A pandemia causada pelo novo coronavírus trouxe, além da necessidade de cuidados expressivos na luta pela prevenção, muitas dúvidas e questionamentos. Ao pensar na imunidade e o que pode auxiliar no fortalecimento, diretamente nos vem à mente, a alimentação. Nesse sentido, redobrar a atenção com os hábitos nutricionais, pode ser uma atitude essencial para manter a qualidade de vida e o bem-estar.
Diante disso, muitas pessoas tem a ideia de buscar um suporte em suplementos alimentares. Segundo Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), eles não são considerados medicamentos, portanto, não servem para tratar, prevenir ou curar doenças. Os suplementos possuem a finalidade de fornecer nutrientes (como vitaminas, minerais, proteínas), substâncias bioativas, enzimas ou probióticos em complemento à alimentação.
A coordenadora do curso de Nutrição da URI, professora Vivian Zanardo, comenta que atualmente, devido a insegurança e riscos da covid-19, tem se observado um aumento no consumo desses produtos, principalmente vitaminas e minerais. Contudo, ela orienta que, para a ingestão segura, deve ser observada a autorização de comercialização pela Anvisa, a prescrição por profissionais da saúde habilitados, além da quantidade a ser ingerida. “Acima do limite de segurança ou por grupos populacionais para os quais não sejam indicados, os suplementos podem representar um risco para a saúde”, pontua.
Indicações
Vivian reforça, ainda, que o benefício deverá ser comprovado por meio de evidências científicas e a indicação é para pessoas saudáveis que necessitem de complementação nutricional da alimentação, no caso de dietas restritivas, alterações metabólicas, atividade física intensa, entre outras. “Pessoas com deficiências nutricionais ou que não conseguem ingerir quantidade recomendada de nutrientes por meio de alimentos para a manutenção ou recuperação do estado nutricional, devem procurar um profissional de saúde habilitado para receber orientações de consumo”, salienta, citando que: a Resolução do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) nº 656/2020, publicada em 15 de junho de 2020, é um instrumento norteador para a atuação do nutricionista na área da nutrição clínica e esportiva para prescrição de suplementação alimentar.
Quantidade
Segundo Vivian, as quantidades de nutrientes necessárias para o adequado estado nutricional variam conforme o grupo populacional, possuindo limites diferenciados para consumo, considerando a faixa etária (lactentes, crianças, adolescentes adultos e idosos), o gênero e se for gestante. “Durante esse período de pandemia é importante cuidar dos hábitos nutricionais, seguindo uma dieta saudável, com um padrão nutricional equilibrado, que contemple uma quantidade adequada de vitaminas, minerais, antioxidantes, tendo em vista uma boa imunidade. Para a sua segurança procure um profissional habilitado para prescrição dos suplementos nutricionais, verificando a sua necessidade individual”, ressalta.
Alerta
De acordo com a Anvisa, a maior parte dos riscos associados ao uso de suplementos está relacionada a produtos irregulares, ou seja, que apresentam em sua composição substâncias que não foram avaliadas ou mesmo que já foram, mas que não estão permitidas pela insuficiência de dados sobre sua segurança ou por haver evidências de danos à saúde.
Ainda conforme o órgão regulador, é necessário ficar tento, porque alguns dos ingredientes usados em suplementos são sintéticos ou extraídos de fontes não alimentares. “Por isso, é essencial avaliar criteriosamente sua segurança antes de sua exposição ao consumo. Mesmo os ingredientes extraídos de fontes alimentares podem passar por processos de extração que concentram substâncias tóxicas. Os produtos regulares, elaborados conforme as regras, também podem representar um risco se forem consumidos em quantidades acima do limite de segurança ou por grupos populacionais para os quais não sejam indicados. Fique atento às indicações do fabricante e às advertências ou restrições presentes na rotulagem”, informa a Anvisa em sua página oficial.