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Equipe do Cras de Viadutos alerta sobre cuidados com bem-estar e emocional das crianças

Durante o período de paralisação das atividades presenciais, público infantil foi um dos mais prejudicados

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Durante o período de paralisação das atividades presenciais, público infantil foi um dos mais prejud
Por Ragnara Zago
Foto Divulgação

O Centro de Referência de Assistência Social (Cras), do município de Viadutos vem se destacando muito nos últimos dias. Os profissionais de diferentes áreas, buscam, de forma remota, continuar desempenhando o mesmo papel que era realizado antes da pandemia da covid-19. A coordenadora, Ariane Jaguszewki, revela que a equipe unida busca incentivar o público atendido, mesmo à distância. “A equipe técnica sempre realiza contato com os usuários e famílias, da política de assistência social, por meio de telefone, redes sociais, individualmente ou com visitas domiciliares. Contudo, estamos ansiosos para o retorno de grupos e atividades presenciais que tanto engrandeciam e motivavam a convivência familiar e comunitária”, pontua a coordenadora.

O Cras é um órgão público, onde são oferecidos os serviços de proteção básica, com objetivo de fortalecer a convivência com a família e comunidade, visando a prevenção e a garantia de direitos.

Entre os públicos atendidos, está o infantil. Segundo a psicóloga Laila Segranfredo, durante este período em que as atividades presenciais estão interrompidas, ele foi um dos mais prejudicados, e algumas mudanças no comportamento das crianças, que frequentam a unidade, vêm sendo observadas pelos profissionais. “Percebemos, pelos relatos das famílias, que muitas ficaram ansiosas, agitadas e, em alguns momentos, entediadas, por haver restrições para sair de casa. Na realidade de muitos, principalmente os que não tem acesso à Internet ou celular, o distanciamento social se agrava ainda mais, pois não há contato com o ‘mundo lá fora’. Isso tudo evidencia que precisamos do outro, não apenas da família, mas também da convivência comunitária”, explica a psicóloga.

A assistente social, Graziela Arruda, destaca que além da ansiedade, também podem surgir outros transtornos psicológicos nas crianças durante a pandemia. “Para nós, são imensuráveis os danos desse distanciamento social, com a fragilização destes vínculos, com certeza todos nós perdemos muito. As pessoas tem se mostrado mais ansiosas e estressadas. A preocupação com o contágio e o risco iminente de morte, traz consigo medo, angústia e ansiedade. Muitos passam a ter dificuldades para dormir e outros comem compulsivamente, na tentativa de minimizar seus sintomas. Observamos também que, com as escolas fechadas, algumas crianças passaram a ter sua rotina alterada, ficando um dia na casa da avó, outro com a vizinha, outro na casa de uma tia, para que os pais possam trabalhar. Isso também traz prejuízos, afinal não há um local para elas se referenciarem”, frisa Graziela.

Por meio dos programas de acompanhamento da unidade, é possível identificar se as crianças que frequentam o local, necessitam de atenção especial. Nos grupos do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, as crianças participam de diferentes atividades, onde interagem com atividades lúdicas, sempre com o acompanhamento de uma técnica de referência, psicóloga ou assistente social. “Ao percebermos, por exemplo, que a criança passa a se isolar ou a ter comportamentos indisciplinados e agressivos, sempre é feito o contato com a família para sabermos se está acontecendo algo de diferente em sua rotina ou no contexto familiar. Com isso, diante de alguma situação de que demande atenção, são realizados atendimentos e intervenções com a família ou feitos encaminhamentos para a rede de atendimento do município”, elucida a psicóloga, Ivana Roberta Kipper.

Depressão infantil

Cada vez mais sabemos da importância de cuidar da nossa saúde mental. Quando se trata de crianças, o assunto precisa de ainda mais de atenção. Muitas vezes, por romantizar a infância, surge o risco de negligenciar a dor dos pequenos. Nomeamos como birra e desatenção, preguiça e mal criação, uma dor que não está sendo apresentada. A criança apresenta a dor de forma indireta, mudando sua atitude no dia a dia, sendo agressiva, às vezes com as pessoas que elas tanto gostam. Para a psicóloga Graziela, a família pode contribuir no papel de evitar o quadro da depressão. “Uma família disfuncional, desestabiliza todos os seus membros. Isso resulta nas dificuldades que vem sendo apresentadas em nosso cotidiano, como falta de atenção, afeto, falta de limites, irresponsabilidades, falta de pertencimento, fuga da realidade, o que pode até desencadear na adolescência o uso de entorpecentes, entre outras situações”, esclarece a psicóloga.

Diferenciando tristeza de depressão

A tristeza é apenas um dos sintomas de um quadro depressivo. “Ficar triste é algo passageiro, já no transtorno de humor deprimido, há falta de energia, alterações de sono e apetite, dificuldades de concentração, entre outros, por pelo menos duas semanas. Quando percebemos que pode se tratar de depressão, a equipe técnica se reúne, chama a família, faz as orientações iniciais e encaminha para a avaliação da equipe de saúde do município”, descreve a psicóloga Laila Segranfredo.

Como evitar os transtornos

A psicóloga também destaca que para evitar a tristeza e a depressão, sempre que possível, é essencial estabelecer uma rotina diária. “Com hora para: acordar, fazer as atividades, comer e dormir. Além disso, organizar afazeres para ocupar as crianças durante o dia, seja com as atividades escolares ou com brincadeiras, para que evitem passar muito tempo ociosas frente às telas. Outra questão importante é que, com mais tempo juntos, a família pode usar estes momentos para se conectar. Sempre nos queixamos que não se tem tempo pra nada, mas agora, ficando em casa, podemos tirar aquele álbum de fotos do armário, ver aquele filme em família ou mesmo conversar sem estar com o celular na mão”, conclui.

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