A partir do propósito de contribuir na retomada das atividades físicas e plena recuperação das pessoas que já enfrentaram a covid-19, o Sesc/RS oferece treinamentos específicos e orientados, em todo o Rio Grande do Sul. O projeto se expandiu nesta semana, de modo ainda mais padronizado.
Em Erechim, o trabalho vem sendo colocado em prática de forma gradual, desde o mês de abril do ano passado, seguindo as recomendações de higienização, uso de máscara e distanciamento. Os atendimentos acontecem por meio de treinos específicos.
O instrutor de academia, Ricardo Mattia, destaca os benefícios do projeto que pode refletir em benefícios no condicionamento cardiorrespiratório e na musculatura. “Como percebemos que há um número cada vez mais expressivo de pessoas que contraíram o vírus, e atualmente já temos uma melhor noção dos efeitos que ele causa, o objetivo é contribuir para o bem-estar, considerando aspectos como: sintomas vivenciados ou se foram pacientes assintomáticos, se precisaram de hospitalização, entre outros aspectos”, explica.
Conforme Ricardo, atualmente já existe um protocolo fornecido pelo Colégio de Medicina do Esporte do Brasil, o qual concede os parâmetros sobre como é possível trabalhar e o que fazer para melhorar a saúde dessas pessoas. “Quando o aluno comenta que teve a covid-19, realizamos uma espécie de entrevista para que possamos saber mais sobre todo o quadro de saúde e como foi o período em que ele esteve de quarentena”, comenta.
Protocolos diferenciados
Ele enfatiza que, para cada situação, há um protocolo diferente, que leva em conta, ainda, orientações médicas e uma avaliação pré-exercício que o profissional deve fornecer. “Devemos ficar sempre muito atentos, pois, nesse momento já sabemos que há pessoas que desenvolvem problemas cardíacos cerca de 60 ou 70 dias após o diagnóstico”, assinala o instrutor do Sesc.
No caso das pessoas que não tiveram sintomas, o processo é mais tranquilo e é possível voltar às práticas após 14 dias, seguindo seus cuidados específicos. Para aqueles que tiveram febre, por exemplo, o ideal é que retornem ao médico após 60 dias para uma nova avaliação. “Se houve internação, são necessários alguns exames para que possamos trabalhar, da melhor forma possível, buscando um retorno da saúde dessa pessoa e, é claro, mais qualidade de vida”, ressalta Ricardo, citando que, entre as pessoas internadas, em torno de 20% tem algum tipo de miocardite (inflamação do músculo do coração, chamado de miocárdio).
Ao mesmo tempo, o instrutor pontua que, no retorno à academia, a maioria sente algum tipo de dificuldade respiratória e uma percepção de esforço maior para fazer a mesma atividade que faziam antes. “Nosso organismo se adapta muito rapidamente, inclusive à inatividade, e acaba ocorrendo uma perda de condicionamento, além do comprometimento do pulmão”, acrescenta.
Exercícios são sempre fundamentais
No dia a dia é sempre reforçada a importância que os exercícios desempenham na rotina da sociedade. Em tempos de pandemia, essa orientação se torna ainda mais especial, considerando que eles podem auxiliar na prevenção da hipertensão, diabetes, obesidade - doenças que são fatores de risco para a covid-19. “Desse modo, a prática de exercícios deve ser mantida, seguindo todas as normas de prevenção ao novo coronavírus. Seja em casa ou na academia, o ideal é seguir pelo menos 150 minutos de atividades leves durante a semana”, orienta o professor.
Necessidade de adequação após o diagnóstico de covid-19

Emanuele Menegatti, de 32 anos, reconhece os benefícios que a prática de exercícios pode proporcionar. Segundo ela, eles vão muito além da parte estética, mas possibilitam impactos na área emocional, no funcionamento do organismo como um todo, e, também, na socialização.
No entanto, há dois meses ela foi surpreendida pelo diagnóstico de covid-19. Um período desafiador que impôs mudanças em sua rotina. Durante a entrevista ao Bom Dia, ela salientou que, após testar positivo para o novo coronavírus, seu retorno aos exercícios precisou ser gradual e exigiu atenção e controle. “Naquele período, o sintoma que mais se intensificou foi a falta de ar, além do cansaço excessivo. Por isso, para conseguir voltar aos treinos na academia, precisei passar por uma adequação, com redução de carga, visando o fortalecimento muscular e, até mesmo, persistir para que o pulmão respondesse da forma correta. Aos poucos fui retomando os exercícios anteriores e mesmo assim, prossigo com acompanhamento e monitoramento dos professores”, relata Emanuele que frequenta a unidade Sesc em Erechim há cerca de um ano.
Sesc Erechim
Para mais informações sobre os atendimentos no Sesc, a comunidade pode procurar a unidade mais próxima. Em Erechim o contato é: 3522-1309.