O arranquio de ervais tem sido uma prática constante na região do Alto Uruguai desde 2015. No local, a cultura da soja tem ganhado espaço. Isto por causa dos baixos preços praticados. A arroba que estava cotada em R$ 25,00 em 2014 caiu para menos de R$ 10,00 e esse é o principal motivo que assolou mais uma crise do setor ervateiro.
Erebango está entre os municípios com maior número de arranquios. De acordo com o agrônomo da Emater Regional e presidente do Ibramate (Instituto Brasileiro da Erva Mate), Valdir Zonin, em torno de 30 agricultores tiraram parte dos ervais, especialmente em áreas que são propícias ao cultivo da soja.
Em outros municípios também ocorreu arranquios, como em Gaurama. No mês de janeiro, a família Burili, que cultivava 3 hectares há mais de 30 anos em Linha 4, terminou com sua plantação. De acordo com o agricultor Elismar, ao longo dessas décadas passaram por várias dificuldades, mas agora resolveram dar fim, principalmente pelo preço baixo e pela falta de mão de obra. “Vamos plantar milho agora”.
Mas além do preço em baixa, Zonin destaca outros fatores que contribuíram para a crise no setor, como a falta da mão de obra por parte dos agricultores, a dificuldade de tarefeiros que aumentaram seu custo, a legislação trabalhista que está mais exigente.
Diante do cenário atual, o Ibramate juntamente com outras instituições, como Aspemate (Associação de produtores de Erva Mate do Alto Uruguai), Sindimate (Sindicato da Indústria do Mate do Estado do Rio Grande do Sul), Indumate (Industria e Comercio de Erva Mate), viveiristas, Emater, Cotrel, Universidade Federal Fronteira Sul, URI, Fetag, Fetraf, estão atualizando o cadastro em todos os municípios para obter informações sobre o número de produtores e área cultivada com erva mate. A expectativa é de que este levantamento esteja concluído em 90 dias. Os últimos dados da Emater apontam que no Alto Uruguai há em torno de 6,5 mil hectares de erva mate, 1,7 mil propriedades de agricultores, com uma produção superior a 30 mil toneladas/ano.
“Anterior a esta crise, o setor ervateiro viveu um bom momento, com preços em alta, o que motivou o plantio de novos ervais, melhor manejo, mais adubação. Mas com a elevada dos preços o consumo reduziu um pouco e devido à crise econômica o consumo foi ainda mais retraído. Assim, nos últimos dois anos passou a sobrar um pouco de matéria prima, forçando os preços para baixo”, comenta o presidente do Ibramate.
Conforme Zonin, o setor ervateiro constantemente passa por crises, mas esta não se trata da mais crítica. A mais recente havia sido nos anos 2010/11.
A produção do Alto Uruguai (em torno de 30 mil toneladas/ano) representa em torno de 17% da produção estadual de erva mate. A maior parcela, mais de 40% está concentrada no Alto Taquari.