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Saúde

Prática de exercícios diminui expressivamente e saúde emite sinal de alerta

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Exercícios físicos são fundamentais e podem auxiliar a saúde física e emocional
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Não há dúvidas de que a pandemia trouxe reflexos expressivos à rotina e à saúde da maioria da população. Além de muitas recomendações sobre medidas sanitárias que podem fazer a diferença na prevenção do contágio pelo novo coronavírus, foi preciso adequar o dia a dia às mudanças na forma de trabalho e de outras práticas que, em muitos casos, integravam o cotidiano.

No que se refere aos exercícios físicos, é preciso redobrar a atenção e, quando o público específico é o jovem, vale reforçar que é fundamental mais motivação. Isso porque, segundo uma pesquisa coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre a pandemia de covid-19, jovens brasileiros relataram mudanças de rotina, alterações de humor, piora na saúde e adoção de hábitos alimentares não saudáveis.

Questões sobre sedentarismo também constam do estudo. O percentual de jovens que não faz 60 minutos de atividade física em nenhum dia da semana foi de 43,4%. Antes da pandemia, o índice era de 20,9%. Os pesquisadores chamam a atenção para esta mudança, uma vez que jovens costumam praticar esportes, aulas de dança e outras atividades.

O tempo de uso de equipamentos eletrônicos como computador, tablet e celular aumentou. Entre os adolescentes de 16 e 17 anos, 77% afirmaram ficar em frente a esses aparelhos mais de quatro horas por dia, sem contar o período em que eventualmente estão tendo aulas on-line.

O consumo de alimentos não saudáveis em dois dias ou mais por semana aumentou. Pratos congelados, chocolates e doces estão sendo 4% mais consumidos. De acordo com a pesquisa, 36% dos adolescentes entre 12 e 17 anos relataram queda na qualidade do sono durante a pandemia.

A todo foram entrevistados 9.470 jovens de todo o Brasil na faixa de 12 a 17 anos. Os questionários foram respondidos de forma on-line entre junho e setembro, e os resultados foram divulgados na terça-feira (1º).

OMS publica novas diretrizes

Recentemente a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou as novas diretrizes globais sobre atividade física. No documento, é reforçada a importância do exercício físico para a saúde. A última publicação, em 2010, era de alcançar “pelo menos” 150 minutos de atividade física moderada ou 75 minutos de exercício de alta densidade por semana. As novas diretrizes da entidade são: 300 minutos – até uma hora de exercícios por cinco dias ou 40 minutos por sete dias – ou 150 minutos de atividade física intensa por semana, quando não tiver contraindicação.

Cenário de alerta

No mês de agosto, a reportagem do Bom Dia publicou uma reportagem sobre o estudo ‘Prospective Study of Mental and Physical Health’ (Pampa), desenvolvido em âmbito estadual por pesquisadores da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas. O objetivo foi observar o impacto da pandemia e das medidas de isolamento social, considerando fatores da saúde física e mental.

Um dos dados que mais chamou a atenção nos resultados foi a redução expressiva da prática de atividades físicas, em torno de 20%.

Passados três meses da última conversa, o professor e integrante do trabalho, Eduardo Caputo, destaca que na terça-feira (1º) foi iniciada a segunda fase do estudo Pampa, por meio de contato com as pessoas que haviam participado da primeira etapa. “Percebemos que esse é um momento ainda mais complicado, pois anteriormente houve uma flexibilização das atividades no País e, agora, muitas regiões estão com horários diferenciados no funcionamento dos serviços. Em paralelo, tem sido observada uma diminuição importante da prática de atividades físicas”, afirma.

O cenário preocupa em todos os sentidos, tanto ao que se refere à saúde física como mental. A Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE) já determinou que a prática regular de exercícios físicos está associada a uma melhora da função imunológica em seres humanos.

O professor assinala que um estudo da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) já apontou Porto Alegre, por exemplo, como uma das capitais mais inativas do País. “Sabemos que há vários fatores que atuam como “barreiras”. No RS, uma delas é o próprio frio”, pontua.

Saúde mental

Os impactos podem ser observados, também, na saúde mental. “O Estado é líder em casos de depressão. Muito por causa da insegurança, pois não sabemos o que irá acontecer. Estamos nessa “segunda onda” da pandemia e as pessoas precisam ficar mais em casa; algumas partes da cidade vão fechar ou alguns espaços públicos serão inviabilizados. Isso poderá aumentar esses problemas de sedentarismo. Se considerarmos o RS, o verão era a estação em que as pessoas mais saíam. O pico das academias, por exemplo, geralmente ocorria por volta de setembro, outubro. Agora, muitas pessoas ou tem medo de ir à esses espaços ou estão fazendo atividade em casa, se tem condições”, avalia, citando que nem todo mundo tem esse acesso.

O sono é uma variável importante, considerando que, quanto melhor a qualidade, melhor será o bem estar das pessoas. “Muitas vezes é considerado apenas o tempo, mas a qualidade é muito importante e pode auxiliar no controle da depressão e ansiedade”, salienta o pesquisador.

‘Cada minuto conta’

Sobre a nova recomendação da OMS, professor Eduardo comenta que nem sempre é algo fácil, pois as pessoas tem uma rotina agitada, com muitos compromissos e outras tarefas de casa. “No lar muitas vezes falta estrutura, tempo, algumas pessoas consideram que a televisão acaba sendo mais atrativa, enfim, mas esse equilíbrio entre a prática de exercícios e a alimentação saudável, é muito favorável para nossa saúde”, ressalta.

O slogan da OMS é: ‘Cada minuto conta’, fazendo menção de que é fundamental “se mexer”, independentemente do tempo. Como dicas, o professor alerta que, se possível, deve ser evitada a locomoção de carro, priorizados os percursos à pé, de bicicleta e as brincadeiras com os filhos mesmo dentro de casa ou no pátio. Qualquer movimento pode ajudar”, reitera. 

No caso dos pacientes que se recuperaram da covid-19, alguns cuidados devem ser observados e o retorno aos exercícios deve acontecer de forma gradual, conforme liberação médica.

 

 

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