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Saúde

Exposição prolongada ao sol pode causar prejuízos à visão

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Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Que o sol é um elemento importante e que contribui para a saúde, a maioria das pessoas sabe. Isso porque a exposição pode estimular a produção de vitamina D, que é essencial para diversas atividades do organismo, e melanina, auxiliando, assim, na prevenção de doenças e na sensação de bem-estar. No entanto, todo excesso tende a ser prejudicial.

O médico oftalmologista de Erechim, André Hermes Agnoletto, ressalta que o sol é um aliado mas requer uma atenção especial, principalmente quando nos referimos à população de pele clara, de baixa pigmentação, predominante na região Alto Uruguai. “Os desafios envolvem o cuidado da pele e, também, da visão. O olho sofre com o excesso de sol. Ao passo que a iluminação é necessária, não devemos olhar direto para o sol e, mesmo assim, o contato prolongado pode causar sérios danos à saúde ocular”, explica.

Segundo o especialista, a maior parte desses problemas também está relacionada à idade, em razão do acúmulo de exposição aos raios ultravioletas.

Problemas comuns

Entre as doenças estão os tumores; algumas alterações nas glândulas produtoras de óleo, que podem influenciar, a longo prazo, até mesmo a produção de lágrimas; dificuldades no ato de piscar que drena a lágrima para dentro do nariz; distúrbios da ceratinização da pele; entre outros problemas. “Sabemos que, no caso do trabalho no campo, por exemplo, usar óculos de sol acaba se tornando um incômodo. Por isso, o chapéu é um item que ajuda na proteção, contudo, não é suficiente”, observa Dr. André.

Ele pontua, ainda, que outro fator é a predisposição genética e a cor do olho, que, em razão da pigmentação, também pode provocar mudanças na visão. “Um olho mais claro é menos pigmentado e por isso acaba sendo mais sensível ao sol”, completa.

Conforte o oftalmologista, a conjuntiva é outro ponto que pode sofrer os efeitos do excesso solar. Nesse caso a doença mais comum é o pterígio - crescimento de um tecido avermelhado na superfície de um ou dos dois olhos – e pode ser confundida com a catarata; e a pinguecula - é uma degeneração da conjuntiva que se manifesta como um depósito de cor amarela esbranquiçada na junção entre a córnea e a esclera.

Agnoletto esclarece que, geralmente, os problemas ocorrem na região mais próxima do nariz, mas podem surgir na parte branca do olho também. “Imagina-se que seja por conta do reflexo dos raios ultravioletas no nariz. Vale mencionar que não é uma lesão com característica maligna, sendo que geralmente é possível estabilizar, sem cirurgia, e com o uso de colírio e óculos de sol”, salienta.

Mais ao fundo do olho, uma alteração comum, relacionada ao sol, é a catarata. A doença está relacionada, primeiramente com a idade (tempo prolongado), onde o cristalino absorve a radiação ultravioleta e, por sua, acaba mudando a cor.

O oftalmologista comenta que também pode ser registrada uma degeneração macular relacionada à idade (DMRI), a qual ocorre em uma parte da retina chamada mácula e leva à perda progressiva da visão.

Outro problema que não é muito comum, mas pode ocorrer, é uma queimadura solar dentro do olho. “Na parte externa não aparece nada, mas, por dentro, a visão foi afetada. Por isso, a principal forma de prevenção é o uso de óculos de sol. Vale ressaltar que até mesmo os óculos de grau tem proteção contra os raios ultravioletas, UVA e UVB”, orienta, citando que a maioria dos óculos adquiridos em óticas, possibilita essa segurança mais efetiva. Um ponto importante é que os olhos não precisam ser pretos. “Os marrons e de outras cores, também são favoráveis, o que importa é a certificação”, reforça.

Para confirmar se o óculos tem proteção, o mais indicado é levar até um oftalmologista que possui um equipamento específico para essa avaliação.

Boas práticas começam cedo

O ideal é que o comportamento preventivo inicie cedo, a partir dos sete anos de idade, principalmente nesse período do verão. “Quando sair para caminhar na rua ou praticar esportes (se possível), não esqueça de usar óculos e opte sempre por horários específicos como as primeiras horas da manhã ou no fim da tarde, evitando, assim, o contato muito intenso”, acrescenta Dr. André.

Protetor solar versus pálpebras

Ao pensar em verão, sol e prevenção, outro item fundamental para a pele é o protetor. Nesse sentido o especialista alerta que o produto funciona bem na região próxima do olho, no entanto, não foi produzido com uma finalidade voltada à região ocular. “Sendo assim, sempre oriento para que não seja usado ao redor das pálpebras, pois há grandes chances de entrar no olho e causar desconforto e irritação”, frisa o médico de Erechim.

 

 

 

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