21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Cultura

Castelinho: história ameaçada

Nesta semana se comemorou o Dia Nacional do Patrimônio Histórico, 17 de agosto, porém, situação de um dos símbolos culturais do município é preocupante

teste
Telhado está com dois buracos entre outros problemas visíveis
“A situação do Castelinho é muito preocupante”, diz
Detalhes estão ruindo
Ponteiras caindo
Vários problemas na madeira
Mais danos
Buracos no telhado
Mais
Ponteiras já caíram
Extremidades
outro buraco
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

No dia 17 de agosto foi comemorado o Dia Nacional do Patrimônio Histórico. Por que essa data é importante e o que ela representa?   

No entanto, ao olhar para o Castelinho, patrimônio histórico municipal, antigo prédio da Comissão de Terras de Erechim, localizado no centro do município, dá uma sensação ruim, de tristeza, angustiante, porque a impressão é que ele está se desmanchando em pé, sofrendo a ação do tempo e a inação do poder público e da sociedade. Basta ficar parado alguns minutos em frente à antiga construção de madeira para constatar que ela está “morrendo”, se deteriorando, “agonizando”, pedindo ajuda. A ruína é evidente, os sinais estão a olhos vistos. É só parar para ver.

Segundo a arquiteta urbanista, patrimonialista, e presidente do IAB Erechim, Rosely Hachmann, o patrimônio histórico edificado é muito importante, porque conta a história do município e traduz toda a força, vontade e tudo aquilo que um povo fez pra construir a sua cidade. Além disso, o patrimônio histórico diz se uma cidade é boa para se viver. “Um povo sem memória perde a direção”, afirma.

A arquiteta conta que Erechim foi uma cidade planejada, “não nasceu do nada’’, teve um planejamento urbano que até hoje traz reflexos na qualidade de vida da população. “A funcionalidade da cidade nasceu desse planejamento que é sentido até os dias de hoje”, diz.  

E um desses pontos históricos fica localizado entre a linha férrea até a Praça da Bandeira, local onde os colonizadores deram o impulso inicial do município, construindo o comércio embaixo e a residência em cima das edificações, vistas como patrimônios a serem preservados com estilo característico Art’ Déco e Eclético. 

Rosely afirma que o Castelinho é uma construção emblemática porque foi gestado a estrutura do município. A Igreja Matriz São José, que foi demolida, era outra edificação muita significativa da história municipal.

“O Castelinho é uma preciosidade na rota do Mercosul é o maior prédio construído em madeira”, diz. Na sua avalição o patrimônio que é de madeira corre muito risco, até o perigo de um sinistro e deveria ser guardado com todos os cuidados. A madeira precisa de manutenção constante.

Como exemplo, ela cita a queda dos rendilhados, lambrequins e ponteiras do Castelinho que mostra uma situação preocupante desse patrimônio, e que denota um pedido de socorro da edificação. “A situação do Castelinho é muito preocupante”, diz.

“Para a comunidade passar e ver o prédio degradado, pensa que seria uma perda do esforço municipal investir muito dinheiro ali, quando temos muitas outras coisas na cidade pra ser gestada”, afirma.

E, acrescenta, “não existe uma preparação na comunidade para ela entender o que é a história do nosso patrimônio, que é muito rica e importante”. Ela sente muito em dizer que existem pequenas ações no município, mas elas não se completam.

Gestão

A arquiteta urbanista, patrimonialista ressalta que é preciso ter um plano diretivo do patrimônio histórico e que isso é fundamental. “O Iab trabalhou no Plano da Cidade Limpa, deixamos pronto, e isso também não vai adiante. Significa fazer a limpeza das fachadas dos prédios históricos, principalmente, na Avenida Maurício Cardoso e algumas laterais”, afirma.  

Segundo Rosely, falta cultura, conhecimento. “Temos que ficar atento à história que temos em cada cidade”, diz.

Castelinho

Conforme a arquiteta e técnica do Patrimônio Histórico do município, Ariane Pedrotti, o projeto de reocupação e restauração do Castelinho era para ter sido finalizado em janeiro deste ano. “Porém tivemos várias trocas de secretário, e o departamento não tem equipe de trabalho suficiente para elaborar um projeto tão extenso e complexo. Pra falar bem a situação, eu sou a única arquiteta trabalhando em todos os projetos, com a ajuda de dois estagiários e um voluntário”, disse.

E, acrescenta, “em vários momentos tivemos que interromper os trabalhos por conta disso e de outras demandas. Com a pandemia piorou ainda mais, porque a equipe e os horários de trabalho ficaram prejudicados. Estamos ainda elaborando os projetos e agora em fase final, porém, como estamos em ano eleitoral, não poderemos enviar nada até que a eleição seja feita”.

Ela afirma que o Castelinho está sendo monitorado e já foi solicitado a equipe para fazer um conserto temporário, e que os buracos na cobertura foram decorrentes do último temporal.

Conforme Ariane, já foi levantado nas audiências públicas, o objetivo do Castelinho é fazer a sua reabertura com diversos usos culturais.   

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;