A pandemia causada pelo novo coronavírus trouxe à tona várias preocupações, incertezas e, principalmente, alertas, visando a prevenção da covid-19. Além de cuidados intensificados com a higiene, uso de máscara e álcool gel, alguns comportamentos fundamentais estão relacionados à visão.
O médico oftalmologista que atua no Instituto de Olhos Santa Luzia de Erechim e também é docente da Faculdade de Medicina da URI, Jeferson Skzypek, explica que nesse período, alguns aspectos merecem atenção redobrada, porque invariavelmente, com o uso da máscara, vamos mexer na região próxima dos olhos e com isso, surge uma porta de entrada para o vírus. “As vias aéreas (nariz e boca) são a principal, mas os olhos é a secundária. É possível contrair o coronavírus quando houver contato do vírus com a conjuntiva que é a mucosa ocular. Sendo assim, o ideal é evitar mexer na máscara e depois nos olhos”, alerta, citando que o risco de contágio está presente em todas as faixas etárias.
Ao mesmo tempo, o especialista salienta que esse contato aumenta o risco de muitos outros patógenos, como conjuntivites bacteriana ou viral.
Skzypek destaca que uma das dificuldades comuns desse período é usar a máscara com os óculos. Isso acontece porque o vapor que é expelido pela boca acaba embaçando as lentes dos óculos.
Do mesmo modo, o desconforto do uso da máscara pode gerar o olho um pouco mais seco. “O paciente pode sofrer com o vento da manhã, o que pode provocar lacrimejamento. A córnea sofre a evaporação do filme lacrimal e o corpo interpreta que está faltando uma hidratação maior e produz mais lágrima. Isso acontece principalmente nas pessoas mais idosas”, pontua.
Menor procura por atendimento
De acordo com o oftalmologista, tem diminuído a procura das pessoas pelo serviço de saúde, tanto no que se refere à parte privada como pública, nas diferentes áreas. No entanto, ele chama a atenção e reitera que consultas de rotina de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, glaucoma, miopia degenerativa, entre outras, não devem ser evitadas. “A falta de acompanhamento e ajuste no tratamento, pode gerar um trauma muito maior no futuro. Por isso, vale ressaltar que esse medo é infundado, afinal, a pessoa precisa manter a saúde de modo geral e não deve se basear somente se está ou não com a ‘doença do momento’, a covid-19. Ao mesmo tempo, devem ser tomadas todas as precauções para que não haja contaminação, mas acredito que nos serviços de saúde da nossa região, e em especial na nossa clínica, todos os cuidados estão sendo tomados e não são motivos para adiar a consulta”, assinala.
As cirurgias, mesmo as eletivas, estão sendo realizadas no Instituto de Olhos Santa Luzia, com um cuidado ainda maior. “Ninguém está livre de contrair o coronavírus, seja em um serviço de saúde ou num supermercado, por exemplo. Nesse sentido, há uma desinformação por parte de muitas pessoas que não tem medo de fazer compras, mas sim se ir ao posto de saúde. Na unidade as pessoas estão muito mais habilitadas a se cuidar e prevenir uma possível contaminação”, observa, acrescentando que: “os problemas não deixam de acontecer, independente da pandemia. Nesse sentido, a menor exposição, provocaria uma diminuição de problemas como conjuntivite, gripes, mas nesse quesito em especial, a máscara não protege os olhos. Não é momento para criarmos um pavor em razão da pandemia”, pondera Skzypek.
Sinais de alerta para procurar o oftalmologista
Na oftalmologia, a baixa de visão é um dos principais sintomas para procurar atendimento médico. “Devemos comparar a visão de um olho com o outro, ficarmos atentos ao aparecimento de “nuvens” ou outra alteração visual. Além disso, olho vermelho e com secreção, são sinais de infamação e possível infecção”, orienta.
Alimentação para a saúde dos olhos
Cuidar da alimentação pode trazer benefícios para a saúde como um todo, mas existem algumas doenças que acontecem por falta da suplementação vitamínica. “Algo muito comum é a Doença Macular Relacionada com a Idade, a qual surge, habitualmente por uma espécie de envelhecimento da retina associada a uma carência de vitaminas e minerais, como A, E, selênio, zinco e a luteína, que são fundamentais para a formação do tecido retiniano, que capta a imagem e nos permite enxergar. Isso pode ser encontrado no ômega 3 (peixes), vitaminas A e C (muito comuns nos cítricos), E (oleaginosas como castanhas). Acredito que se houver uma alimentação balanceada, pode haver uma prevenção de problemas como este”, reforça.
Oftalmologia contribuindo para resultados otimistas na pandemia
O médico especialista enfatiza que a Oftalmologia, mesmo não estando no cuidado direto do paciente com coronavírus, tem uma importância até “inesperada”, pois o médico que anunciou o surgimento da covid-19 na China, é oftalmologista. “Num primeiro momento pensou-se que poderia haver mais sintomas oculares, por sorte não, já que os sinais e sintomas atingem mais a questão do sistema respiratório. Contudo, o papel da especialidade é orientar sobre os cuidados da saúde como um todo, principalmente na forma de suporte à toda população no sentido de evitar o contágio”, completa.
Quanto ao desafio da docência a partir próximo semestre, o oftalmologista que atua no Instituto Santa Luzia comenta que isso vai muito além do ideal de formar bons profissionais. “Que os acadêmicos, mesmo no processo de formação, possam somar junto à comunidade médica da cidade e criar estratégias que auxiliem no combate ao coronavírus, instruindo a população e também apoiando na linha de frente desse trabalho. Acredito que esse seja o momento mais delicado, mas se seguirmos nessa linha de cuidados constantes, iremos superar essa fase”, finaliza Skzypek.