O ano começou em um clima de expectativas, incertezas e preocupações no campo da saúde. Isso porque a pandemia causada pelo coronavírus criou um cenário tenso em todo o mundo.
Na região de Erechim, além dos reflexos da covid-19, a população vivencia uma grave epidemia de dengue, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. No período que compreende 1ª a 11ª Semana Epidemiológica (03/01/2021 a 20/03/2021), foram registradas 312 confirmações. Entre os 33 municípios, 15 já possuem notificações (seja casos em investigação ou confirmados) e a cada dia esse número aumenta.
O informativo tem como base de dados os registros realizados pelos municípios no Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan, e tem por objetivo divulgar as informações da região de abrangência da 11ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), bem como alertar a população.
Erechim e Aratiba apresentam quadros mais preocupantes, contudo, a coordenadora da Vigilância Ambiental da 11ª CRS, Maria Helena Dalmazzo, reforça que a corresponsabilidade em todos os municípios é imprescindível na luta contra a epidemia. Segundo ela, desde 2007 não era registrado um cenário tão delicado como o atual. “Desde o início de janeiro, vem surgindo muitos casos, sendo que eles iniciaram em Erechim e Aratiba, e agora, outros municípios também apresentam notificações”, comenta, citando que, depois de Erechim, a cidade com maior número de habitantes é Getúlio Vargas, que está com dois casos em investigação. “Nossa preocupação mais expressiva diz respeito a Erechim (praticamente todos os bairros apresentam confirmações) e Aratiba. Tivemos um 2020 muito atípico, devido a covid-19, houve descuidos por parte de muitas pessoas no que se refere a eliminação dos depósitos de água parada, e, ao mesmo tempo, também foram registradas altas temperaturas e muita chuva, condições favoráveis para o mosquito transmissor”, acrescenta.
Segundo Maria Helena, a dengue possui uma característica específica relacionada a alta transmissibilidade. A partir do momento que há um caso e não foi possível identificá-lo, a tendência é que, na sequência, surja um número expressivo de novas confirmações. Esse caso inicial favorece que os mosquitos da área (sendo que na região todos os municípios tem a presença do Aedes aegypti), se contaminem e consigam contaminar outras pessoas”, alerta.
Sintomas iniciais parecidos com a covid-19
A coordenadora regional da Vigilância Ambiental, salienta que as pessoas não se recuperam tão rapidamente da dengue, sendo que as vezes passam mais de 20 dias para se sentirem bem novamente. “Percebemos que, em muitos municípios há uma preocupação expressiva com covid-19, o que é fundamental, mas, em paralelo, estão ocorrendo casos de dengue que, nem sempre podem ser identificados rapidamente. Um aspecto, que também é muito importante, é que alguns sintomas iniciais da dengue são semelhantes com os apresentados em muitos casos de infecção pelo coronavírus, tais como febre e dor no corpo. Um diferencial é que na infecção pelo Aedes, não há sintomas respiratórios como no caso da covid-19”, esclarece.
Maria Helena destaca que, sabendo que há uma circulação do vírus na região, é preciso redobrar a atenção. Inclusive, já foi identificado o DENV-1, sendo que a dengue possui quatro sorotipos. “Cada indivíduo tem a chance de contrair a doença quatro vezes. Vale lembrar que não há vacina contra a doença na rede pública, portanto, a nossa única alternativa na luta contra a doença é eliminar os depósitos com água parada para tentarmos reduzir a população de mosquitos”, frisa.
Ações desenvolvidas
Conforme a servidora da 11ª Coordenadoria de Saúde, a aplicação de inseticida é feita somente em determinados momentos, como por exemplo, em um ambiente com potencial suspeita de dengue. O objetivo é eliminar as fêmeas do mosquito, que podem estar contaminadas e provavelmente irão gerar novos casos.
Sobre o método popularmente conhecido como fumacê, aplicado em bairros da cidade ou em pontos específicos, trata-se de uma medida de emergência, nas situações em que há um número expressivo de casos em determinada área. “No entanto, não é uma alternativa que irá resolver o problema da epidemia. Quem elimina os depósitos é a população, sendo assim, é essencial que cada indivíduo faça a sua parte. É uma responsabilidade compartilhada entre profissionais e a comunidade, de modo geral”, reitera.
Alertas
Uma caixa de água destampada ou um balde com água da chuva são alguns exemplos do que deve ser corrigido. “Tenho observado um comportamento comum e que é extremamente problemático, caso não forem seguidas as medidas adequadas: as reservas de água de chuva para limpar calçadas e regar plantas. Geralmente são reservatórios grandes e devem ser muito bem vedados”, orienta.
Outro ponto enfatizado por Maria Helena é que, sempre que um médico suspeita de um caso de dengue, contata imediatamente a equipe da Vigilância Ambiental. Desse modo é possível fazer a notificação e acompanhar o caso, na tentativa de evitar novas situações.
