Péricles Steffen de 26 anos é agrônomo, e reside no interior de Aratiba. Nasceu neste mesmo local, e trabalhou com os pais na pequena propriedade da família até concluir o ensino médio, em 2012. “Assim que me formei, mudei para Erechim, inicialmente para trabalhar em uma empresa privada. Lá percebi que a realidade em uma cidade com mais de 100 mil habitantes é muito diferente”, afirma. Péricles conta que não via oportunidades de crescimento dentro da empresa em que atuava, por isso decidiu cursar agronomia, para aumentar o leque de opções profissionais. “Os motivos que me levaram a fazer uma graduação, foram que eu sempre almejava oportunidades maiores de crescimento. Escolhi o curso por ter vivido no interior e ter noção da ‘lida do campo’. Isso me proporcionou uma vantagem. Quando iniciou, logo no primeiro semestre, já tinha certeza de que era isso que eu queria”, revela.
Voos altos em pequenas superfícies
Após concluir a graduação, Péricles decidiu retornar à casa dos pais, para aplicar o que aprendeu na prática, a favor da propriedade que também pertence a ele. A faculdade proporcionou ao profissional uma infinidade de opções, como incentivo para abrir o próprio negócio, ou implantar novas ideias na fazenda. “Aprendi a identificar as oportunidades de ganhar dinheiro, principalmente por meio das técnicas de manejo. Controles de pragas, doenças, adubação, todas estas práticas agrícolas que são utilizadas, como elas funcionam, o que acarreta cada situação, o que realmente se deve fazer”, explica o agrônomo.
Para muitas famílias que trabalham diretamente no campo, ter um membro que faça uma graduação na área, é de grande valia. “Agronomia é muito mais que um curso e sim um modo de vida. A gente se caracteriza e tem uma ligação muito forte com a lavoura, maquinário, pecuária”, ressalta.
OLHO: “Para ser um grande produtor, não precisa necessariamente ter uma grande quantidade de terra”.
Produtividade a todo vapor
Atualmente, Péricles e a família possuem propriedades voltadas à fruticultura. “Nosso relevo não permite o cultivo de culturas anuais, pois as superfícies são acidentadas, possuindo muitos morros. Busco ser um grande produtor em uma pequena área de terra. A visão que eu tenho e que a situação permite, é nesta linha. Plantamos laranja, abacate, romã americano e outras diversidades de frutas em pouca extensão de terra, aproximadamente 35 hectares”, enfatiza. O produtor ainda destaca que o segredo está na logística e planejamento. “Todas as variedades que temos, tem volume. Conseguimos proporcionar uma gestão interessante, com renda em todos os meses do ano”, frisa.
Tecnologia contribui cada vez mais
Nos dias atuais, a vida no campo melhorou muito. Em um passado não muito distante, agricultores não possuíam acesso a tecnologias como, tv por assinatura, internet, ar-condicionado, e hoje para alguns a realidade já mudou. “A internet auxilia muito. Claro que precisamos sempre verificar as fontes de pesquisa, se são confiáveis, mas existem muitos aplicativos e ferramentas que trazem comodidade, rápidos e usuais pra se utilizar. Ganhar tempo em vários pontos é importante no dia a dia. Os conteúdos são infinitos, e ter acesso a eles é algo interessante, facilita muito”, salienta.
Consultoria
Agilidade de informação. Assim que Péricles pondera a oportunidade de auxiliar muitos produtores, com consultoria técnica por meio de ferramentas on-line. “Trabalho com assessoria, proporcionando capacitação ao produtor de forma remota, por videoaula. A pandemia só aflorou essa ideia que eu já tinha”, revela. Além do auxílio, o agrônomo também promove lives, incentivando os agricultores. “Hoje em dia muitos buscam pelo digital. É válido ressaltar que, em muitas situações consigo assessorar remotamente, mas quando é algo mais complicado, faço uma visita. O presencial ainda é primordial”, acentua.
“Não escolhi o campo, o campo me escolheu”
Péricles viveu os dois lados da moeda. Morou no campo e na cidade. Teve autonomia para decidir o que era melhor para si. “O ser humano sempre busca ampliar e melhorar, visualizar o futuro, para ter conforto financeiro, que é algo que todos almejam. Eu conheci os pontos fortes e fracos das duas realidades, e hoje viver no interior é muito mais interessante. Questão de qualidade de vida, estarmos vinculados com a natureza, descanso. Nossa jornada de trabalho é maior, mas com flexibilidade de horários. Sempre digo, não escolhi o campo, o campo me escolheu. Está na minha personalidade”, complementa.
Gerações futuras
O agrônomo ainda não tem filhos, mas revela que futuramente, almeja passar todos os conhecimentos para as futuras gerações. “Almejo poder ensinar aos meus filhos, o amor pela terra, pelo cultivo. O interior hoje pode proporcionar uma boa vida e rentabilidade financeira interessante, além de trabalhar pelo próprio negócio. Precisamos ser ambiciosos, mas não gananciosos”, finaliza.