitê Regional de Atenção ao Coronavírus da Amau organizou um Plano de Ação, o qual foi encaminhado à esfera estadual nesta sexta-feira (28).

Alguns protocolos, que já haviam sofrido alteração na semana passada, receberam ajustes que buscam restringir ainda mais a circulação, principalmente à noite, e preveem a intensificação das medidas de fiscalização.

Os protocolos têm validade de 15 dias e passam a valer a partir deste sábado (29), conforme publicação dos decretos pelos municípios.

Confira as alterações:

Atividade

Protocolos de Atividade Variáveis AMAU -R16

Restaures, Bares, Lanchonetes, Sorveterias, Food Truck e similares

  • Restrição de horários: entrada até as 21hs (fecha as portas), e encerramento obrigatório das atividades às 22 horas; (nova redação)
  • Fica expressamente proibida música ao vivo. (nova redação)
  • Estabelecimentos com predominância da venda de bebidas para consumo no balcão (bares, bodegas e similares) poderão funcionar apenas das 12hs até as 17hs. (nova redação)
  • Vedado o consumo de bebida alcoólica em pé, nos balcões, entradas e calçadas dos estabelecimentos. (nova redação)

Comunidades, clubes, canchas de bochas, carteados, campos de futebol, sinuca e similares, exceto aqueles que já tiverem planos de contingência aprovados pelo COE até esta data.

  • Fechados, exceto para promoções (assados, galeto, churrascos, massas e similares) no sistema pegue e leve. (nova redação)

Funerárias

  • Obrigatoriedade de afixação de cartaz em área visível e com indicação da capacidade máxima de pessoas na casa funerária ou local de realização do mesmo. (nova redação)

Fica determinado, também: reforço e aumento da frequência das fiscalizações em estabelecimentos bancários, lotéricas e postos de pagamento; além da proibição de realização de qualquer tipo de evento, que gere aglomeração de pessoas.

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