Após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) orientar a suspensão da vacinação de gestantes com o imunizante Oxford/AstraZeneca, o Ministério da Saúde confirmou na terça-feira (11) a suspensão para este segmento e para puérperas com o medicamento da marca.
No caso das vacinas Coronavac e da Pfizer, o ministério autoriza o uso apenas nos casos de mulheres com comorbidades. Aquelas que não apresentarem condições de saúde enquadradas nesta categoria não deverão ser imunizadas.
A medida ocorreu após a pasta ter sido informada na última sexta-feira (7) do episódio de uma gestante que teria morrido após ter recebido a vacina Oxford/AstraZeneca. Contudo, em entrevista coletiva, representantes do ministério e especialistas do comitê do Programa Nacional de Imunizações (PNI) alertaram que o caso está em investigação e ainda não foi confirmada se a causa do óbito está relacionada ao imunizante.
Em entrevista à Agência Brasil, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, frisou sobre a importância das vacinas, inclusive da Oxford/AstraZeneca. “Quero reiterar a confiança na segurança e eficácia nestas vacinas. Todo programa de vacinação é coordenado por uma equipe técnica com suporte de câmara técnica dos mais renomados especialistas do Brasil”, disse.
Fase de cautela e expectativa

O médico ginecologista e obstetra de Erechim, coordenador do curso de Medicina da URI, Sérgio Bigolin, enfatiza que o momento é de muitas dúvidas, expectativas e exige cautela tanto por parte da população em geral, como também, no meio dos profissionais de saúde.
Em conversa com a reportagem do Bom Dia, o especialista afirmou que acredita nos benefícios da imunização das gestantes, salientando que essa parada deve ser respeitada e ao mesmo tempo, é muito preocupante. “Há poucos dias, como muitas gestantes adoeceram e, em vários casos, com gravidade, foi orientado sobre a possibilidade de vacinação sem haver um estudo específico com esse público, levando em conta que as testagens com essa vacina não contemplaram as gestantes. Em contraponto, por haver a reação inflamatória da gravidez, além do quadro de comorbidades junto a gestação, amplia-se o fator de risco para qualquer infecção, não somente em relação ao Coronavírus”, alertou Dr. Bigolin, que também observou: “vale mencionar que toda medicação aplicada em massa, possui um índice de efeitos colaterais. Agora, o momento é de espera por uma determinação com novas orientações e um parecer ainda mais claro. Enquanto isso, a expectativa é quanto à retomada da imunização”.
A orientação
O médico acrescentou que procura orientar suas pacientes conforme as informações obtidas do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. No caso de quem já tomou a primeira dose, é preciso esperar para buscar a segunda aplicação.
Na opinião particular do especialista, as gestantes deveriam ser vacinadas, mas é preciso aguardar. “Um aspecto importante é que a tecnologia de fabricação dessa vacina é muito semelhante a utilizada na vacina H1N1 e Hepatite B, que é aplicada há anos e com conhecimento que não leva a problemas”, pontuou, citando que o imunizante pode gerar um efeito colateral de febrícula e mialgia (indisposição) por 24 horas em toda a população.
Quanto as mães que estão amamentando, também não há estudos que sinalizem para riscos quanto a vacinação, pois a quantidade de anticorpos que passa para o leite é insignificante. Vale ressaltar que o imunizante não fornece proteção ao feto. “Do mesmo modo, as mães que testarem positivo para a covid-19, podem prosseguir com o aleitamento”, ponderou, dizendo que, mesmo assim, ação de agora é aguardar.
Espera pela imunização
Em meio às incertezas, o médico de Erechim reforçou que será possível ter uma opinião segura e clara, no momento que houver um número expressivo de gestantes vacinadas. “Em toda nova medicação, esse é o procedimento”, afirmou.
De acordo com o ginecologista e obstetra, ainda pode levar um tempo (sem previsão ainda) para que seja desenvolvido um trabalho nesse sentido, apontando os possíveis efeitos colaterais notificados. “Em paralelo, penso que o caminho é esse: vacinar as gestantes, pois há muitos fatores de risco para a covid. Diante disso, porque não imunizar elas?”, questionou.
Essa parada, observou Bigolin, que resulta em um atraso no processo de vacinação, é muito preocupante.
A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Francieli Fantinato, informou que ainda não foi definido um protocolo para o caso das gestantes e puérperas que tomaram a primeira dose. Uma nota técnica deverá ser divulgada em breve. Enquanto isso, a orientação é que essas não recebam a segunda dose.