Com o intuito de ampliar o debate sobre o impacto que o novo coronavírus traz à comunidade de Erechim e região, o Bom Dia promove uma série de entrevistas ao vivo. Nas quartas-feiras, o espaço conta com o apoio da Unimed Erechim e do Instituto Unimed.
Ontem (2) o bate-papo conduzido pelo repórter Rodrigo Finardi, contou com a participação do cirurgião-geral e bariátrico, Flávio Augusto Girardello, da endocrinologista, Alessandra Nodari Giollo e da nutricionista e professora, Vivian Polachini Skzypek Zanardo. O tema central foi: “Riscos de obesidade em tempos de pandemia”.
Confira as principais considerações dos especialistas:
Bons hábitos refletem em saúde
Durante a transmissão ao vivo, a endocrinologista, Alessandra Nodari Giollo, esclareceu que, como na obesidade o paciente já tem uma inflamação crônica, isso intensifica muito o risco de doenças cardiovasculares, diabetes, além de questões relacionadas ao aumento do colesterol ruim, triglicerídeos, gordura no fígado, que, ao longo do tempo, podem provocar sérias complicações, como a cirrose e, também, doenças osteoarticulares, tanto pelo próprio peso, mas também por esse estado de inflamação, que ampliam as chances de dores nas articulações. “Vários fatores podem levar à obesidade, sendo que há pessoas com maior pré disposição genética para ganho de peso. Contudo, os hábitos de vida não saudáveis é que trazem complicações. São eles: sedentarismo (a falta de exercícios pode levar a outras disfunções metabólicas, que predispõe ainda mais o ganho de peso); além disso, o consumo exagerado de alimentos ultraprocessados; ansiedade; depressão e compulsão alimentar”, pontuou, reforçando que a prática de atividades físicas pode acelerar o metabolismo, aumentando a massa magra e diminuindo a quantidade de gordura corporal.
Alessandra comentou que há um aumento expressivo de casos de obesidade na adolescência, em crianças, além de problemas como a diabetes. “O isolamento social está contribuindo para os hábitos não saudáveis, e por consequência, ao ganho de peso e outras complicações”, afirmou.
Alerta
O cirurgião Flávio Augusto Girardello assinalou que um dos principais riscos de complicações a partir da covid-19 é a obesidade. “O paciente obeso tem um processo inflamatório sistêmico devido a própria condição dele. Por isso, ele tem maior probabilidade de desenvolver outros problemas que podem ou não estar relacionados ao novo coronavírus e, também, outras doenças como diabetes, hipertensão, doença vascular cerebral, câncer, entre outras”, pontuou.
Girardello citou um estudo francês apresentado recentemente, em que foram considerados 8.286 pacientes obesos internados com covid-19. Desse grupo, 541 pessoas foram operadas no período pré-pandemia. Na avaliação, os que não passaram por cirurgia, tiveram 15% de necessidade de uso de ventilação e um índice de óbito que ficou em 14,2%.
Já nos pacientes que haviam operado, a necessidade de ventilação foi de 7% e o percentual de óbitos reduziu para 3,5%. “Isso é muito expressivo. Observamos muitas vezes, pacientes jovens que podem perder a vida em razão de complicações pelo novo coronavírus aliado a obesidade”, comentou.
Cirurgia bariátrica
Segundo o especialista, hoje, no Brasil, 50% da população está com sobrepeso e em torno de 20%, com obesidade, com algumas variações regionais. “Nesse sentido, vale destacar que nem todas as pessoas com indicação para cirurgia, estão seguindo as orientações, por vários fatores, entre eles, o custo, dificuldades de acesso pelo SUS ou convênio, e até em razão do próprio medo”, esclareceu.
O cirurgião explicou, ainda, que os critérios de indicação da cirurgia, definidos pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, levam em conta diversos aspectos, sendo o principal, o índice de massa corporal (IMC), principalmente se estiver acima de 40 (obesidade mórbida).
Além disso, o paciente precisa estar com obesidade há mais de cinco anos; ter registrado insucesso de dietas e exercícios no período de dois anos; idade entre 18 e 65 anos e deve estar esclarecido sobre o procedimento. “Há, também, indicação de cirurgia antes dos 18 anos e depois dos 65 anos. Se o paciente tiver IMC abaixo de 40, mas com problemas de hipertensão, triglicerídeos, doença cardiovascular, pode haver essa orientação”, acrescentou.
Girardello afirmou que a cirurgia bariátrica tem o estigma de ser algo somente estético, mas isso não é verdade. “O paciente que recebe essa indicação é um paciente doente e que precisa de tratamento”, declarou.
Nutrição
A nutricionista, Vivian Polachini Skzypek Zanardo, frisou que vários fatores estão relacionados a obesidade, incluindo hábitos simples do dia a dia, como excesso no consumo de alimentos calóricos, ultraprocessados, redução de atividade física, stress e alterações do sono. Além disso, o tabagismo, a menopausa, o ganho de peso durante a gestação e fatores genéticos, também integram a relação de problemas que pode favorecer o ganho de peso. “Há diversos parâmetros que podem ser considerados ao ser realizada a avaliação nutricional, desde o percentual de gordura, a circunferência abdominal aumentada, a circunferência do braço e também o IMC”, salientou.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, é considerado um paciente eutrófico (peso adequado) quem apresentar um IMC entre 18.5 a 24.9. A partir disso, maior ou igual a 25, já caracteriza o paciente como em excesso de peso. De 25 a 29, é uma faixa de pré-obesidade. Já se estiver igual ou maior a 30, já pode ser identificado em obesidade grau 1, grau 2 e grau 3.
Vivian reiterou que a obesidade vai muito além da questão estética e deve levar em conta a preocupação com as doenças crônicas. “Por isso, é mais uma meta que devemos inserir no nosso dia a dia: a mudança do estilo de vida para adequar o peso pela saúde e longevidade”.
Para isso, os cuidados devem iniciar ainda na infância e permanecer durante todo o ano, com mudanças progressivas. “Entre as dicas está a observação da quantidade e qualidade de alimentos, a opção por por receitas mais saudáveis, redução dos açúcares e do sal”, orientou, acrescentando que: “O segredo é o equilíbrio e fazer da refeição um momento tranquilo”.
A nutricionista alertou que toda sociedade deve redobrar a atenção quanto às fake news e procurar profissionais para tirar dúvidas e se informar da melhor forma possível.