Neste mês, as questões voltadas ao aleitamento materno ganham destaque expressivo por meio da campanha ‘Agosto Dourado’. O objetivo principal do movimento é incentivar a amamentação, que é considerada um imenso ato de amor que ajuda no desenvolvimento saudável dos pequenos, protege de infecções e fornece muitos outros benefícios, tanto para o bebê, quanto para a mãe.
O médico pediatra de Erechim, Alberto André Pippi Schmidt, destaca que o leite materno é o alimento que concede imunidade ao bebê. Nesse sentido, salienta que as pesquisas, até o momento, demonstram que o novo coronavírus não pode ser transmitido pelo leite materno. “Sendo assim, a amamentação não é contraindicada durante a pandemia. Contudo, devem ser observado cuidados especiais, principalmente se a mãe tem o coronavírus. Ela terá que usar máscara sempre que estiver com o bebê, inclusive ao amamentar”, orienta.
De acordo com o especialista, como o leite materno tem o fator imunológico, de anticorpos, e como ainda não há um tratamento específico contra o coronavírus, acredita-se que aleitamento também possa representar uma defesa viral contra todos os vírus e bactérias.
Ao que se refere à valorização do ato de amamentar, Schmidt reforça que nos últimos anos foram registrados avanços. “Houve um tempo em que amamentar com fórmula, era sinônimo, até mesmo, de um “status”. Com o advento dos estudos, foi sinalizada cada vez mais a importância do leite materno, do apego, da relação e vínculo mãe e filho, e, ainda, da imunidade fornecida pelo leite materno, um alimento completo”, pontua.
Um processo nem sempre fácil
Na opinião do pediatra, o aleitamento materno representa um processo, que nem sempre é fácil. Um dos fatores é que cada bebê tem um temperamento. “Alguns facilitam essa primeira relação desde a maternidade. Essa fase é essencial e exige um acompanhamento ainda mais expressivo da equipe de saúde. Algumas mães já tem um seio e mamilo adequado, uma produção suficiente e o bebê “auxilia” mais nesse processo. Nessas situações, as coisas acontecem de forma mais natural”, comenta.
Por outro lado, há casos que exigem um pouco mais de trabalho, o qual vai gratificar no futuro. “Alguns bebês têm mais dificuldade de pegar o seio; há mães que também precisam de um suporte maior, inclusive emocional. O bebê precisa aprender a mamar e esse envolvimento afetivo, por vezes é fácil e, em outros momentos, demanda mais atenção. Isso tudo porque os pais procuram fazer o melhor para seus bebês e, muitas vezes, essa preocupação e responsabilidade de “ter que amamentar”, pode gerar um certo desconforto e precisa ser trabalhado para que seja algo mais tranquilo”, destaca Dr. Schmidt.
Atenção à algumas dicas no ato da amamentação
* Não precisa limpar o seio para amamentar;
* Há situações em que a mãe, por ter alguma dificuldade, precisa colocar uma interface, um mamilo de silicone, e aí sim, precisa higienizar;
* Quando o bebê faz uma pega inadequada, pode surgir a fissura mamária. Esse é um problema que provoca dor e por inibir a amamentação. Nesse caso deve ser aplicado um creme hidratante no mamilo, com pouco perfume, para minimizar;
* Algumas práticas consideradas “culturais”, podem auxiliar na cicatrização, tais como usar a casca de mamão e expor o mamilo ao sol. Nesse mesmo quadro, recomenda-se o uso da concha mamilar e evitar o sutiã, para deixar o seio aerado, favorecendo a integridade da pele;
* Alimentação da mãe: orienta-se as mamães sobre a importância de evitar alimentos com cafeína, tais como chimarrão, café preto, chocolate, entre outros, pois pode passar para o leite materno e ocasionar mais choro excessivo do lactente. Há, também, situações em que o bebê manifesta mais “crises” de choro e que pensa-se que pode ser uma cólica. Nesses casos é solicitado para que as mães evitem consumir leite de vaca e seus derivados no período da amamentação.
* É essencial a compreensão para que a mãe possa expressar o que está sentindo. Às vezes percebemos que o bebê está fazendo tudo certo, mas a mãe permanece um pouco apreensiva ou deprimida. Por isso, vale reforçar a importância da presença da avó, principalmente a materna. “Essa relação de proximidade ajuda muito para a autoconfiança da mãe”;
* Outra luta constante está relacionada à busca pela licença maternidade expandida de quatro para seis meses, a qual seria o ideal para o bebê.
Ao amamentar, reafirmamos o exercício da maternidade
A servidora pública, Thanile Vargas Preusz, de 35 anos, é uma mamãe de “primeira viagem”, contudo, reconhece desde cedo os diferenciais do processo que compreende a amamentação.
Ao Bom Dia, ela relata que, desde que engravidou da pequena Clara, que hoje está com um ano e um mês de idade, sempre procurou se informar sobre amamentação, cuidados com o bebê e observou que havia muitas questões envolvidas, desde o aspecto psicológico até o nutricional. “Tive esse desejo de amamentar e pensava: tomara que eu consiga, pois sabemos que há casos de mulheres que não podem. Ao mesmo tempo, sempre segui as orientações do ginecologista, desde o cuidado das mamas, principalmente no fim da gestação”, comenta.
Quando a Clara nasceu, vieram as expectativas e os medos. No entanto, Thanile e o esposo puderam celebrar, pois ocorreu tudo bem. “Ela não precisou tomar fórmula, sempre tive bastante leite e amamento até hoje”, destaca.
Sobre o que representa a amamentação, a mãe salienta que é difícil definir em palavras, pois é algo muito bom, prazeroso e que parece reafirmar o exercício da maternidade. “Representa muito amor, afeto. Ficamos com aquele desejo de oferecer o melhor possível para o filho. Esse ato representa muito a relação de confiança, segurança, pois ela está sendo alimentada e percebe que tem uma pessoa cuidando dela. Isso é muito importante”, ressalta a servidora, que acrescenta: “ao mesmo tempo que é um alimento tão completo, rico em nutrientes, fortalece o vínculo do bebê com a mãe e esse contato mostra para a criança a percepção de si”.
Thanile pontua, ainda, que amamentar exige bastante esforço. “Devemos cuidar da alimentação e do próprio descanso, mas se temos uma rede de apoio, formada pelo pai, pelos avós, tios, que podem fornecer um suporte em outras atividades da casa, é primordial. O aleitamento materno não é um ato automático, devemos aprender a amamentar e a criança precisa aprender a mamar”, reforça.
Nesse sentido, a mãe lembra que a amamentação não é somente de quem dá o peito, considerando que a mulher que fornece a mamadeira, também mantem uma relação de amor e afeto.
Dica de mãe!
“Busque sempre informações sobre amamentação e ajuda especializada, se necessário; questione os profissionais de saúde e as mulheres da família que já amamentaram. Outra dica é: confie em si e na própria capacidade. Esse componente psicológico influencia muito na amamentação”.