Qual é a finalidade de toda governança pública: o cidadão brasileiro, atender a comunidade. Ou pelo menos deveria ser. E hoje isso é apenas um devaneio porque não se vê isso acontecer na prática, principalmente, quando se fala de governos estadual e federal.
Com exceção dos municípios, que já estão mudando a maneira de fazer política pública e já perceberam quanto mais prioritário for atender as necessidades da comunidade mais efetivo é o desenvolvimento social e econômico, com reflexos imediatos no escore político.
O brasileiro se levanta todo dia para trabalhar e gerar o seu sustento, paga muitos impostos naquilo que consome, reduzindo diretamente o poder aquisitivo das famílias e engordando os cofres públicos federais, alimentando vorazmente a estrutura chamada Estado, que hoje deixa muito a desejar.
E isso afeta muito a realidade dos municípios, onde a vida se encontra, onde a necessidade está e precisa ser resolvida. Em Erechim, por exemplo, tem um prédio dos Correios abandonado há anos, um patrimônio no centro da cidade largado sem nenhuma utilidade, quando podia estar à serviço da comunidade. É preferível deixar o prédio apodrecer, literalmente, do que dar uma finalidade pra ele. Isto é, rasgar dinheiro público, quando o discurso corrente de sucessivos governos – federal e estadual – é a falta de dinheiro. O que é uma estratégia para desmobilizar a sociedade enquanto o orçamento federal é usurpado por meia dúzia de bancos e especuladores financeiros.
Falta de infraestrutura
Faltam acessos asfálticos em 10 municípios da região, assim como ligações asfaltadas inter-regionais, de competência do governo estadual. Há mais de 20 anos as demandas do Alto Uruguai são as mesmas, e não adianta falar do partido A, B ou C, o problema vai muito além disso. Tem a ver com política, indivíduo e coletividade.
A Transbrasiliana (BR 153), de competência do governo federal, é outro exemplo de obra que não sai do papel há mais de 40 anos, e serve de palanque de campanha para todos políticos que passam por aqui, senadores, deputados federais, estaduais, todos vestem a camisa da obra criam falsas expectativas, ilusões, e nada acontece.
O que fazer
O eleitor tem sim uma parcela de culpa em tudo isso, sem dúvida. E quando se lança um candidato local, para candidato a deputado federal, que teria chance ou que poderia construir as condições mínimas para se eleger e chegar a Brasília, lá vem os partidos largarem uma carrada de outros candidatos, desmobilizando, dividindo a comunidade, quebrando os votos e inviabilizando a eleição de uma pessoa para representar a região no centro do poder. E essa também é uma regra na região. E aí a responsabilidade é da sociedade local e regional, que utiliza as estratégias que não trazem resultados positivos, e não consegue eleger um parlamentar federal para fazer frente às demandas regionais, lutar pelas empresas, pelo desenvolvimento social e econômico.
Importante dizer que a realidade se muda no dia a dia, e isso os prefeitos vêm fazendo, porém, mais recursos via um parlamentar em Brasília, mais de R$ 50 milhões em quatro anos, iria auxiliar esse processo diário.
Voto massivo
Se os eleitores regionais fossem votar massivamente em candidatos da região conseguiriam eleger dois deputados federais e três estaduais. E aí se está falando de R$ 100 milhões em quatro anos que deixam de virar obras e serviços na região. Esses recursos fariam a diferença, ninguém tem dúvida disso. Né! Ou tem? Hoje, o que vem para região são migalhas e muito ilusionismo, só isso.
Será que de alguma maneira se está construindo a possibilidade da região fazer os seus representantes em Brasília? Já que há muito tempo a sociedade regional se utiliza das mesmas estratégias, se reproduzem as mesmas práticas, na política pública, privada de cada cidadão, que avaliza com os votos essa realidade, e os resultados são os mesmos e se fizer um balanço eles não deram certo. Já passamos da hora de começar a pensar na mudança de estratégia.
Discussão coletiva
E essa reflexão tem que começar nas famílias de toda a região, na classe política, empresarial, entidades sociais, nas escolas e universidades, todos precisam olhar para esta situação, questionar esta realidade, entender e enxergar os meios de mudá-la porque ela afeta e envolve a todos, mesmo que em graus diferentes. A sociedade tem que querer e não somente apontar o dedo para aquilo que está errado, tem que dar a sua contribuição.
Sem essa avaliação, daqui a 20, 30 anos, estarei eu, se vivo estiver, escrevendo sobre os mesmos assuntos, demandas, e andando em estradas de chão batido, porque estamos a margem do processo, sendo ludibriados, deliberadamente, e se enganando também, vivendo só por expectativa e na prática pouco ou quase nada.