Na última quinta-feira (17), várias entidades ligadas à saúde de Erechim, se reuniram no Anfiteatro Dr. Sérgio Maccagnini, para lançar uma campanha forte sobre o novo coronavírus: “Covid mata”. O médico oncologista, Alison Castanho, que trabalha nas duas UTIs de Erechim – Santa Terezinha e Caridade –, representou os colegas da saúde que trabalham na linha de frente dos hospitais, e disse coisas que devemos refletir em cada palavra. Que Humanidade queremos no futuro? O mundo não tem mais espaço para egos inflamados e egoísmo exacerbado.
“A pandemia fez o mundo parar e repensar seus valores”
Para o Dr. Castanho essa pandemia fez o mundo parar e a humanidade repensar seus valores: “Estamos passando por um problema que é extremante grave, pois os recursos humanos e materiais são finitos. Temos grupos de profissionais que se revezam entre as duas UTIs dos dois hospitais. Profissionais que muitas vezes estão trabalhando 48, 72 horas. Que numa semana fazem 24 horas de plantão. Que estão cumprindo com seu juramento de servir a vida e fazer o melhor para o seu próximo”.
“Precisamos repensar nossos conceitos, principalmente de liberdade”
Reforça o espírito de fim de ano: “Estamos num momento que falamos de Natal. E se enaltece sentimentos como fraternidade, compaixão. E deveríamos repensar nossos conceitos, principalmente sobre liberdade. Falamos sobre o meu direito de ir e vir. De ser livre. Liberdade, como felicidade, são verdadeiramente sentidas e tem sua razão expressa quando elas são compartilhadas. Ao novo alvorecer da humanidade ou pereceremos mediante o nosso próprio caos? Por que nós podemos impedir isso, pela nossa própria e simples ação”, comenta o médico.
“Temos meios para impedir que o caos venha”
O oncologista que trabalha na linha de frente, fala com propriedade: “O conhecimento cientifico nós já temos. Nós temos os meios para impedir que o caos venha. Mas para isso, temos que controlar o caos que há dentro de nós. Repensem. Que tipo de liberdade queremos? A liberdade que fere o meu semelhante ou a liberdade que busca a igualdade interior, que vê meu próximo de forma fraterna? Que eu renuncie algo que eu queira nesse momento, para o melhor do outro?”, questiona Dr. Castanho,
“Quando ocorrem óbitos, nós sentimos, nós sofremos”
Para ele, os profissionais de saúde não atendem pacientes: “Atendemos pais, filhos e irmãos. Quando ocorre quatro, cinco óbitos num dia, nós sentimos, nós sofremos. Somos remetidos pela exaustão mental, espiritual e também física. Somos seres humanos. Estamos servindo para dar o nosso melhor, mas sozinhos não conseguimos mais”, desabafa.
“A pandemia veio para a busca de uma humanidade melhor”
Reforça a necessidade de ações conjuntas e de empatia: “Precisamos desse sentimento fraterno que nos une na busca de uma humanidade melhor. Com certeza essa pandemia veio para isso. Temos o dever de construir esse mundo mais fraterno e justo. É nós que temos o poder e os instrumentos para fazer isso. Não bastam palavras, bastam atitudes. Coloquem-se no lugar do próximo. Crie essa empatia real. É o pai, a mãe, o filho de alguém”.
“Enquanto não controlarmos o caos interior, não haverá solução”
Dr. Castanho ressalta que precisamos lidar de forma serena com o momento que estamos vivendo: “Enquanto não controlarmos nosso caos interior, não haverá solução. Precisamos cultivar sentimentos de fraternidade. A humanidade só evoluiu pela renúncia do ‘eu’, a renúncia do próprio ego, em benefício de todos”.
“Que humanidade é essa que pensa nos seus e não no todo? ”
Podemos evitar que janeiro seja uma tragédia. Aqueles que hoje dizem ‘o meu direito de ir e vir’, e se essa seleção natural que tanto falam, atingir alguém que eu ame? Que humanidade é essa que pensa nos seus e não no todo? A história da evolução está nos mostrando que precisamos repensar os nossos valores. E o covid é, de certa forma, um instrumento para que possamos chegar ao nosso melhor”.