Independente do esforço pessoal de cada um, existe um mundo lá fora, para além do indivíduo, que não muda com ação individual, não se transforma pelas mãos desunidas, a não ser por uma cultura de integração e colaboração mútuas, que aí sim pode alçar voos maiores.
A cultura e a maneira de entender a sociedade precisam ser alteradas. E isso serve pra vida individual e pra vida em grupo como um todo: de que ninguém faz nada sozinho, neste mundo.
As eleições de 2022 estão chegando e o dilema da região Alto Uruguai continua o mesmo, já que não tem um representante em Brasília, deputado federal, para trazer recursos e trabalhar pelos projetos regionais. E isso faz falta. Ter um político eleito pela região no Congresso não resolveria todos os problemas locais e regionais. Isso se faz no dia a dia das prefeituras e das comunidades, com esforço e trabalho diários.
O fato de ter alguém no “coração” do poder seria um tipo de auxílio, complemento às gestões municipais, aos investimentos do setor privado e o trabalho do cidadão. O efeito principal eu diria que se daria no plano coletivo, como realização de um projeto regional, em que a visão individualista daria espaço para percepção coletiva, mais abrangente, de sociedade.
E, assim, se começaria a mudar a cultura atual, rever as estratégias, redefinir as prioridades. É verdade que é quase impossível que haja toda esta reviravolta, ao mesmo tempo, isso é só a minha divagação, de fim de tarde de sexta-feira, escrevendo esta coluna para o ofício de operário das letras. Enfim, a política ainda é feita por pessoas, e as pessoas sempre têm as suas prioridades, seja por experiência de vida, educação, ou simplesmente, por decisão.
É claro que o eleitor é “livre” para começar a pensar no assunto e construir esta transformação, por si só, com seus botões, mas isso também não é fácil, quando há certos hábitos – cultura – dominantes. Mas quando o assunto é política, tudo é possível.
Ao olhar para as atividades diárias em casa ou no trabalho já é possível constatar que é a ação coletiva, a vida em grupo que impera, literalmente, para se sobreviver ou trabalhar. A existência está amarrada numa teia de ações conjuntas, que são necessárias para o indivíduo sobreviver. Isso já é assim, é só parar pra pensar. Ninguém vive ou subsiste sozinho.
Sempre vai ter um que levanta o dedo em riste para afirmar que consegue viver sozinho. Esse pensamento é facilmente descartado porque essa mesma criatura compra a comida em algum lugar, que alguém produziu, que outro transportou, que outrem vendeu, embalou, lavou, e por aí vai.
Vida é relação a todo momento, da hora em que se levanta para labutar até a hora em que se vai dormir. Não tem como fugir disso e que bom que seja assim. Já escrevi em outra ocasião e repito, sucesso é fruto da coletividade e é por meio dela que o indivíduo vai se realizar, individualmente. Por exemplo, se eu vendo alguma coisa, vou fazer isso pra alguém.
A reflexão precisa ir no sentido de romper com a cultura do individualismo, até porque ela é estritamente mental, um devaneio intelectual, pois na prática a vida é feita por muitas mãos, queira entender assim ou não.
Quem sabe um dia este raciocínio tome conta da política, das ações de governos municipais – acho que esse processo já iniciou nesta esfera -, já em âmbito estadual e federal – está muito longe ainda de acontecer. Enfim, que a forma de pensar, que leve em conta o conjunto da sociedade, esteja expresso, refletido, literalmente, naquilo que a vida é feita: interdependência.