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Cultura

Artistas buscam alternativas em meio a atividades interrompidas

A reportagem do Jornal Bom Dia conversou com representantes de algumas categorias artísticas afetadas pelas paralizações, os quais relataram sentimento de tristeza e ansiedade por não saber o que ainda está por vir

teste
Divulgação
Por Ragnara Zago
Foto Divulgação

Devido a pandemia mundial do coronavírus, muitas atividades foram suspensas. Há quase um ano de paralizações, cada classe foi afetada de uma maneira diferente. Alguns puderam fazer adequações quanto ao modo de realizar seu trabalho. Já outros, até os dias atuais, ainda não retomaram suas funções, tendo que optar por serviços temporários para poder continuar recebendo um salário.

A reportagem do Jornal Bom Dia conversou com representantes de algumas categorias artísticas afetadas pelas paralizações, os quais relataram sentimento de tristeza e ansiedade por não saber o que ainda está por vir.

Luciano Barbosa - Música

Músicas como “Alô segurança”, “Se ainda existe amor” e “Casava de novo” são muito significativas para quem mora em Erechim e região. Esses títulos e muitos outros fazem parte da carreira de Luciano Barbosa, cantor da Banda Passarela. O músico iniciou cedo sua trajetória, aos seis anos de idade. “Tenho cinco irmãs cantoras e comigo não poderia ser diferente. Aos seis anos de idade já cantava em festivais. Na fase adulta ingressei em uma banda, logo após em outra e depois na Banda Passarela, a qual já faço parte há 20 anos. Luciano conta que sua classe foi uma das mais prejudicadas e que foi necessário fazer adequações. “Acredito que assim como eu, muitos tiveram que se readaptar e reavaliar a situação, trabalhando em outros ramos, coisas que não tínhamos experiência, por necessidade. Tive que fazer outras atividades que nem imaginava fazer, pelo fato de estar na música. Tínhamos uma média de 25 a 26 shows por mês, e ‘do dia para noite’, fomos impossibilitados de continuar. Nesse tempo trabalhei no ramo de dedetização e pintura, me readaptando”, conta.

Quando perguntado sobre o que a música representava para ele, o músico abriu seu coração. “Representa o homem que eu sou hoje. O mundo não vive sem música, isso é comprovado psicologicamente. Estou muito ansioso para que tudo volte ao normal, e possamos retornar para este universo cheio de possibilidades”, conclui Luciano.

Carolinne Bruschi – Fotografia

Desde pequena, Carolinne gostava de brincar com câmeras de brinquedo. Era curiosa e buscava descobrir como se “congelava” um momento. “Ingressei na faculdade de arquitetura, e lá tinha uma disciplina de fotografia. Foi naquele momento que foquei mais, pois vi que, com uma câmera na mão, poderia observar as coisas de outro ângulo. A ideia de capturar momentos e guardar eles para outras pessoas ver, sempre me encantou”, revela a fotógrafa.

Carolinne trabalha no ramo desde 2018, quando comprou a primeira câmera. Ela revelou que com a pandemia da covid-19, suas atividades foram totalmente afetadas. “Faço bastante aniversários, casamentos, e, com a situação atual, tais eventos passaram a ser cancelados. Porém, comecei a investir mais em redes sociais e ensaios individuais, o que me ajudou muito a ter mais visibilidade e confesso que estou amando trabalhar com retratos artísticos. Uma saída que deu super certo”, ressalta Carolinne.

Airton Fabro – Teatro

A iniciação artística de Airton está totalmente ligada com a escola onde o artista convivia em festivais de teatros estudantis desde a primeira série do ensino fundamental até o último ano do ensino médio. “Meu primeiro papel foi quando fui escolhido para fazer ‘O Pequeno Polegar’, pela minha estatura de ser “magrinho”. Eram comuns nos anos 70 e 80 os festivais estudantis. Após o ensino médio, fui morar em Porto Alegre e levado por um colega a participar de uma seleção de atores de um grupo de teatro de Novo Hamburgo. Fui reprovado no teste mas acabei me apaixonando pela arte teatral. Acredito que veio à tona todo o contato que eu tive com o teatro na escola, que me fez abandonar a faculdade e o banco em que trabalhava, para cursar oficinas de teatro. Desde lá são 27 anos resistindo com o teatro”, aponta o artista.

Formado em Publicidade e Propaganda e com Mestrado em Teatro, Airton hoje comanda o Grupo Aldeia Teatral, que há 14 anos circula pela região desenvolvendo espetáculos. Sobre as atividades durante a pandemia, o artista apontou que desde março do ano passado, mais de 15 integrantes do grupo tiveram que buscar outras alternativas de sustento. “Quase todos os atores tiveram que trabalhar em outros locais ou buscar outras formas de sobrevivência”, ressalta. Para continuar expondo sua arte, o grupo buscou maneiras de se adaptar à nova realidade. “Realizamos espetáculos on-line e disponibilizamos na Internet, no site do grupo Aldeia Teatral, inicialmente tivemos um retorno com um espetáculo de páscoa, mas, a partir de então, não teve um envolvimento da comunidade. Outras tentativas foram fracassadas, e com isso, suspendemos os espetáculos virtuais. Neste período pandêmico o grupo teve um grande prejuízo financeiro e praticamente sobrevive na corda bamba”, conclui o ator.

Leonardo Madrid – Dança

O instrutor de dança tradicionalista, Leonardo Madrid, começou a dançar no Centro de Tradições Gaúchas (CTG) aos 13 anos, a convite de uma amiga, na invernada do CTG Sentinela da Querência. “Desde então não parei mais de dançar, participei de vários festivais, inclusive um dos mais importantes o Enart”, evidenciou Leonardo. Alguns anos depois, o dançarino resolveu se tornar instrutor de danças de grupos infantis, no qual permaneceu até a chegada da pandemia. “Este tempo parado nos afetou muito, uma vez que proporcionava lazer as crianças, por estarem se divertindo ao dançar e aprendendo ao mesmo tempo sobre a tradição”, indicou o dançarino.

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