A população brasileira está enfrentando duas crises sanitárias, que geram enorme impacto na vida das pessoas e na saúde pública do país. Uma delas é a pandemia do novo coronavírus (covid-19), que já fez quase 300 mil mortos Brasil afora, e a outra é a epidemia de dengue de Norte a Sul. As duas doenças têm impacto direto na vida em comunidade, com efeitos sociais e econômicos devastadores, e ambas precisam de muita atenção por parte da população com relação as medidas preventivas. No caso da dengue, a única forma de prevenção é o combate ao mosquito, isto é, eliminar os criadouros de forma coletiva com participação efetiva da comunidade.
Bairro Vitória 1
O presidente da associação do bairro Vitória 1, Paulo Degeroni, afirma que várias pessoas daquela comunidade já pegaram dengue, inclusive ele, chegando a em torno de 17 famílias. “A prefeitura passou o fumacê, mais de uma vez, mas parece que não adiantou nada”, disse. Ele acrescenta que tem um lugar no bairro que acumula água e pode ser foco de mosquito da dengue.
Doença
“Nunca imaginei que fosse tão complicado, me sinto muito mal, meu Deus, dói tudo, fraqueza nas pernas, enjoo, não consigo me alimentar, pra mim começou com febre de 40 graus, altíssima, e fiquei vários dias com febre e de cama. Minha esposa também pegou. É uma tristeza não imaginava que fosse tão forte os efeitos dessa doença”, comenta Paulo, que é autônomo e mora perto da associação da Menno. E, enfatiza, “a situação está muito complicada”.
A também moradora do bairro Vitória 1, Gianete Prichoa, comenta que ela e o marido tiveram dengue no início deste mês. “Ele começou numa segunda-feira e eu na terça já estava com os sintomas. Foi terrível, foi muito ruim. A dor de cabeça e no corpo são insuportáveis. Ficamos uns sete dias com febre, o meu marido teve inchaço nas pernas, eu tive náusea e vômito, constante, ficamos 10 dias afastados do trabalho. Eu não conseguia olhar para comida, ficamos quase uma semana sem comer, só a base de chás e água”, lembra.
Ela explica que a situação do bairro está muito complicada porque tem muito mosquito da dengue. “No fim do dia quando chego em casa passo repelente, meu filho passa repelente, eu fecho a casa e coloco veneno porque está cheio de mosquito em casa. Todos os dias eu faço isso”, afirma indignada.
Gianete observa que próximo das paralelas na entrada do bairro Progresso tem sempre água acumulada, bem perto do bairro, o que poderia ser um local para a criação de mosquitos. Além disso, ela afirma que faz mais de 15 dias que não é feito fumacê no bairro e que tem terrenos baldios, sujos, que os donos precisam limpar.
Ela ressalta que o casal foi muito bem atendido na UPA e que, também, fizeram o exame de covid, que deu negativo, para descartar a outra doença. No entanto, a preocupação é constante porque, segundo o médico, quem já pegou dengue uma vez pode desenvolver a hemorrágica, que é mais grave e pode levar a morte.
Outra moradora do Vitória 1, Romalina Santos, relata que também está com dengue e entre os sintomas muita dor no corpo, febre. Ela comenta que é tão ruim a sensação que não consegue ficar sentada e nem deitada e que a comida não tem gosto.
Prefeitura
Em Erechim, existe uma força tarefa formada pela Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde, com a Defesa Civil, Secretaria de Obras, Secretaria do Meio Ambiente para execução do recolhimento de lixo em áreas públicas e privadas do município, visando diminuir o número de focos do mosquito nestes locais.
Os agentes de endemias coordenados pela médica veterinária, Vivian Ertel, estão realizando varreduras em todos os bairros do município, levando em consideração o número de notificações que entram no setor de epidemiologia.
O setor de Controle de Vetores e Pragas Urbanas da Vigilância Ambiental, coordenado pelo fiscal Sanitário e Ambiental, Fábio Demoliner, está realizando diariamente, o bloqueio de transmissão nas residências, que consiste na aplicação de inseticida para eliminação do mosquito adulto (fêmea).
A Defesa Civil, coordenada por Ronaldo Mânica, está realizando aplicação de inseticida nas bocas de lobo e bueiros nas ruas com maior incidência de mosquitos e outros vetores.
Colaboração do cidadão
É muito importante que as pessoas façam de uma a duas vistorias semanais nos seus terrenos com o objetivo de eliminar os focos do mosquito Aedes aegypti. De nada adianta aplicar o inseticida se a população não fizer a sua parte, pois bastam sete dias e as condições adequadas para que se tenha uma nova geração de mosquitos.
Ressaltar
As ações da Vigilância Ambiental estão sendo tomadas pela Secretaria de Saúde de Erechim, entretanto, é preciso muito apoio da comunidade pra que se possa controlar esta epidemia. “Ressaltamos que a dengue é uma doença grave e quem apresentar febre recorrente, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dor no corpo, e manchas pelo corpo, procure uma Unidade Básica de Saúde ou os hospitais do município. Não se automedique e use repelente durante o dia, pois é o momento que a fêmea do mosquito mais procura as pessoas para fazer o repasto, se alimentar”, informa a Secretaria de Saúde.
Erechim
Em Erechim, segundo a Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde entre os bairros mais afetados com a doença estão São Cristovão, Aeroporto e Centro. No total, o município tem 844 notificações, 190 casos positivos, 124 negativos e 390 em análise. Além de transmitir a dengue, o mosquito Aedes aegypti também é responsável pela chikungunya, febre amarela e zika.
Fumacê ineficiente
Segundo informações do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz), o fumacê é um método de enfrentamento do mosquito ineficiente, que asperge inseticida em volume baixo pelas cidades, e tem como único efeito o de acalmar a população, pela sensação de que “algo está sendo feito”. Os elevados índices de infestação do mosquito têm a ver com o fato que o mosquito se reproduz em todo e qualquer objeto que possa acumular água, independentemente do tamanho, desde uma tampa de uma garrafa PET até uma piscina.
O CEE-Fiocruz afirma que o uso do fumacê tem se mostrado insuficiente porque há resistência comprovada ao inseticida, e o mosquito vive, essencialmente, dentro dos domicílios, ou no peridomicílio, e, muitas vezes, os veículos que lançam o fumacê passam nas ruas a uma certa distância, e o jato que aspergem não alcança o interior dessas residências, que ainda podem estar fechadas, ou os quintais.