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Saúde

“Se não mudarmos o comportamento, estaremos dentro de um hospital”, afirma infectologista

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“Parece que muitas pessoas perderam o medo. Contudo, o cenário assusta”, afirma Madalozzo
Por Izabel Seehaber
Foto Arquivo BD

Diante do cenário mais crítico da pandemia, até o momento, é possível fazer algumas observações que chamam a atenção e podem ter contribuído para que os indicadores chegassem a patamares tão preocupantes. Uma delas diz respeito ao comportamento da sociedade, de modo geral. Se por um lado, há pessoas comprometidas e cuidadosas, no sentido de seguir os protocolos preventivos ao novo coronavírus, por outro, há quem duvide ou “desistiu” de manter as medidas que podem fazer toda a diferença nessa luta contra a covid-19.

A reportagem do Bom Dia conversou com o médico infectologista de Erechim, Vanderlei Madalozzo, que atua na linha de frente das ‘Alas covid’, atendendo pacientes na Fundação Hospitalar Santa Terezinha e também no Hospital de Caridade. Segundo ele, o estágio atual da pandemia é muito preocupante. “Tínhamos uma preocupação em março e foram tomadas as medidas para poder comportar o número de pacientes que, naquele momento, considerávamos que seria expressivo. Hoje, essa estrutura continua sendo usada e necessitou de adaptações”, comentou, citando que o sistema hospitalar tinha que estar preparado para receber, principalmente, os pacientes graves.

Conforme o especialista, desde o início da pandemia, os índices de ocupação de leitos, tanto de UTI como de enfermaria, nunca foram muito elevados. “Pensávamos que, com a chegada do calor, teríamos uma diminuição de casos, no entanto, a realidade foi bem diferente. No inverno, além da covid-19, nos preocupávamos em razão das outras doenças respiratórias que tradicionalmente têm aumento, inclusive de internações”, assinala Madalozzo.

O médico salientou que esse aumento de casos está relacionado à abertura dos serviços, mas, principalmente, ao comportamento das pessoas. “Houve um abandono, quase que completo, das medidas de segurança. Muito se vê as pessoas sem usar máscara, fazendo aglomerações e isso possibilitou a disseminação do vírus, de forma abrangente”, reiterou.

Atualmente, a região contabiliza uma média de 400 a 500 novos casos positivos por semana, realidade que não foi observada em nenhum outro momento. “O que chama muito a atenção também é a ocupação dos leitos hospitalares, principalmente de UTI. Isso é preocupante, não somente com relação ao sistema público de saúde, mas também, considerando o sistema privado, pois, vai chegar o momento que até mesmo as pessoas que tem um plano de saúde, poderão enfrentar dificuldades de encontrar um leito para se tratar”, frisou Dr. Madalozzo.

Outro dado que chama a atenção é o alto número de casos positivos entre a faixa etária jovem. Nesse sentido, o especialista de Erechim salienta que, uma das poucas coisas que não se modificou do início da pandemia até hoje, é a forma de transmissão. “Inúmeros medicamentos foram estudados e apontados como possíveis suportes nos tratamentos e não se confirmaram como eficientes contra a covid-19. Contudo, o contato interpessoal continua sendo a principal forma de transmitir a doença”, alertou, acrescentando que isso não está sendo cuidado. “Basta andar pelas ruas e observar. Tudo isso, exatamente em um momento que deveria ser totalmente diferente”, destacou.

Em relação às compras nos supermercados, por exemplo, vale ressaltar que, ao passo que é algo essencial, é percebida a falta de cuidados. O médico assinala que no início havia uma colaboração maior por parte da população: “ia só um integrante da família e as crianças não acompanhavam. De uns meses para cá, isso se alterou e sabemos que não há essa necessidade. Do mesmo modo, é importante que as pessoas não fiquem conversando em grupos. É fundamental manter o distanciamento, os espaços arejados e usar sempre a máscara”, reforçou.

Todas essas orientações permanecem desde março, o que mudou foi o comportamento da população. “Parece que muitas pessoas perderam o medo. Contudo, o cenário assusta. Há muitas com a doença, outras internadas e óbitos. A impressão é que essa segunda onda está ainda mais agressiva em alguns pontos e a dica essencial agora é: se cuidar. Se fizermos a nossa parte, estaremos protegendo a coletividade”, enfatizou.

Melhorar a postura para evitar complicações

De acordo com o infectologista, os remédios que, num primeiro momento, ajudariam, não tiveram comprovação científica e, mesmo assim, está sendo usado.

“Os maiores órgãos que envolvem as classes médicas, como a Sociedade Brasileira de Infectologia, de Pneumologia, e entidades do exterior, não recomendam o uso dessas medicações, com base nessa falta de comprovações. Contudo, não há proibição e, se o médico e o paciente decidirem, em comum acordo, usar itens como Azitromicina, Ivermectina, Cloroquina ou Remdesivir - que também é muito discutido se tem efeito ou não – isso pode ser feito”, esclareceu.

Conforme Dr. Madalozzo, se não houver uma mudança de comportamento, estaremos dentro de um hospital ou em outra cidade, pois pode não haver mais leito na localidade de origem. Da mesma forma, se houver a conhecida “correria” de Natal, poderá ser registrado um reflexo expressivo em um futuro próximo.

Expectativas para a vacina

Para o especialista, a expectativa para a chegada da vacina é o período que compreende o fim do primeiro trimestre do próximo ano, ou seja, a partir de março ou abril de 2021, para determinadas camadas da população. “Acredito que, no momento que surgir uma vacina e seja comprovada a eficácia, sendo liberada pelos órgãos responsáveis, como a Anvisa, serão observados essencialmente questões como a eficácia e a segurança, sendo estes, os pilares de qualquer vacina. O órgão conta com profissionais muito eficientes que não iriam deixar ocorrer uma vacinação em massa se não houvesse um alto nível de segurança no medicamento”, salienta.

 

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