Na tarde de segunda-feira (17), o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers), Carlos Isaia Filho, concedeu entrevista ao Bom Dia e afirmou que o Conselho está bastante preocupado com as questões que envolvem a pandemia.
A primeira delas, citou o presidente, é que os profissionais de saúde, principalmente os que atuam na linha de frente, tem sido a categoria que mais tem se contaminado pelo vírus e, consequentemente, os números de internações de UTI são bastante expressivos.
“O RS, proporcionalmente, tem sido o estado com menor número de óbitos de médicos. Contudo, cada vez que perdemos um profissional, é uma pessoa a menos na linha de frente. Isso é muito preocupante”, comentou.
Faltando quatro meses para o fim do ano, Dr. Carlos afirmou que é muito cedo para fazer qualquer tipo de previsão. “Recentemente foi feito um estudo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o qual identificou que talvez tenhamos o maior número de contaminados no fim desse mês. No entanto, acredito, particularmente, que estejamos no auge e que a partir de agora, a estimativa é que as taxas de contaminação e necessidade hospitalar comecem a estabilizar e futuramente diminuir”, destacou.
No entanto, tudo isso é uma incógnita. “Em Porto Alegre, por exemplo, está havendo uma abertura maior e vamos ver como estará a situação em 10 ou 15 dias. Uma coisa é certa, deveremos passar o Natal de máscara”, assinalou.
Medidas e efeitos
Na opinião do presidente do Cremers, houve uma preparação nos hospitais e o que está à disposição, é o necessário. Do mesmo modo, ele comentou que, com a quarentena, foram evitados muitos óbitos não por coronavírus mas por outras doenças, tais como infarto miocárdio, derrame cerebral e acidentes de trânsito. “Em termos de medidas, vale sempre reforçar a importância do distanciamento controlado, da higienização mais frequente, uso de álcool gel e máscara”, acrescentou.
Público jovem
Em meio ao trabalho de conscientização e busca intensificada por estratégias de prevenção ao novo coronavírus, Dr. Carlos ressaltou que a preocupação mais expressiva se refere à população jovem, de 20 a 30 anos. “Organizamos uma campanha para alertar. Esse é um público que, em muitos casos, não vinha seguindo as orientações e começou a aparecer nos hospitais. “São pacientes que “não precisariam” ter passado por complicações, sendo que muitos não tinham comorbidades. Isso foi motivado, principalmente, pelo não cumprimento das ações restritivas”, declarou.
Ao que se refere ao modelo de distanciamento controlado que há no RS, Carlos pontuou que é uma experiência nova, única, e que só será possível avaliar se foi o ideal, uma boa medida, quando encerrar a pandemia. “O que observamos, até o momento, é que o comportamento aqui no Estado tem sido diferente de outros que não adotaram essa metodologia. Por enquanto tem dado certo”, completou.