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Saúde

Combate a pandemia: Erechim serve de modelo para o Estado

O Testar RS é um projeto que amplia testagem e rastreamento de casos para ajudar no controle do vírus em solo gaúcho e traz grandes semelhanças com o que foi feito na Capital da Amizade

teste
Governador Eduardo Leite quando do anúncio do Testar RS
Professor da UFFS, Jose Mario Grzybowski: “o momento de lançamento do programa, foi uma semana após
Em Erechim foram feitos dois mil testes e apresentados na Câmara de Vereadores no dia 16 de julho
Por Rodrigo Finardi e Ascom RS
Foto Reprodução

Considerada uma das estratégias mais eficazes em países que conseguiram controlar a pandemia de coronavírus, a ampliação da testagem da população gaúcha com o rastreamento de casos é o foco do Testar RS. O projeto foi lançado pelo governador Eduardo Leite na quinta-feira (23), em transmissão ao vivo pelas redes sociais.

No dia 16 de julho, na Câmara de Vereadores de Erechim foi apresentado os resultados do Testa Erechim, onde foram testadas duas mil pessoas. O estudo foi coordenado pelos professores da Universidade Federal da Fronteira Sul. José Mario V. Grzybowski e Roberto Valmir da Silva e na apresentação mostraram a metodologia empregada

De acordo com o professor José Mario, a metodologia utilizada para testagem em massa, considerou um estudo da população e não de forma individual. Procurado pela reportagem do Jornal Bom Dia, o professor falou sobre as semelhanças e as diferenças entre o Testa Erechim e o Testar RS.

 Semelhanças

As semelhanças apontadas pelo professor são: nome do programa; caráter de campanha proativa de testagem; objetivo de mapeamento geográfico de casos para a implementação de ações específicas de combate; conhecer a real situação de circulação viral; identificação de casos ativos para isolamento: “o momento de lançamento do programa, uma semana após o governador e secretária estadual de Saúde, terem recebido do prefeito Schmidt o relatório da pesquisa realizada em Erechim”, pontua José Mario.

Diferenças

O professor aponta as diferenças entre os dois programas: “Erechim fez teste rápido, sorológico, cujos resultados saem na hora; o Estado fará RT-PCR, que utiliza análise genética do material coletado e o resultado é mais demorado e mais confiável sob o ponto de vista de identificação de casos ativos. O RT-PCR é considerado o ‘padrão ouro’ dos testes de COVID-19”, comenta

Outra diferença que aponta é que “Erechim fez testagem aleatória para estudar a população; governo vai buscar grupos específicos, que incluem idosos, profissionais da saúde e sintomáticos que procuram por atendimento por síndrome gripal, para rastreá-los e rastrear seus contatos”, pontua José Mario

 

Vantagens e desvantagens

José Mario relata que “os testes do Estado serão aplicados majoritariamente em sintomáticos que procuram os serviços de saúde com quadro de síndrome gripal. A pesquisa de Erechim revelou que aproximadamente 87% dos positivos eram assintomáticos. Então, o Estado só vai encontrar assintomáticos entre os contatos próximos de confirmados positivos. Até que se obtenha os resultados dos sintomáticos e de seus contatos, a fase ativa da transmissão (cuja duração é não mais do que duas semanas) poderá estar no final”.

Outra questão abordada pelo professor é que os “testes RT-PCR continuam gerando resultados positivos mesmo após o vírus estar inviável sob o ponto de vista de contágio. Dentre as pessoas confirmadas positivas através de RT-PCR, em torno de 30% têm resultado negativo após 15 dias, 68% após 21 dias, 88% após 28 dias e 95% após 33 dias. Ou seja, muitos dos positivos isolados poderão ser pessoas que não tem mais possibilidade de transmitir, pois embora o RNA do vírus esteja presente na amostra coletada em concentração detectável por teste, o vírus não é viável sob o ponto de vista de transmissão. O RT-PCR não detecta anticorpos, portanto gerará negativo para pessoas que já tiveram contato com o vírus há mais tempo. Ou seja, não é possível distinguir entre imunizados/suscetíveis a partir dos resultados do teste”, finaliza José Mario.

Governador com a Covid-19

“A Covid-19 é uma doença nova, que assusta e ensina. Hoje, já sabemos que o seu enfrentamento envolve uma série de ações complementares. Estamos lançando esse amplo programa de testagem e busca ativa de infectados, o Testar RS, que vai ser operacionalizado pelo Estado em conjunto com o Ministério da Saúde e as secretarias municipais de Saúde e com o apoio da iniciativa privada, por meio do programa Todos Pela Saúde, que darão suporte para essa ação pioneira e, tenho certeza, será um bom exemplo para o Brasil”, anunciou o governador, que ontem (24) foi testado como positivo para a Covid-19, cancelou toda sua agenda e iniciou o isolamento.

Eficiência nas estratégias

A ampla testagem em conjunto com a análise do perfil dos casos infectados e sua distribuição geográfica no território gaúcho possibilitarão direcionamento mais eficiente das estratégias de distanciamento social, buscando promover a quebra da cadeia de transmissão do vírus.

Testagem massiva em duas etapas

A estratégia será dividida em duas etapas. A primeira iniciou na quinta-feira (23), aplicada em dois grupos prioritários: as cerca de 800 Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPIs), devido ao alto risco de exposição ao vírus, evidenciado pelos diversos surtos nesses locais, e os estabelecimentos de saúde, que têm muitos profissionais afastados por suspeita e precisam estar seguros para atuarem no combate à pandemia.

Também fazem parte na fase inicial pessoas com sintomas gripais que residam nos 30 maiores municípios com mais de 40 mil habitantes e maior incidência de casos confirmados de Covid-19.

500 mil testes

Parte dos testes será feita pelo Lacen e por laboratórios conveniados, e outra parte será enviado a um laboratório autorizado pelo Ministério da Saúde, no Paraná ou em São Paulo. O governo federal já anunciou que o RS terá 500 mil testes para executar esse projeto, possibilitando alcançar os 7 mil exames diários na segunda fase do projeto, além dos mil testes que hoje já são realizados.

Adesão da população será fundamental

Nesta etapa, que será iniciada em agosto e que alcançará todo o Estado, mais dois grupos serão amplamente testados: os casos sintomáticos e os casos suspeitos por serem contactantes próximos de caso confirmado de Covid-19.

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