A primavera começou e, com o colorido das paisagens originadas pelas flores, muitas pessoas precisam conviver com os incômodos das alergias. Isso porque o pólen suspenso no ar, mesmo que não seja perceptível, pode desencadear diversos processos alérgicos, especialmente nas pessoas mais sensíveis.
O médico oftalmologista de Erechim, André H. Agnoletto, explica que há alguns tipos de alergia que afetam os olhos, sendo que algumas são sazonais (ocorrem mais em determinados períodos do ano, como por exemplo na primavera e parte do verão, por haver mais pólen), contudo, há alergias que duram o ano todo (perenes). “Nesse caso, um dos aspectos que deve ser levado em conta é a faixa etária, pois têm uma incidência maior em pessoas acima de 50 anos. Já as sazonais independem da idade”, comenta o especialista.
Entre os sintomas das alergias perenes está a coceira forte nos olhos, além de irritação (olho não fica vermelho) e desconforto. “Isso pode estar relacionado, ainda, ao esmalte, poeira, maquiagem, entre outros aspectos. No caso das sazonais, o olho fica mais avermelhado, gera coceira e, as vezes, secreção parecida com a conjuntivite viral. Esse tipo é bastante comum entre crianças na faixa de seis a 12 anos, principalmente meninos. Há situações em que, no momento em que acordam, as crianças estão com os olhos “grudados”, com secreção amarelada, e é preciso passar água ou um soro para limpar”, relata Dr. André.
Segundo o oftalmologista, a orientação aos pais é que, ao perceberem esse tipo de situação, levem o filho ao consultório, pois, as vezes é uma alergia subclínica que pode passar despercebida e o ato de coçar muito o olho pode exacerbar outro problema futuro. “No início da primavera, muitas pessoas acabam não tendo muita atenção, acham até normal, porém, se for algo contínuo, pode alterar a superfície da córnea a ponto de gerar uma lesão. Nesse sentido, vale mencionar que o ceratocone também pode estar relacionado com as alergias”, exemplifica.
Por isso, fica o alerta: alergias, quando não tratadas, podem causar complicações. “Algumas pessoas esperam muito para procurar um especialista. Às vezes chegam no consultório e reclamam que estão há dois anos, por exemplo, com algum incômodo no olho. É necessário cuidado pois, algo aparentemente simples, pode se tornar uma úlcera de córnea ou uma perfuração”, pontua.
Do mesmo modo, o médico salienta que algumas pessoas estão mais suscetíveis a desenvolver alergias - rinite, alguns quadros de problemas de pele, entre outras situações - tendo relação com a história familiar.
Atenção às crianças
Na infância, tais sintomas requerem ainda mais zelo, pois é a fase de desenvolvimento da visão e dos aspectos neurológicos. “As crianças não têm a capacidade de julgar que precisam de uma consulta. Por isso, os pais devem ficar ainda mais atentos”, enfatiza.
Tratamento
Os tratamentos costumam ser simples para a maioria das pessoas, sendo que são feitos à base de colírios. “Há medicamentos que a posologia indica apenas uma gota por dia”, cita.
Dicas para evitar alergias
* Aos pacientes que têm rinite alérgica e sabem que nessa época do ano podem ter mais coceira no olho, no nariz e espirros, em primeiro lugar é indicada uma consulta com um otorrinolaringologista para tratar a doença de base, a rinite;
* Se ainda tiver coceira no olho, é preciso procurar um oftalmologista, pois há situações que merecem acompanhamentos distintos. Contudo, é comum que após iniciar um tratamento, já haja diminuição expressiva de todos os sintomas;
* As pessoas que usam lente de contato, necessitam de um cuidado especial, pois, como é um material que fica em contato direto com a córnea, se torna um alérgeno potencial. Então, quem já possui algum tipo de alergia e usa lente, deve redobrar a atenção com o tratamento. Caso contrário, há risco de perder a sensibilidade da córnea ao não perceber que há uma alergia subclínica.