O 'Outubro Rosa' se torna um importante aliado para ampliar a conscientização sobre cuidados e métodos preventivos ao câncer de mama.
O médico oncologista de Erechim, Pablo Ribeiro, destaca que, cada vez mais as pessoas estão demonstrando preocupação com a própria saúde. “A postura melhorou muito, contudo, é fundamental reforçar as campanhas e chamar a atenção das mulheres e dos homens, pois, mesmo que haja menos casos, a doença também pode acometer as pessoas do sexo masculino”, pontua, citando que o alerta vai para todas as faixas etárias. Contudo, a atenção especial deve ser após os 30 anos, o que não impede que os problemas também possam surgir ainda antes.
Sendo assim, uma medida fundamental é o autoexame, que deve ser feito no mínimo uma vez por mês. “É algo fácil de ser feito, basta tocar na mama, observar se não há ondulação, alterações no mamilo ou na textura. Orientamos, ainda, que deve ser apalpada a região da axila. Se for percebido algo diferente, é imprescindível procurar um médico”, reforça o especialista.
Entre os fatores relacionados ao câncer de mama, está a questão genética e a hormonal. “O próprio anticoncepcional, que sabemos de sua importância, no entanto, após alguns anos, pode contribuir no desenvolvimento da doença”, alerta o médico. O uso de cigarro e outras drogas lícitas e ilícitas também podem aumentar as chances de surgimento do câncer.
Em contraponto, segundo o oncologista, um fator que pode proteger é a amamentação. As mulheres que amamentam tem muito menos chance de ter câncer de mama. Do mesmo modo, a alimentação é outro aspecto que merece atenção.
Conforme o especialista, o chamado ‘fator de risco’, refere-se aos casos de doença na família, principalmente nos parentes de primeiro grau. Nessa situação, os cuidados devem ser ainda mais rígidos.
Tratamento
Dr. Pablo reitera que, atualmente, 95% dos casos, se diagnosticados no início, com tumor menor que 1 centímetro, têm 95% de chances de cura. Ao mesmo tempo, há muitos recursos e métodos que evoluíram no tratamento da doença. “O câncer de mama é o mais estudado em todo o mundo. Tem a possibilidade das cirurgias (em que nem sempre é preciso tirar toda a mama), além de quimioterapias e radioterapias. Sobre os exames, além da mamografia, pode ser solicitada a ultrassom ou uma ressonância da mama que fornecem informações específicas. Por isso, a orientação básica é: pelo menos uma vez por ano, consulte o seu médico”, completa.
No que se refere às possibilidades de tratamento, elas dependem de cada caso, considerando que existem vários tipos de câncer de mama e alguns respondem melhor à quimioterapia ou à radioterapia. “A partir da idade, das condições de saúde da paciente, entre outros aspectos, é decidido qual o tratamento mais adequado”, acrescenta o médico.
O oncologista salienta que, com o câncer de mama, uma pessoa pode ficar com a imunidade mais baixa e há situações em que é preciso interromper o tratamento. Também pode ser registrada a queda de cabelo, possibilidade de problemas renais e anemia. Em paralelo, ele destaca que muitas medicações evoluíram com o passar do tempo. A exemplo estão os remédios contra vômito, diarreia e também para amenizar as dores. “É fundamental oferecer qualidade de vida às pacientes”, ressalta.
Reincidência
Sobre a reincidência do tumor, Dr. Pablo cita que pode acontecer e até o tipo pode ser diferente. “Mesmo com essa possibilidade, a sobrevida das pacientes pode ser longa, ainda que, com metástases. Não falamos em cura, mas em uma qualidade de vida muito melhor”, frisa, comentando que, após o tratamento concluído, assim como em outras situações, é necessário seguir diversos cuidados para manter o bem-estar.
Avanços na área
A medicina evolui constantemente e no campo da Oncologia, especialmente, há muitas pesquisas sendo desenvolvidas em todo o mundo. No Brasil, inclusive nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, são produzidas até medicações para diferentes tipos de câncer. “Isso porque o Brasil possui diversos oncologistas que são referência em todo o mundo. Depois dos Estados Unidos, Canadá, está o Brasil”, declara.
Dica do especialista
“Todo paciente deve procurar um especialista e essa preocupação deve se estender por todo o ano, não somente em outubro. Ao mesmo tempo, é fundamental fazer exames, mesmo nesse período da pandemia, pois os hospitais e clínicas preconizam todas as medidas e protocolos de segurança. Os tratamentos também devem ser prosseguidos e a escolha por hábitos alimentares saudáveis, pode fazer toda a diferença”, orienta.