Na manhã desta quarta-feira (2), o Comitê Regional de Atenção ao Coronavírus da Amau, realizou uma reunião por videoconferência, com membros dos hospitais que têm assento no colegiado, para avaliar a situação da Atenção Terciária, nesse momento em que a pandemia vem se agravando e as taxas de ocupação estão em patamares elevados.
Participaram do encontro on-line, representantes da Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim (FHSTE), Hospital de Caridade de Erechim (HCE), Hospital Unimed Erechim, Centro Hospitalar Santa Mônica e Hospinorte – Associação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Norte/RS e 11ª Coordenadoria Regional de Saúde.
A Região 16 possui 14 hospitais, sendo que apenas dois possuem leitos de UTI, (FHSTE e HCE), e vários hospitais com leitos clínicos habilitados para assistência terciária da covid-19.
Atualmente a região possui 23 leitos de UTI e 41 leitos clínicos dispostos nos dois hospitais que possuem Alas covid (FHSTE/HCE) e mais 100 leitos clínicos nos hospitais regionais de Aratiba (17), Campinas do Sul (15), Erval Grande (06), Estação (05), Gaurama (06), Getúlio Vargas (17), Marcelino Ramos (08) e Viadutos (08) e Nonoai (18).
Na oportunidade os representantes do HCE apresentaram o Plano de Contingência B que foi implantado pela instituição de saúde, onde ocorreu a ampliação das estruturas físicas e de recursos humanos, passando de oito para 10 leitos de UTI, e 19 para 25 leitos clínicos.
Por sua vez a FHSTE expressou que já houve um plano de expansão com o aumento de leitos de UTI e que pode chegar a sua capacidade máxima com a implantação de mais seis leitos, totalizando 21, porém encontra entraves com relação a recursos humanos e equipe técnica para atuar na linha de frente.
Na oportunidade, ficou deliberado, caso haja necessidade pela evolução do cenário pandêmico, a utilização de leitos clínicos da região, em especial dos hospitais que estão mais próximos do município sede e que possuem leitos de UTI, como retaguarda técnica indispensável para a assistência de casos mais agravados.
Ações e estratégias
Após amplo debate, foram comentadas algumas ações e estratégias de enfrentamento, como fortalecimentos de todas as iniciativas de sensibilização e conscientização da população local e regional; levantamento do número de profissionais de saúde que contraíram a enfermidade em decorrência da atuação junto aos serviços de saúde; realização de uma campanha sobre a importância do uso da máscara de proteção individual e outras medidas recomendadas; realização de uma capacitação regional para atualizar e aprimorar os conhecimentos e a abordagem dos pacientes portadores de covid-19 que necessitam de atendimento hospitalar, numa estratégia futura de expansão dos serviços de saúde. Durante a reunião também foi debatido sobre ações que possibilitem a criação de grupos de apoio emocional aos profissionais que estão na linha de frente e em sobrecarga desde meados de março.
Preocupação
Todos os profissionais reiteraram que há uma sobrecarga do sistema de saúde, tanto do ponto de vista de estruturas físicas como de recursos humanos, inclusive com a dificuldade de reposição dos profissionais, considerando que muitos contraíram a covid-19. É essencial que diminua-se a velocidade de disseminação do vírus, para que o cenário não seja ainda mais sombrio.
Para Jackson Arpini, integrante do comitê regional, a reunião foi muito produtiva, com participação efetiva de todos e com sugestões e proposições para minimizar os indicadores negativos. “Precisamos estar unidos nesse momento crítico. Os casos continuam aumentando, as taxas de ocupação dos leitos hospitalares estão elevadas, óbitos estão surgindo e o sistema de saúde caminha para uma saturação, caso não ocorra mudanças de comportamento por parte da sociedade”, enfatizou.