Ativista da cultura Hip Hop acredita que quanto mais muros grafitados, menos pichação
Monumentos, paredes e muros de locais públicos e particulares têm sido alvo de pichação nos últimos anos em Erechim. Fato que pode ser observado com uma pequena volta pelo centro da cidade e que tem gerado reclamação de diversos setores da comunidade. Diante disso, o vereador Claudemir de Araújo (PTB) protocolou na Câmara de Vereadores uma proposição que deve ser apreciada na próxima segunda-feira (20), que trata do tema.
Segundo a assessoria de imprensa do Legislativo, Araújo solicita à administração municipal, a intensificação da fiscalização, com cartazes, propagandas e campanhas de conscientização sobre o cumprimento da Lei Federal 12.408/2011. A legislação visa descriminalizar o ato de grafitar, e dispõe sobre a proibição de comercialização de tintas em embalagens do tipo aerossol a menores de 18 anos. Conforme a norma, a venda somente deve ocorrer com a apresentação de documento de identidade, sendo que toda a nota fiscal lançada sobre a venda desse produto deve possuir identificação do comprador.
"Nossa sociedade está clamando pela ação enérgica do poder público para que se contenham as pichações em vários prédios do município, como muros e fachadas que sofrem com a ação dos pichadores. Não podemos aceitar que estabelecimentos comerciais continuem a vender sem um prévio conhecimento de quem está adquirindo, já que alguns acabam cometendo atos de vandalismo após a aquisição das tintas. Nossa cidade não pode ficar à mercê daqueles que já deveriam ter sido identificados e punidos pelos seus atos," comenta o vereador.
Um exemplo de pichação pode ser observado na sede do Grupo Escoteiro Tupinambás e tem sido alvo de reclamação dos integrantes e da direção. Conforme a assessoria de imprensa do Tupinambás, o imóvel que abriga o grupo pertence ao poder público municipal, portanto pode ser enquadrado como crime contra o Patrimônio Público, de acordo com a legislação. Conforme o artigo 65, "pichar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento urbano pode acarretar em detenção que varia de três meses a um ano, além de multa.
A direção do grupo está revoltada com o fato, especialmente por se tratar de um grupo voluntário que atua com crianças e jovens. "Este tipo de ação que vem ocorrendo em nosso município desde o ano passado tem ultrapassado, em muitos casos, do limite, pois acaba acarretando em prejuízo financeiro para que as paredes recebam novas pinturas. A cada real gasto com tinta para repintarmos as paredes, deixamos de aplicar na educação e aprimoramento de nossos jovens.
Existem muitas maneiras de expressão, mas achamos que esta não é a mais condizente em uma sociedade como a nossa", destaca a direção do grupo em nota encaminhada à redação do jornal Bom Dia.
Espaço de conscientização
No mesmo requerimento, Araújo solicita espaço na TV Câmara para a realização de campanhas referentes a proibição de comercialização de tintas em embalagens spray a menores. "Nosso objetivo é a conscientização do uso do spray para atos de pichação. Nossa sociedade está clamando pela ação energética do poder público em conter os atos de vandalismo que tem se tornado uma calamidade," pontua.
Pichação e grafite partem da mesma raiz
Militante e ativista da cultura Hip Hop há mais de 15 anos em Erechim, Thiago Camaleão falou sobre as diferenças entre o grafite e a pichação. Ele é um dos articuladores do grupo que procura viabilizar, junto ao poder público municipal, espaços para que os grafiteiros expressem a sua arte.
Estivemos no terminal de transporte coletivo, local que recebeu pinturas de grafite, feitas pelo grupo e que também conta com várias pichações nas paredes. O ativista esclarece que a pichação é uma forma de protesto e comunicação de um grupo de pessoas. "Para eles existe uma visão artística, mas a comunidade em geral não tem essa visão. Geralmente quem picha faz para os olhos dele mesmo, mas quem grafita passa para um todo da sociedade," pontua.
Ele explica ainda sobre a diferente entre as duas formas de colorir muros e paredes. "O grafite tem um viés artístico, usam formas, cores e tendem a passar os sentimentos para aquele desenho, além de fazer um resgate em prol da cultura Hip Hop," diz, acrescentando que os grafiteiros estudam e se aperfeiçoam nesta arte. "Eles estudam a ponteira e os tipos de traço, mas o aperfeiçoamento vem com a prática," completa.
Para Thiago, uma alternativa para a pichação seria viabilizar mais espaços para grafitagem. "Vem da rua a possibilidade de praticar, quanto mais muro tiver grafitado menos pichação, pois o pichador respeita aquele traço, já que eles vem da mesma essência. Um pichador não risca em cima de um grafite, a não ser no histórico americano," argumenta.
Oficina
Na próxima terça-feira (21), o grupo de Hip Hop de Erechim estará realizando uma oficina com os jovens que participam do Cras do bairro Linho, com o tema campanha do agasalho. A atividade será no terminal e inicia às 13h com palestra, seguida da parte prática.