21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Saúde

Transplantes: procedimentos diminuem e trabalho de conscientização se amplia

teste
Instituto de Olhos.jpg
Fábio Vaccaro
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

O mês de setembro, especialmente esse domingo, 27, é voltado às ações de conscientização sobre a importância da doação de órgãos. O assunto, que diverge opiniões, merece cada vez mais oportunidades de debate e reflexão, pois o transplante de órgãos pode ser única esperança de vida ou a chance de um recomeço para muitas pessoas. Para ser um doador, é fundamental conversar com a família sobre isso e deixar claro que ela deve autorizar o procedimento.

O oftalmologista e diretor do Instituto de Olhos Santa Luzia de Erechim, Fábio Vaccaro, comenta que, para que seja possível a doação, é preciso ser registrada a morte encefálica do paciente. Já no caso das córneas, a situação é diferenciada, sendo que o paciente pode estar sem os batimentos cardíacos e até 10 horas depois ainda é possível fazer a retirada.

Fábio pontua que ainda há muita resistência na doação, sendo que é uma decisão que cabe à família. Entre os motivos que envolvem a negação está: a religião; o fato de manter a integridade do corpo; a não compreensão sobre a morte encefálica; em razão da demora na entrega do corpo e por desconhecimento sobre a doação ou não saber da vontade de doar por parte do familiar. “Compreendemos que é um momento delicado e doloroso para os familiares, porém, é importante refletir sobre esse gesto, que é nobre e pode salvar muitas vidas (no caso de coração, pulmão, fígado, entre muitos outros órgãos) e reestabelecer a visão no caso dos pacientes oculares. É um ato de generosidade com o próximo”, reitera o especialista, citando que há todo um protocolo a ser seguido, o que torna os procedimentos de transplante, muito seguros.

Indicações

Conforme o especialista de Erechim, muitas pessoas acreditam que o transplante de córnea irá resolver todos os problemas do olho, mas não é bem assim. O transplante se refere especificamente às doenças na córnea. As principais são: trauma (machucado ou corte); doença que muda o formato da córnea (ceratocone) ou doenças que fazem a córnea perder a transparência (uma delas é a distrofia endotelial, um problema pela qual a córnea fica mais fraca com o avançar da idade).

Procedimentos

Quando acontece uma doação de córnea, é encaminhada para uma Central de Recepção, momento em que é feita uma análise e avaliação para verificar se está íntegra e preenche todos os critérios.

Ao mesmo tempo, acontece a disponibilização em uma lista única no Rio Grande do Sul.

“Se um paciente consulta em Erechim, por exemplo, e necessita de um transplante, o nome dele é informado para a Central Única de Transplantes, que dispõe de uma lista com pacientes de todo o Estado”, esclarece o especialista, acrescentando que, se for um procedimento de córneas, a equipe médica tem até sete dias para fazer o transplante. “A cirurgia é tranquila, porém, tem riscos como qualquer outra, tais como a infecção. No caso da córnea, o risco de rejeição é muito menor que todos os outros tecidos do corpo. Após o procedimento, é necessário apenas cuidados gerais e uso de colírios”, salienta.

Baixa de captações

Em razão da pandemia do novo coronavírus está ocorrendo uma baixa captação de órgãos, pois estão sendo adotados protocolos ainda mais rígidos. Por consequência, há uma queda expressiva nos transplantes. O Rio Grande do Sul estava com uma lista muito baixa de pessoas na fila para transplante. Desde março, os procedimentos diminuíram muito no Estado. “Diante de qualquer suspeita de covid-19 não é feita a captação. Em 2019 foram realizados no RS, 726 transplantes de córneas. Nesse ano, até o momento, foram 180. Isso é muito preocupante, porém, nessa fase da pandemia não tem como ser diferente. É necessário evitar complicações em razão da covid-19. Se antes eu estava com cerca de 20 pacientes na lista de espera, agora esse número passou para aproximadamente 80”, pontuou.

Estrutura especial

Dr. Fábio Vaccaro realiza cirurgias na Fundação Hospitalar Santa Terezinha (SUS) e no Instituto de Olhos Santa Luzia (sistema particular ou convênio). As duas entidades são as únicas cadastradas a fazer transplantes de córnea na cidade. “A cirurgia é ambulatorial, com anestesia somente no olho e, após o procedimento (em torno de 30 a 40 minutos), é possível ir para a casa. Mesmo que a cirurgia não seja demorada, a recuperação leva quase um ano até o paciente ter a visão restabelecida. Ele também terá que usar um óculos ou uma lente de contato para chegar a uma visão ideal”, explica o médico, pontuando que a clínica dispõe de uma estrutura especial, com equipamentos modernos para o procedimento.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;