O câncer já está entre as quatro principais causas de morte prematura (antes dos 70 anos de idade) na maioria dos países, conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). A incidência e a mortalidade pela doença vêm aumentando no mundo, em parte pelo envelhecimento, pelo crescimento populacional, como também pela mudança na distribuição e na prevalência dos fatores de risco de câncer, especialmente aos associados ao desenvolvimento socioeconômico.
Várias campanhas buscam chamar a atenção da sociedade sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e tratamento adequado. Uma delas é o ‘Dia Mundial do Câncer’ que surgiu em 4 de fevereiro de 2000, em Paris, na Cúpula Mundial Contra o Câncer para o Novo Milênio. O movimento visava, por meio de ações, a redução de até um terço dos casos de câncer até o ano de 2030. “Sabemos que, diante da pandemia, ficou um pouco mais difícil de atingir essa meta, contudo, sempre ressaltamos a importância de manter as consultas como uma rotina normal, a exemplo do controle e prevenção de outros problemas, como a hipertensão, diabetes, infarto do miocárdio, sendo que no caso do câncer, quanto antes for identificado, melhores podem ser os resultados do tratamento”, reitera o oncologista de Erechim, Pablo Ribeiro.
Em entrevista ao Bom Dia, o especialista frisa que, por mais opções de tratamento que surgiram ao longo dos últimos anos, a orientação é para que os pacientes continuem seus cuidados e busquem seguir as medidas de prevenção ao novo coronavírus, sem esquecer dos outros problemas de saúde.
É possível prevenir
Dr. Pablo destaca que mais de 33% dos casos de câncer podem ser prevenidos com a redução dos denominados “vilões” como: o tabaco, a obesidade, a inatividade física, as infecções e o uso de álcool.
Do mesmo modo, a vacinação contra o HPV (câncer de fígado e cervical uterino) é mais um suporte fundamental.
Dados que preocupam
Informações divulgadas pela Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer apontam que os casos da doença devem subir quase 50% nos próximos 20 anos. Dr. Pablo observa esses dados com preocupação. “Sabemos que, atualmente, até mesmo em razão da pandemia, há uma perspectiva de aumento de 20% de mortes em pacientes oncológicos por não poderem ter feito o tratamento ideal. Na mesma linha, a pandemia está prejudicando, também, muitos outros fatores com a alimentação, sendo que na maioria das vezes as pessoas não se alimentam da forma ideal, optam por muitos itens industrializados, com gorduras, mantém vícios como o tabagismo, o consumo de álcool e tudo está levando ao aumento do número de casos de câncer e dificultando a meta de diminuir os casos”, relata, exaltando que sempre há esperança de que a população se conscientize e faça o máximo que puder para evitar complicações à saúde.
Orientações aos pacientes
Em relação aos tratamentos oncológicos, sempre é preconizado que os pacientes prossigam seus acompanhamentos. “Com a pandemia e os tristes reflexos com os óbitos, muitos pacientes estão um pouco mais assustados e há quem não procurou seus médicos para fazer os exames de rotina e os procedimentos que, na área da Oncologia, são mais rígidos. Ao passo que, durante a pandemia recomendamos que é importante permanecer nos lares, muitas pessoas tiveram medo de sair de casa para ir aos consultórios. Porém, em relação à saúde, é essencial o acompanhamento”, enaltece o oncologista, citando que muitos pacientes desistiram de fazer a quimioterapia, a radioterapia, contudo, vale frisar que, as pessoas que necessitam de tratamentos específicos, devem mantê-los. “Sabemos que há risco de contágio pelo novo coronavírus, mas é uma relação risco/ benefício”, acrescenta.
De acordo com o especialista, é preciso tratar o câncer pois é uma doença que geralmente compromete as defesas do organismo. Nesse caso, se o paciente for diagnosticado com a covid-19, a situação pode ficar ainda mais complicada. “Pedimos, inclusive, que os gestores de saúde observem os denominados rastreios em suas regiões e os tipos de câncer com mais prevalência. Dessa forma é possível desenvolver um plano estratégico ainda mais efetivo, relacionando a prevenção ao novo coronavírus”, salienta.
Vacinação contra covid aos pacientes
Muito além de seguir todos os protocolos como o uso da máscara, higienização das mãos e manter o distanciamento social, o médico de Erechim afirma que aos pacientes com câncer, a orientação é que todos acima de 18 anos, que não sejam mulheres grávidas e não estejam amamentando, tomem as vacinas contra a covid-19. “Não importa de qual empresa for o medicamento, pois no cenário atual, não podemos escolher o tipo da vacina que iremos tomar. O importante é se proteger”, ressalta.
Segundo Dr. Pablo, pesquisas mostraram, até o momento, que nos casos dos pacientes que estão fazendo a quimioterapia, o imunizante pode não ser tão eficaz como em um paciente que não está com a imunidade baixa. “Mas é importante que seja feita a vacina. Como existem algumas exceções, é essencial conversar com o especialista”, alerta.