Ao necessitar de atendimento em razão do novo coronavírus, os pacientes que ficam hospitalizados têm diversos desafios para superar. Em meio ao acompanhamento médico, de profissionais da equipe de enfermagem, eles contam com o suporte de outra categoria da saúde na chamada linha de frente, a Fisioterapia. Isso porque a maioria dos pacientes com covid-19, que precisa ficar hospitalizada, apresenta disfunção respiratória (falta de ar, cansaço físico) e, por isso, em muitos casos, acaba precisando de suporte respiratório, seja de forma não invasiva ou até mesmo por meio de uma atenção mais especializada na UTI.
Para entender um pouco mais sobre o trabalho desenvolvido na Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim, a reportagem do Bom Dia conversou com a fisioterapeuta intensivista e responsável técnica, Iascara Kirst. Segundo ela, ao todo são sete profissionais que atuam na instituição.
No que se refere à definição das técnicas que serão utilizadas, Iascara explica que tudo depende do estado clínico do paciente. “É nesse instante que o fisioterapeuta entra em ação. Para os pacientes que estão na ala clínica, no primeiro momento a atuação é basicamente no manejo da parte respiratória, tanto na oxigenoterapia como na parte específica na fisioterapia, focando na reabilitação. Alguns pacientes apresentam acúmulo de secreção pela carga viral e o profissional pode ajudar nisso também”, pontua.
Os pacientes que estão na Ala Covid, ficam restritos ao leito e não podem sair nos corredores ou outros espaços para caminhar. Por isso, em paralelo aos medicamentos, é preciso trabalhar os aspectos da saúde motora, de forma preventiva. Já os pacientes que vão para a Unidade de Terapia Intensiva, demandam de uma atenção mais especializada, e, caso o paciente for entubado, o fisioterapeuta irá continuar atuando na parte de reabilitação respiratória, mas de forma específica, auxiliando a equipe médica e de enfermagem com o manejo do ventilador mecânico, verificando as alterações de parâmetro e a higiene brônquica. “Se uma pessoa fica muito tempo parada, com tempo prolongado de repouso, sem atividades físicas, acaba perdendo a força da musculatura. O imobilismo é uma das causas que mais gera dependência funcional após a saída do hospital”, alerta a fisioterapeuta, citando que o paciente que for entubado, permanece um longo tempo no hospital. Sendo assim, o fisioterapeuta fará exercícios, estimulação motora para que ele recupere a massa muscular e também ganhe força.
De acordo com Iascara, cada paciente é avaliado de forma individualizada. Alguns recebem atendimento duas vezes por dia ou até mais, conforme solicitação médica. “O fisioterapeuta consegue auxiliar muito os médicos e toda equipe. É um trabalho em conjunto que possibilita um suporte respiratório mais específico. Não conseguimos pensar em uma assistência de pacientes com covid-19 sem a fisioterapia”, destaca, enfatizando que hoje em dia é possível trabalhar de forma interdisciplinar. “Tanto os médicos, como equipe de enfermagem e de fisioterapia, tem um respeito muito expressivo pelo trabalho do outro”, completa.
A continuidade do tratamento
A fisioterapeuta assinala que um dos desafios para os pacientes no momento da alta, é a continuidade das práticas de Fisioterapia. “Sabemos que nem todos tem condições de prosseguir. No hospital é realizado um trabalho completo, inclusive na questão de orientação, com encaminhamentos para quando estiver em casa. O objetivo é que o paciente não perca os resultados obtidos durante o tratamento hospitalar”, reforça.