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Saúde

Sindicato lamenta perda de médica e reforça campanha em prol de estrutura adequada

Presidente do Simers, Marcelo Matias, concedeu entrevista ao Bom Dia e declarou que a pandemia tem produzido o adoecimento sequencial e tirado a vida de muitas pessoas

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Presidente do Simers, Marcelo Matias
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação/ Simers

“Seja pelo alto contágio causado pela doença ou pela carência de utilização de EPI’s e, ainda, pela falta de adaptação dos profissionais em usar um conjunto tão grande continuamente, a pandemia tem produzido o adoecimento sequencial e tirado a vida de muitas pessoas”. Essa foi a declaração do presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Matias, em entrevista ao Bom Dia, na manhã de ontem (17).

Durante a conversa via telefone, ele afirmou que essa é uma disseminação que todos gostariam que não tivesse acontecido ou, ainda, sido manejada de forma um pouco diferente.

Matias comentou que a entidade foi a primeira a chamar a atenção sobre os Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) e iniciou uma campanha, ainda no início de março. “Já sabíamos que não havia uma condição adequada na distribuição desses itens e, para nós, foi um sinal de alerta. Todas as evidências mundiais naquele momento, mesmo com a incidência baixa de contaminações no Estado e país, já sinalizavam que o RS chegaria onde está hoje”, afirmou.

Conforme o presidente do Simers, houve inicialmente uma dificuldade de fornecimento de EPI’s, considerando a falta de produção e distribuição. “Por isso, ocorreram várias mudanças na rotina de trabalho, com fechamento de blocos cirúrgicos, cancelamento de cirurgias eletivas, e, hoje, já deveríamos ter uma condição absolutamente adequada de fornecimento de EPI’s para todas as instituições”, assinalou, citando alguns exemplos como o Hospital de Clínicas de Porto Alegre que teve cerca de 500 profissionais com teste positivo para covid-19; e o Hospital Conceição que também registrou números centenários.

A partir de agora

Matias reforçou que a estimativa é de que todos os gestores prossigam cumprindo com suas funções, oferecendo condições adequadas para que, não somente a população de modo geral, mas também os profissionais de saúde possam enfrentar a pandemia, garantindo a distribuição adequada de EPI’s. “Que isso aconteça sem restrições, considerando que o custo dos itens é muito barato ao levar em conta os investimentos com tratamento. Não há como fazer comparação ao tratarmos de vidas”, salientou.

O presidente frisou que gostaria que a pandemia estivesse, cada vez mais, despolitizada e fossem utilizados todos os recursos possíveis. Nesse sentido, vale salientar a importância da adequação de leitos de UTI: “sabemos que isso varia conforme as regiões e temos uma estrutura hospitalar no Estado que é muito próxima do que há em São Paulo. Por isso ainda não tivemos expressivas faltas de leitos de UTI, mas em vários momentos atingimos um teto muito próximo a um nível de insegurança”, alerta.

Ao mesmo tempo, o presidente do Simers disse que é essencial que fosse garantida a liberdade de médicos e pacientes, principalmente na disponibilidade de determinados tratamentos.

Em paralelo aos EPI’s, a qualificação

Além da questão de quantidade de EPI’s, há também, o aspecto da formação das equipes. “Temos visto profissionais que não são intensivistas ou emergencistas, que estão atuando nesses espaços e ficando, por sua vez, mais suscetíveis ao contágio. Como em qualquer setor, há rotinas e também riscos no atendimento. Sabemos, ainda, que não é possível passar por uma pandemia, sem registrar óbitos. Contudo, acho que, se tivéssemos em condições melhores, poderíamos ter reduzido os casos, principalmente nos hospitais, entre os profissionais de saúde que foram contaminados provavelmente durante os atendimentos”, declarou Matias.

O médico pontuou, ainda, que trata-se de algo muito triste e que envolve pessoas que morreram lutando pela saúde de outras. “Isso também amplia a importância de investimentos adequados no sistema de saúde a longo prazo e não somente para a pandemia. Ao mesmo tempo, mostra a fragilidade que o sistema registrava antes da pandemia e se agravou. Por isso, cada vez mais precisamos parabenizar essa classe que enfrenta essas dificuldades e expõe a própria saúde”, reiterou.

 

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