Na avaliação de 73% dos pediatras, as crianças estão deixando de ser vacinadas durante a pandemia de coronavírus. O dado faz parte da pesquisa divulgada na semana passada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Por formulário on-line foram ouvidos 1.525 médicos de todos os estados brasileiros.
Segundo a presidente da SBP, Luciana Rodrigues Silva, muitas crianças não tem sido vacinadas por falta de informação das famílias e medo de contaminação pelo vírus da covid-19. Ela alerta que a redução da imunização pode aumentar os riscos de doenças que foram eliminadas ou tem baixa prevalência atualmente. “Nós não queremos que doenças que já estão erradicadas ou diminuíram muito voltem a nos assustar”, enfatizou sobre a importância do cumprimento do calendário vacinal mesmo durante o período de quarentena.
De acordo com a pesquisa, 70% dos médicos dizem que as famílias têm medo de se contaminar ou infectar as crianças com o novo coronavírus em consultas presenciais. Nesse sentido, 82% dos médicos relataram um aumento dos atendimentos por telefone, aplicativos de mensagens e outras formas de comunicação à distância.
Em Erechim
De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde de Erechim, o que mais chama a atenção são os índices de vacinação contra a Influenza: no caso das crianças (seis meses a cinco anos), ficou em 59%. Já em relação às gestantes, o alcance também não foi o esperado: 55%.
“Diante desses percentuais, a procura por outras vacinas também deve estar abaixo do nível aceitável, que é 90%. A pandemia e o clima de medo e insegurança leva muitas pessoas à mudanças de comportamento, entre elas, o fato de não ir à Unidade Básica de Saúde para receber as doses tradicionais. Isso não é aconselhável e preocupa muito, pois, além da covid-19, outras doenças continuam representando risco e, por isso, é essencial a proteção por meio da vacina”, destaca o secretário, Dércio Nonemacher.
Segundo o responsável, em contrapartida, os idosos atingiram a marca de 115% de procura pela imunização contra a Influenza; além dos profissionais de saúde (101%); indígenas (106%) e doentes crônicos (90%).
Os interessados em fazer a atualização, podem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima e receber a dose necessária. O atendimento acontece das 7h30 às 11h30 e das 13h às 17h. A unidade central e UPA atende das 8h às 18h30. “As UBS’s tem todas as vacinas à disposição”, afirma o secretário, reforçando a importância de apresentar a carteirinha.
Mais sobre a pesquisa: alterações no comportamento
Em torno de 88% dos médicos perceberam alterações comportamentais nas crianças. Em 75% das situações, os profissionais notaram alterações de humor. Para Luciana, o isolamento social traz prejuízos ao desenvolvimento das crianças. “Foi prejudicial não só para a maior irritabilidade, perda de atenção, como maior tempo de tela, em frente aos computadores, celulares, como maior número de obesidade das crianças”, explicou.
Como forma de minimizar esses problemas, a presidente da SBP diz que os pediatras devem orientar às famílias. “Como envolver as crianças nas atividades domésticas, como fazer atividade física, como fazer estímulos comportamentais para que o desenvolvimento das crianças não seja comprometido”.
Exames no pré-natal
Em relação aos ginecologistas e obstetras, mais da metade (52%) perceberam um atraso das gestantes em fazer os exames no pré-natal e 46% disse que as mulheres tiveram dificuldade em fazer os exames, além de 8% que simplesmente deixou de fazer os procedimentos.