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Saúde

Famurs reforça: é preciso responsabilidade dos cidadãos e agilidade do governo

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“É uma tarefa coletiva que deve ser praticada no dia a dia”, afirmou Maneco Hassen sobre as medidas
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação/ Comunicação Famurs

O novo coronavírus altera a rotina de toda a população e as diferentes regiões sentem o impacto dessas mudanças e adaptações. Em meio a tantos desafios, lideranças e associações debatem sobre a necessidade de melhorias em busca da superação de problemas, com o objetivo de minimizar os efeitos da pandemia.

Na manhã de sexta-feira (17), o presidente da Federação das associações de municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e prefeito de Taquari, Maneco Hassen, concedeu entrevista ao Bom Dia e avaliou o cenário atual no Estado, ao considerar o número crescente de casos de covid-19.

Inicialmente, Hassen destacou que a Famurs, desde o começo da pandemia, organizou um comitê de crise e tem acompanhado diariamente toda a evolução, tentado dialogar e conceder suporte a todos os municípios, especialmente nesse momento de extrema dificuldade. “Algo que ainda não tínhamos enfrentado e que nos causa muita apreensão e dúvidas sobre o futuro. Estamos em um momento crucial por conta da chegada do inverno e também da ocupação da quase totalidade dos leitos de UTI e de enfermaria, o que nos coloca em uma situação de muito risco”, pontua, citando que, demanda de cada cidadão, muita responsabilidade e paciência em seguir as determinações dos protocolos para prevenção. “Isso tudo para que possamos superar essa fase e que a pandemia possa passar com as menores consequências possíveis”, completou.

Sobre medidas do governo

O presidente da Famurs comentou que desde o início a Famurs defendeu que as decisões sobre as medidas de restrição deveriam ser tomadas com base na ciência, nos números e por pessoas com capacidade técnica. “No RS, quem possui essa capacidade é a equipe do governo do Estado. Assim ele tem procedido desde o início, contudo, nas últimas semanas estamos um pouco apreensivos, pois algumas decisões não parecem terem seguido essa questão técnica na totalidade. Sendo assim, o próprio modelo começa a ser colocado em cheque, não só pela Famurs mas por outras associações. Um exemplo, não temos como argumentar para um comerciante que ele pode ser fechado e, ao mesmo tempo, o governo autorizar a volta do Gauchão. Isso por fornecer uma ideia errada à população, como se a situação estivesse melhorando, quando na verdade, não está”, declarou.

Do mesmo modo, Hassen salientou que os ajustes estão sendo feitos e, a maioria, para o melhor. “Claro que, sendo um modelo inovador, é normal que sejam cometidos erros, mas estamos conseguindo alguns avanços. O modelo também está sujeito a ajustes e nosso papel é nesse sentido, de dialogar com o governo, sempre com muito bom senso, respeito e solidariedade na adequação do decreto que leva em conta a realidade que muda a cada semana”, acrescentou.

Na opinião do presidente, a partir dessa semana, diante da elevação dos números, poucas mudanças podem ser realizadas no decreto. “Em algumas regiões no interior do Estado, em que há números mais reduzidos e a situação não está tão grave, acredito que é possível algum ajuste, de modo que o decreto estabeleça normas para que a economia permaneça firme e possa se sustentar nesse momento difícil”, ressaltou.

Medicamentos para UTI

Durante a conversa com a reportagem, o presidente da Famurs citou que a entidade iniciou a discussão sobre a falta de medicamentos para UTI, junto à Santa Casa, há três semanas. “Alertamos sobre o problema e na quinta-feira conversei com a secretária estadual de Saúde, Arita Bergmann”, citou.

Até sexta-feira (17), as cirurgias eletivas, na maioria dos hospitais, estavam suspensas, visando a economia de medicamentos. “Uma situação muito grave, nos preocupa”, frisou.

No sábado, a Famurs informou que o Ministério da Saúde, atendendo reivindicação da entidade, da Federação das Santas Casas Santa Casa e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do RS, e de outras instituições, adquiriu de laboratórios uruguaios parte dos produtos que compõem o KIT intubação, conjunto de medicamentos utilizados para sedação, analgesia e bloqueio neuromuscular em cirurgias e também na intubação de pacientes com casos graves da covid-19 nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI).

Os medicamentos já começaram a ser distribuídos nos hospitais gaúchos afetados pela escassez.

A aquisição dos medicamentos pelo Ministério da Saúde foi facilitada pela relação binacional criada durante a assinatura do Acordo Sanitário entre o Brasil e o Uruguai – intermediado pela Secretaria da Saúde e pelo Governo do Estado – assinado no dia 26 de junho.

Tarefa coletiva

De modo geral, Hassen ressaltou que cabe, a cada cidadão, adotar as medidas necessárias de prevenção que o momento exige. “É uma tarefa coletiva que deve ser praticada no dia a dia. Sabemos que ninguém gosta de ser impedido de fazer o que quer, andar na rua com tranquilidade, mas a fase exige cautela, com a utilização de máscara, álcool gel, entre outros cuidados, para que possamos segurar essa expansão do vírus e retornar à normalidade o mais rápido possível”, reitera.

Recursos

Começaram a ser liberados na quarta-feira (15) os R$ 13,8 bilhões para a saúde previstos na Portaria 1666/2020, de 1º de julho – sendo R$ 11,3 bilhões para os municípios. O montante está sendo distribuído pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) fundo a fundo. A equipe técnica da Famurs está em contato para o repasse de informações aos gestores gaúchos.

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