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Saúde

Cenário da pandemia: sistema de saúde regional está no limite

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Entrevista coletiva na manhã de hoje (23), na URI
Por Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

Uma entrevista coletiva na manhã de hoje (23), na URI em Erechim, reforçou o alerta quanto aos indicadores regionais no momento atual. Na oportunidade, integrantes do Comitê de Atenção ao Coronavírus da Associação de Municípios do Alto Uruguai (Amau), relataram sobre o cenário desafiador, frisando que é necessário mais conscientização e cuidado por parte da população.

O presidente da Amau e prefeito de Ipiranga do Sul, Mario Ceron, destacou que é preciso cooperação para que se mantenham as atividades por completo e, ao mesmo tempo, não parem os cuidados preventivos.

Casos positivos e internações em ascendência

No dia 14 de outubro foram registrados 48 casos ativos. Porém, após 38 dias, o número passou para 812. “Um incremento significativo, com uma velocidade muito expressiva, que provocou uma mudança abrupta na realidade regional. Há, também, uma sinalização de crescimento para os próximos dias”, alertou Jackson Arpini, citando que no dia 22 de julho havia sido atingido o pico de 543 casos ativos em toda a R16.

Atualmente a taxa de ocupação é de 80,49% para leitos clínicos e 60,87% para UTI (22/11/2020). Em 20/10/2020 esta ocupação era de 8,6% para leitos de UTI e de 9,75% para leitos clínicos. 

Jackson assinalou que, em observação ao período de 27/10 a 11/11, a faixa predominante com maior número de contaminações é a de 20 a 29 anos. Já os pacientes abaixo de 50 anos, correspondem a mais de 50% das contaminações.

Do mesmo modo, o integrante do Comitê, salientou que serão promovidas ações para sensibilizar a comunidade. “Já foram feitas reuniões com membros da Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (Accie), Unimed, Câmara de Dirigentes Lojistas e intensificadas as campanhas nos veículos de comunicação. O momento requer a contribuição de toda a sociedade”, frisou.

Ele também ponderou que não está havendo o seguimento das medidas de proteção, como uso da máscara e álcool em gel e isso leva a uma única situação: mais casos ativos e possíveis internações.

A secretária de Saúde de Jacutinga, Valdirene Foletto, que também integra o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), comentou sobre a situação nos municípios menores, destacando a importância das instituições hospitalares que fornecem suporte nos casos mais graves. “Contudo, a maioria dos casos, são tratados nos próprios municípios. Nos preocupa muito a questão dos profissionais que estão na linha de frente, pois já atuam no limite de suas funções. Além de exercemos as práticas em prol do tratamento, promovemos ações focadas na prevenção. Sendo assim, caso houver a contaminação dessas equipes, não terão outros profissionais para substitui-los e a demanda nos hospitais regionais, irão aumentar”, ressaltou Valdirene, citando que a população começou a relaxar nos seus cuidados. “Pedimos para que continuem suas práticas de higiene e preservem seus familiares”, completou.

Na mesma linha, a médica, Jaqueline Graeff Machry, frisou, em nome da Associação Médica do Alto Uruguai, a importância da atenção à parte humana desse processo. “Os números mostram a situação e, em paralelo a eles, existem profissionais, seres humanos que já estão adoecendo, precisando se afastar do trabalho em razão da covid-19. Ao passo que temos uma saúde de excelência, há de se considerar que tudo tem seu limite. Mais do que nunca é imprescindível o apoio de empresários, comerciantes, dos órgãos públicos, enfim, de toda a sociedade”, reiterou.

Fluxo intenso nos hospitais

Ao expor a situação na Fundação Hospitalar Santa Terezinha, o diretor executivo, Hélio Bianchi, enfatizou que os recursos são finitos e há uma capacidade instalada que não vão aguentar se os números continuarem a crescer.

Atualmente a instituição dispõe de 22 leitos na ala clínica e 15 de UTI para atender a uma população de 250 habitantes. “Vale lembrar que os leitos são do Estado e, por isso, podem receber, ainda, pessoas de outras regiões. O apelo é para que não se chegue aos hospitais e, por isso, devemos continuar a cumprir com nosso papel”, enfatizou.

Até a tarde de hoje, havia oito hospitalizados na UTI e 15 na ala clínica.

O coordenador regional de Saúde, Fábio Fantin, enalteceu que é essencial a união de esforços para que seja possível a superação da pandemia. “Há somente três leitos disponíveis pelo Sistema Único de Saúde no Hospital de Caridade e no Hospital Santa Terezinha também há uma demanda expressiva. Caso houver necessidade, os pacientes poderão ser transferidos para outras regiões”, pontuou.

Em sua fala, o superintendente geral do Hospital de Caridade (HC), Claudiomiro Carus, reforçou que é preciso uma atenção especial a todos os profissionais de saúde. “Quem irá poder cuidar de todos esses pacientes? Já estamos com dificuldades de contratar pessoas. Ao mesmo tempo, é preciso estar preparado tecnicamente e também emocionalmente”, pontuou.

Nesse momento o HC possui uma capacidade de oito leitos de UTI covid e, destes, seis estão ocupados. Na ala clínica há 19 leitos e oito estão ocupados.

O diretor clínico do Hospital Unimed, Elcio Marcos Zanardo, reiterou que há uma intensificação no número de contaminações e atendimentos. “Em muitos casos, os pais, avós e outras pessoas de grupos de risco, estão pagando pela irresponsabilidade dos mais jovens. É fundamental que seja alterada essa postura e os protocolos sejam respeitados”, observou.

Bandeira vermelha e mais fiscalização

Na sexta-feira (20), o governo do Estado indicou, pelo sistema de Distanciamento Controlado, a bandeira vermelha (alto risco de contágio pelo novo coronavírus) para a região de Erechim (34 municípios). Após reuniões durante o fim de semana, os integrantes do Comitê Regional decidiram que a região não tem condições, neste momento, de adotar a cogestão, o que flexibilizaria as normas de funcionamento das atividades.

Sendo assim, a partir de hoje, os municípios que integram a R16, terão que intensificar as medidas preventivas e haverá mais restrições.

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