O Grupo Bom Dia prossegue seu projeto em que, toda quarta-feira, transmite uma live focada no campo da saúde. A cada semana, profissionais de diferentes especialidades, debatem sobre assuntos variados e sempre pertinentes, especialmente nesse período da pandemia.
No programa mais recente, o tema foi saúde mental e teve a participação do psiquiatra, Diego Mincarone Dexheimer e da psicóloga clínica e organizacional, Sandra Munero. Em conversa com o repórter Rodrigo Finardi, os especialistas comentaram que as questões relacionadas ao cuidado da mente são contínuas, permanecem durante todo o ano, mas tem no mês de setembro um destaque mais expressivo, por meio de campanhas e divulgação de informações.
O que observar no momento da ajuda
A psicóloga relatou que o sofrimento de uma pessoa muitas vezes por vir “mascarado” e nem sempre aponta sintomas específicos. “No entanto, vale observar alguns aspectos como: isolamento e desinteresse pela vida, mudança brusca em alguns comportamentos, como: alterações na alimentação, na utilização das redes sociais, entre outros sinais de que algo não está bem”, pontuou Sandra.
Não quer falar sobre o assunto. O que fazer?
O psiquiatra salientou que, muitas vezes as pessoas não admitem algum tipo de problema no que se refere a questão mental, contudo, expressam por meio de outras falas, que precisam de ajuda. “Isso é algo muito preocupante, pois nem sempre é a questão de não querer falar sobre o assunto, mas ocorre até mesmo a falta de clareza de que isso pode ser uma doença e que há tratamento, seja psicológico ou médico”, explicou.
Nesse contexto, as pessoas que estão no entorno têm um papel essencial, desde incentivar e possibilitar uma abertura para conversa, até insistir que essa pessoa busque uma ajuda. “Faz parte do tratamento que haja uma motivação pessoal importante. Contudo, em muitos casos, faz parte da doença não haver essa motivação”, ponderou, citando que sentimentos como: medo, um pouco de ansiedade e expectativa, são normais. Todavia, se houver um sofrimento muito intenso e por um período mais longo do que seria razoável, é algo que requer um acompanhamento prolongado de avaliação até o tratamento”, orientou Diego.
Conforme Sandra, os casos de depressão e ansiedade tem aumentado muito durante a pandemia. “Por ser algo com essa dimensão, que nunca havíamos vivenciado e está demorando para passar, pode gerar muito desequilíbrio emocional. Do mesmo modo, as pessoas que enfrentaram a covid-19, merecem uma atenção nesse quesito para poderem se recuperar do trauma vivenciado”, alertou.
Ser compreensivo e não julgar
A psicóloga reforça o alerta sobre o cuidado e tratamento de doenças psíquicas para evitar complicações e até mesmo situações extremas como o suicídio. Em relação à importância da atenção das pessoas que estão por perto à quem está enfrentando uma doença da mente, é importante, ainda, ser compreensivo, não julgar e estar atento às mudanças bruscas de comportamento. “Expressões como ‘isso já vai passar’ e ‘já passei por uma situação mais complicada que a sua’, não agregam à pessoa e podem gerar mais situações de culpa”, ressaltou Sandra.
Nesse contexto é importante, também, uma atenção aos jovens e também aos idosos. “Toda prevenção passa por informação”, acrescentou.
Adolescência e a Internet
Na opinião do psiquiatra, a Internet veio como um divisor na história da humanidade. “Considerando tudo de fantástico e de prejudicial que esse suporte pode oferecer, os avanços tecnológicos nos últimos 10, 15 anos, se tornaram algo impressionante, sem precedentes. No caso dos adolescentes, considerando a fase de desenvolvimento, é algo muito delicado quando o foco é a saúde mental. Esse acesso a muitos conteúdos, exige bastante cuidado, pois trata-se de um período em que há muitas exigências, a auto aceitação pode estar limitada - em determinados momentos, e se torna desafiador para os pais, também. Por isso, é preciso falar sobre a saúde e bem-estar mental, dar suporte e acesso ao cuidado”, destaca.
Equilíbrio e reforço no cuidado
Ao fim da entrevista, os profissionais concederam algumas dicas que podem auxiliar na qualidade da saúde mental. “Acredito que devamos cuidar mais de si, valorizar a vida, o que temos, gostar das pessoas de verdade, fazer coisas que tenham sentido para a vida, respeitar nossas limitações, admitir quando temos alguma dificuldade e não ter receio de pedir ajuda. Sempre teremos alguém para nos estender a mão, desde que estejamos dispostos a fazer o mesmo movimento e se permitir ser ajudado”, reitera Diego.
Ao mesmo tempo, a psicóloga reforça que é essencial mantermos o equilíbrio entre os aspectos emocionais, físicos e a espiritualidade, para ficarmos menos propensos às doenças de qualquer natureza.