O assunto referente a possíveis casos de reinfecção pelo novo coronavírus ainda diverge opiniões em um cenário de estudos e pesquisas recentes, considerando que a própria pandemia é algo desconhecido e, a cada dia, apresenta novas observações, questionamentos e protocolos.
No município de Cacique Doble, a Secretaria de Saúde publicou em seus canais de comunicação, no mês de novembro, a informação de que teriam sido confirmados dois casos de reinfecção pelo SARS-CoV2 em duas pessoas (com idade entre 30 e 35 anos). Segundo os profissionais, os pacientes já haviam apresentado os sintomas quatro meses após terem testado novamente positivo para o novo coronavírus. A confirmação foi feita pela Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde no dia 30 de novembro.
Conforme a secretária de Saúde, Daiane Fatima Fortuna, um dos pacientes teve a primeira contaminação no mês de julho, em teste realizado em outro município. “Na reincidência recebeu o acompanhamento total da Secretaria. O segundo paciente obteve o exame positivo pela primeira vez em agosto. Eles receberam tratamento com medicação e se recuperaram em suas residências”, explica, citando que ambos não tem comorbidades e já retornaram para suas atividades.
Daiane destaca que a equipe de saúde optou por ampliar a sensibilidade da rede de vigilância no município com a investigação de possíveis novos casos de reinfecção. “Nesta perspectiva, qualquer paciente que tenha o RT-PCR positivo e, após 60 dias apresente qualquer sintoma de síndrome gripal, poderá ser investigado para possível caso de reinfecção”, alerta a secretária.
A médica que atua no município, Greici Bertolini, comenta que, estudos recentes demonstram que os níveis de anticorpos apresentam queda já nos primeiros dois meses. “Após esse período, aproximadamente 50% das pessoas que tiveram a infecção pelo novo coronavírus, podem ser infectadas novamente. Quem acredita que pegar a covid-19 ficará imune posteriormente, está enganado”, declara.
Para a médica, as pessoas que já foram contaminadas pela doença, não podem ficar menos precavidas que as outras.
Erechim
A advogada erechinense, Tina Paula Gervasoni Müller, também pode ser um outro exemplo de reinfecção, contudo, não houve confirmação.
Ao Bom Dia, ela relatou que, em 13 de maio sentiu um pouco de dor na garganta e na cabeça. Como ela convive com pessoas que são do grupo de risco, optou por fazer um exame de sangue IGG e IGM, o qual sinalizou para a contaminação pelo novo coronavírus, na fase de transmissão. “Cumpri a quarentena e, além da leve dor de garganta e cabeça, não tive mais sintomas”, contou.
No mês de novembro, na semana do dia 10, Tina sentiu dores nas pernas e na região lombar. “Algo intenso, parecia nos ossos, mas como havia feito exercícios não dei tanta atenção, contudo, era uma dor diferente. No dia 12 amanheci com a cabeça muito pesada, congestionada e me sentia mal, mas também ignorei porque sou muito alérgica e pensei estar com uma sinusite”, disse.
Em 15/11, à noite, ela foi para o Pronto Socorro e lá recebeu antibiótico e anti-inflamatório e um novo atestado para a quarentena. No dia 16 fez o teste RT-PCR o qual detectou o novo coronavírus. Assim como a advogada, outros colegas de trabalho também obtiveram o resultado positivo para a covid-19. “Os sintomas foram mais fortes, muito cansaço, sensação de sinusite, garganta arranhando, voz anasalada, tontura, enjoos, perda do olfato e dores no corpo. A médica explicou que, em maio, possa ter havido um “falso positivo”, porém, não temos como saber. O que sei é que é altamente contagioso e outros colegas, mesmo após mais de 20 dias, ainda tem sintomas”, observou.
Região
Em contato com o Comitê Regional de Atenção ao Coronavírus da Associação de Municípios do Alto Uruguai, para verificar se está sendo acompanhado algo específico sobre reinfecção, o integrante, Jackson Arpini comentou que não, pois, segundo ele: “isso requer um estudo muito apropriado para que se possa definir se é ou não reinfecção. No Brasil existem estudos e foi confirmado um caso de uma médica, mediante estudos científicos que comprovaram que ela teve dois episódios da doença de cepas diferentes do coronavírus. Pela literatura isso é possível, porém não podemos afirmar que todos são casos de reinfecção. Ainda não se tem estudos conclusivos do tempo de imunidade do organismo pela presença das defesas naturais do indivíduo. Por essa razão não existem muitas respostas concretas quando falamos em coronavírus”, afirmou Arpini.
No Estado
A reportagem do Bom Dia também solicitou informações à Secretaria Estadual de Saúde. Conforme retorno da assessoria de comunicação, via e-mail, no RS, a equipe de profissionais ainda está trabalhando na identificação de casos suspeitos. Já a investigação, pelo sequenciamento genético, é feita pela Fundação Oswaldo Cruz. “Até o momento o Estado não enviou nenhum caso à Fiocruz”, disse o órgão.
Brasil
* Com informações: Agência Brasil
O Ministério da Saúde (MS) informou, nesta semana, o que considera o primeiro caso de reinfecção por covid-19. Segundo a pasta, o diagnóstico ocorreu em uma profissional da área de saúde, de 37 anos, residente em Natal.
Conforme o órgão oficial, ela teve a doença em junho, se curou e teve o resultado positivo novamente diagnosticado em outubro, 116 dias após o primeiro diagnóstico.
No último dia 9, o MS recebeu um relatório do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo da Fiocruz/RJ, referência nacional para a covid-19 no Brasil, com os resultados laboratoriais de duas amostras clínicas de, até então, um caso suspeito de reinfecção da doença pelo coronavírus.
Após análise das duas amostras enviadas ao laboratório houve a confirmação dos resultados via metodologia de RT-PCR em tempo real. “As análises realizadas permitem confirmar a reinfecção pelo vírus SARS-CoV-2, após sequenciamento do genoma completo viral que identificou duas linhagens distintas", disse o MS por meio de nota.
O ministério disse ainda que o resultado reforça a necessidade da adoção do uso contínuo de máscaras, higienização constante das mãos e o uso de álcool em gel.