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Saúde

Dia para reforçar o alerta no combate ao câncer

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Médico oncologista, Pablo Ribeiro
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Ao mesmo tempo em que as descobertas científicas relacionadas ao diagnóstico e tratamento do câncer avançam em todo o mundo, neste Dia Mundial de Combate ao Câncer, 8 de abril, a pandemia causada pela covid-19 é uma das preocupações mais expressivas dos especialistas da área.

O medo do contágio foi o principal fator por trás de uma queda alarmante nos atendimentos oncológicos e, com a segunda onda acontecendo no Brasil, o problema pode se estender por ainda mais tempo. Um cenário de incertezas e vulnerabilidade agravado pela falta de perspectiva relativa ao calendário de vacinação para os 1,5 milhão de brasileiros que atualmente passam por tratamentos contra tumores malignos, de acordo com o Globocan 2020 - relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) que apresenta o panorama mundial da doença.

Nesse sentido, o médico oncologista de Erechim, Pablo Ribeiro, destaca que, mesmo com a pandemia, é fundamental prosseguir com as consultas e exames de rotina, pois um diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença na recuperação. “Do mesmo modo, muitos pacientes não estão realizando os monitoramentos como antes da pandemia. Isso é muito preocupante, pois os tratamentos como quimioterapias, continuam a ser oferecidos normalmente”, pontua.

Em relação à imunização contra a covid-19, Pablo salienta que as vacinas, mesmo que sejam distribuídas de forma gradual, fornecem um suporte extra, sendo que a campanha já contempla várias idades. “A dose é fundamental para todos os pacientes, especialmente os oncológicos, com o propósito de auxiliá-los para que tenham ânimo e possam continuar a luta contra a doença, a qual já é muito delicada”, ressalta o especialista, citando que é muito importante seguir todos os cuidados para que os resultados obtidos até o momento, não sejam perdidos e possam ser evitadas outras complicações, levando em conta que o organismo de um paciente com câncer geralmente fica com a imunidade mais baixa, o que pode aumentar os riscos.

Outro ponto enfatizado pelo médico de Erechim, é que, a partir da suspeita de complicações do coronavírus, o ideal é buscar atendimento médico. “Sempre orientamos que, por mais simples que seja o sintoma, as pessoas devem procurar um serviço de saúde. Pode ser uma gripe simples ou, ainda, sinais para um problema sério. No caso dos pacientes, há situações em que é avaliada a possibilidade de suspensão temporária do tratamento, se eles estiverem muito debilitados”, orienta.

Pesquisa alerta

Estudo liderado pelo Grupo Oncoclínicas, publicado neste início de ano pelo Journal of Clinical Oncology (JCO), mostrou que pacientes com câncer tiveram taxa de mortalidade pelo vírus seis vezes maior se comparada aos números gerais registrados até aqui. Ao todo, 198 participantes foram pesquisados, sendo que 167 (84%) tinham tumores sólidos e 31 (16%) neoplasias hematológicas (no sangue). A maioria deles estava em terapia sistêmica ativa ou radioterapia (77%). A mortalidade geral por complicações de covid-19 foi de 16,7%, sendo que, em modelos univariados, os fatores associados à morte após o diagnóstico de contaminação pelo coronavírus foram tratamento em um ambiente não curativo, idade superior a 60 anos, tabagismo atual ou anterior, comorbidades coexistentes e câncer do trato respiratório.

Com base nas análises científicas feitas no Brasil e também em outros países, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) encaminhou ofício ao Ministério da Saúde solicitando prioridade na vacinação para quem passa pelo tratamento contra o câncer.

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