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Saúde

Tempos de pandemia e os sérios riscos da automedicação

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Conforme o professor, há sempre os prós e os contras diante dos medicamentos, por isso é fundamental
Professor Luiz Carlos Chicota
Por Izabel Seehaber
Foto Arquivo BD

O período de pandemia causada pelo novo coronavírus acentua um hábito comum e cultural do brasileiro: o uso indiscriminado de medicamentos. A venda de muitos, aumentou significativamente no Brasil desde o início dessa ‘nova realidade’, de acordo com pesquisa encomendada pelos conselhos de Farmácia. Suplementos alimentares, antigripais, vitaminas e minerais, entre outros medicamentos, estão entre os mais procurados na busca para fortalecer a imunidade e buscar a ‘prevenção da infecção’, mesmo sem comprovação científica.

Entre os medicamentos que tiveram aumento nas vendas, conforme a pesquisa, estão Hidroxicloroquina, Paracetamol, Dipirona Sódica, Colecalciferol (Vitamina D) e Ácido Ascórbico (Vitamina C).

O coordenador do curso de Farmácia da URI Erechim, professor Luiz Carlos Chicota, explica que há uma preocupação, sendo que a procura por esses itens continua sendo expressiva. “Há uma ideia de que se o vizinho ou um familiar tomou determinado remédio e ficou bem, o mesmo efeito será obtido em outras situações. Na prática não é assim, pois sabemos que a indicação é específica para cada paciente e deve levar em conta várias informações”, destaca.

De acordo com Chicota, em muitos casos um “simples” analgésico pode causar problemas à saúde. Nesse sentido, sempre há os prós e os contras, por isso é fundamental a avaliação profissional. “A única diferença de algo prejudicial e o medicamento, é a dose. Para isso, entre os fatores que devem ser observados está o peso, a massa corporal e muitos outros aspectos”, pontua.

Nem sempre há indicação

O professor cita que, nesse momento estão “em alta”, os vermífugos, por exemplo. Contudo, há pessoas que possuem restrições de uso. Sendo assim, medicamentos, como a Ivermectina, exige uma orientação, pois, caso contrário, pode representar consequências sérias em pessoas que tem doenças pré-existentes ou gerar algum problema a partir da administração dessa droga”, acrescenta.

Entre os efeitos não esperados estão os processos alérgicos ou, ainda, algum sintoma mais grave e complexo, dependendo do tipo da restrição do paciente.

Outro alerta se refere às vitaminas, levando em conta que todo excesso pode ser prejudicial. Por isso devem ser usadas somente se realmente necessário. “A vitamina C tem um limite de absorção e, ao passar disso, é eliminada. Caso um paciente tenha insuficiência renal, por exemplo, a vitamina pode ficar armazenada e esse excesso ficar depositado em outras partes do organismo”, explica Chicota.

Exigência de receita

O professor reforça ainda, que muitos medicamentos tem exigência de retenção da receita, na tentativa de minimizar o consumo indiscriminado. Por isso, vale ressaltar a importância da orientação médica ou de um farmacêutico. “Precisamos conviver com essa situação da pandemia e, antes da medicação, os cuidados preventivos são fundamentais, não somente no caso do novo coronavírus, mas em todas as outras viroses. Nem sempre seguimos a ideia da medicina preventiva, mas curativa”, frisa.

Intoxicação hospitalar

De acordo com o estudo “Caracterização do perfil das intoxicações medicamentosas por automedicação no Brasil”, entre os anos de 2010 e 2017, foram notificados mais de 560 mil casos de intoxicação, sendo quase 300 mil por medicamento como agente tóxico mais frequente, correspondendo a 52,8% do total das ocorrências.

Medicamento certo, na dose correta e na hora certa

É importante que a população faça o uso racional de medicamentos, que ocorre quando os pacientes têm acesso ao medicamento de que necessitam, nas doses corretas e pelo período de tempo adequado ao tratamento.

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