O mapa da 47ª rodada do Distanciamento Controlado, divulgado hoje (26), sinaliza todas as 21 regiões Covid em risco máximo, com altíssima taxa de ocupação hospitalar e velocidade de propagação do coronavírus. O cenário representa que, pela quinta semana seguida, todo o Rio Grande do Sul ficará em bandeira preta.
Esse já é o mapa definitivo, sem possibilidade de envio de pedidos de reconsideração, devido à gravidade do cenário. Também segue suspensa a Regra 0-0, a partir da qual municípios sem registro de óbito ou hospitalização de moradores nos últimos 14 dias poderiam adotar protocolos de bandeira vermelha. A cogestão regional, por sua vez, está permitida.
Conforme o Comitê de Crise do Estado, a pressão sobre o sistema hospitalar permanece, causando ocupação de espaços inclusive fora dos leitos regulares e resultando em operação acima da capacidade indicada em algumas regiões.
Cenário crítico
Na avaliação do integrante do Comitê Regional de Atenção ao Coronavírus da Associação de Municípios do Alto Uruguai (Amau), Jackson Arpini, ao verificar os indicadores do Sistema de Distanciamento, a região de Erechim ficou com uma média ponderada intermediária, entre a maior 2,56 (Guaíba) e a menor 2,01 (Pelotas). “Também verificamos que a nossa média ficou um pouco abaixo na avaliação da 46 semana, declinando de 2,66 para 2,35. Também foi possível observar uma sensível redução nas internações em UTI (-1,8%) e nas clínicas (- 11,5 %), quando comparado com a semana anterior”, comenta Arpini, citando que ainda há taxas elevadas na ocupação de leitos de UTI, acima da capacidade e um sensível redução dos leitos clínicos. “Há quinze dias tínhamos 60 pacientes internados nos hospitais regionais, em leitos clínicos. Hoje, 34, e nas alas Covid de Erechim, em torno de 60%”, pontua.
Ao mesmo tempo, destaca o membro do comitê regional, também se percebe uma redução do número de casos ativos, o que acontece igualmente com o Estado, que sistematizou uma redução de 11%.
Já, em relação aos óbitos, os números continuam subindo e enquanto não houver um alívio da sobrecarga hospitalar esse indicador, infelizmente, não vai dar sinais de declínio. “A situação ainda requer muito cuidado e precisamos adotar, com a maior atenção, os recomendações preconizadas. Ainda estamos num cenário crítico”, alerta Arpini.
Suspensão de atividades
Na esteira da retomada da cogestão, o governo do Estado também prorrogou a suspensão de atividades não essenciais das 20h às 5h até 4 de abril aos fins de semana e feriados.
Além disso, aos fins de semana e feriados, fica determinada a restrição de atividades presenciais durante todo o dia. As exceções são os serviços essenciais, como farmácias, supermercados e comércio de materiais de construção e demais exceções que já constam no atual decreto de suspensão geral de atividades (Decreto 55.789).
De acordo com o governador Eduardo Leite, o cenário epidemiológico que o Estado enfrenta ainda é de risco altíssimo, com ocupação de UTI acima dos 100%. “Estamos numa situação em que observamos a redução da ocupação de leitos clínicos, já de uma forma bastante consistente, mas ainda não conseguimos observar redução na ocupação de leitos de UTI. Parou de crescer, mas ainda não caiu a ocupação. Vários estados brasileiros, como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina, estão observando esse crescimento, enquanto no Rio Grande do Sul se estabilizou, mas há uma preocupação com medicamentos essenciais para intubação, em falta em todo o país, com dificuldade de produção e distribuição”, afirmou o governador.