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Saúde

Oito meses de pandemia: “Atingimos aquilo que parecia impossível”

Afirmação é do membro do Comitê da Amau, Jackson Arpini, diante de uma semana que encerra com nova indicação de bandeira vermelha e 1.081 casos ativos na região

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Por Izabel Seehaber

Erechim e todo o estado do Rio Grande do Sul passam pelo momento mais crítico da pandemia do novo coronavírus. Com o número de pacientes internados em leitos clínicos e em UTIs atingindo o pico da série histórica, o mapa preliminar da 30ª semana do Distanciamento Controlado, divulgado a pouco, traz, pela primeira vez, todas as 21 regiões Covid em bandeira vermelha (risco epidemiológico alto).

Segundo o Governo do Estado, pela primeira vez, Erechim e outras duas regiões (Bagé e Uruguaiana) tiveram média ponderada que as aproximou da classificação final em bandeira preta. Além da situação piorar em toda a macrorregião Norte, Erechim foi a única que alcançou classificação de risco máximo nos quatro indicadores regionais.

Cenário mais crítico

O Comitê Regional de Atenção ao Coronavírus da Associação de Municípios do Alto Uruguai (Amau) tem monitorado, entre outros indicadores, o número de casos ativos da Região 16, que compreende 34 municípios e, aproximadamente, 240 mil habitantes, desde meados de março quando surgiu a primeira confirmação de covid-19. 

De acordo com a equipe técnica, foi verificado que, após oito meses da pandemia em âmbito regional, o cenário se alterou e, infelizmente, para um patamar preocupante e de alerta. Na sexta-feira (27), a R16 atingiu o expressivo número de mais de 1.081 casos ativos. “A curva de casos altivos mudou seu contorno. Em 22/07 a região atingiu o que seria, na época, o pico de 543 casos ativos. Em 14/10 a R16 obteve seu melhor cenário, com, apenas, 48 casos ativos. De lá para cá verificamos um aumento de casos ativos a cada levantamento, chegando ao impressionante indicador de 1.081 casos na R16”, pontua Jackson Arpini, que acrescenta: “o comportamento da sociedade reflete diretamente nos indicadores da covid. Se estamos constatando esse aumento podemos concluir que o comportamento não é satisfatório”.

Do mesmo modo, o secretário de Saúde, Dércio Nonemacher, reitera que cada ação depende da nova situação e tudo passa pelos hospitais. “O momento é de se cuidar, evitar aglomerações e suspender possíveis encontros e sair às ruas somente se for estritamente necessário. A vida não tem preço vamos preservá-la”, reforça.

Avaliação

Em observação ao gráfico, foi constatado que no período avaliado de 14/10 a 27/11 (45 dias), os números só aumentam. “Temos que reverter esse cenário, pois, os reflexos dos casos ativos são a elevação das taxas de ocupação de leitos hospitalares, sejam clínicos e de UTI, e aumento na taxa de letalidade”, declara Arpini. 

Os indicadores, gráficos e levantamentos já verificaram os primeiros impactos, haja visto que as taxas de ocupação estão acima de 73% para UTI e 68% para clínicos. Na sequência, infelizmente, deve ocorrer uma elevação da taxa de letalidade e nossos radares já estão captando essa movimentação. “Precisamos agir, porque atingimos aquilo que parecia impossível para a nossa R16”, reitera o integrante do Comitê Regional.

Nota técnica do Estado

A avaliação da equipe técnica do Governo do Estado sinalizou que os registros de hospitalizações confirmadas para covid-19 registradas nos últimos sete dias aumentaram 6,2%, passando de 146 para 155 na macrorregião (somando as três regiões Covid).

O indicador relacionado a capacidade de atendimento piorou no comparativo entre as semanas, passando da bandeira vermelha para preta. Com isso, o percentual de pacientes confirmados para covid-19 em leitos de UTI, com relação aos leitos livres, aumentou, atingindo nível de risco muito alto. Enquanto na semana passada havia 1,43 leitos de UTI livres para cada leito de UTI ocupado por paciente covid-19, nesta semana o indicador passou para 0,89.

Com as variações nos números de internados e na velocidade do avanço da doença, dos dois indicadores macrorregionais que mensuram número de pacientes internados em UTI (por SRAG ou Covid-19) e do indicador de internados em leitos clínicos, um obteve bandeira vermelha e os outros dois bandeiras preta. Os indicadores de capacidade de atendimento e de mudança na capacidade de atendimento, mensuradas pela macrorregião, obtiveram bandeira preta e amarela, respectivamente.

Cenário no RS

Na quinta-feira (26/11), o Estado chegou a 1.183 pacientes hospitalizados por conta do coronavírus e a 775 pessoas internadas em leitos de UTI. Com a manutenção do total de leitos e o aumento de 13% nos pacientes confirmados por covid-19 internados em UTI, houve nova redução de leitos livres, chegando ao menor nível desde o início do Distanciamento Controlado: 0,67.

O quadro fez com que o indicador específico que mede a capacidade de atendimento do Estado como um todo recebesse a classificação de risco altíssimo (bandeira preta), cenário que se repete em cinco das macrorregiões (Metropolitana, Serra, Missioneira, Centro-Oeste e Norte).

Houve uma piora em diversos indicadores ao longo da última semana. O número de casos ativos para doença cresceu 13% e ultrapassou a marca de 21 mil pessoas que testaram positivo apenas nesse período.

A situação piorou significativamente no último mês. De 30 de outubro a 26 de novembro, os indicadores apontam elevação de 26% (de 830 para 1.047) no número de hospitalizações confirmadas pela doença e aumento de 30% (de 712 para 928) de internados em UTI por síndrome respiratória aguda grave (SRAG).

Além disso, o número de internados em leitos clínicos com coronavírus cresceu 54% (de 768 para 1.183) e o número de óbitos subiu 31%, de 211 para 276.

 

 

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