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Saúde

Tempos de pandemia: como lidar com as expectativas e a solidão?

Psicóloga, Luana Gasparetto Fontanella, participou de live na TV Bom Dia e comentou sobre os desafios impostos à sociedade

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Live contou com a participação da psicóloga, Luana Gasparetto Fontanella
Por Izabel Seehaber
Foto TV Bom Dia

Com o intuito de ampliar o debate sobre o impacto que o novo coronavírus traz à comunidade de Erechim e região, o Bom Dia promove uma série de entrevistas ao vivo.

Na sexta-feira (12), a live contou com a participação da psicóloga, Luana Gasparetto Fontanella, que atua há cerca de 12 anos na Fundação Hospitalar Santa Terezinha.

O tema central foi o cuidado da saúde mental, especialmente no caso dos profissionais de saúde, pacientes e seus familiares.

Confira a seguir, alguns destaques do bate papo:

Bom Dia: Vivenciamos um tempo desafiador. Em meio a uma pandemia, algumas sensações como insegurança, expectativa, dúvidas e até medos, podem ser um tanto comuns. Diante disso, como é possível manter o equilíbrio das emoções?

Luana: “Estamos vivenciando um momento em que as emoções estão muito afloradas. Estamos privados de muitas coisas e, ao mesmo tempo, com medo, pois é algo desconhecido e, por sua vez, traz um pouco mais de ansiedade.

A liberdade que está limitada, é muito difícil lidar com isso. Mudamos nossa rotina, ficamos mais em casa, com os familiares, ou, por vezes, mais distante de alguns membros da família.

Nos próprios sintomas da doença, a falta de ar, por exemplo, pode ser confundida com a ansiedade. No entanto, precisamos ocupar nossa mente com coisas positivas. Podemos aproveitar para organizar a casa, apreciar boas leituras, praticar exercícios físicos, fazer receitas novas ou aprender a cozinhar, e, principalmente, descobrir potencialidades. São mudanças muito significativas que não estávamos preparados para isso.

É um momento de cuidarmos mais de nós e, ao mesmo tempo, é perceptível que o isolamento provocou uma “aproximação” entre as pessoas por meio da saudade.

Espero que possamos sair dessa situação com um bom aprendizado, mudando alguns aspectos das nossas relações.

As pessoas estão dando mais valor ao trabalho, querem muito voltar à rotina que tinham antes da pandemia e as vezes reclamavam”.

Bom Dia: Ao considerar sua atuação em um hospital público, referência regional, gostaria que comentasse sobre a importância desse cuidado da saúde mental e as ações desenvolvidas na questão do acompanhamento da equipe que atua no Santa Terezinha:

Luana: “Quem interna no hospital com a doença, não pode ter acompanhante e nem receber visitas. É uma situação bem delicada. A covid-19 vai muito além de um respirador, por exemplo. Há profissionais que precisam ficar paramentados por muito tempo. Há pessoas que reclamam do uso da máscara, imagina ficar mais de seis horas com vários itens para fazer a proteção, de certa forma, fechados no setor, usando uniforme. Os pacientes também usam a roupa do hospital, recebem um kit de higiene. É algo complicado, que afeta a todos. Ter covid-19 é muito solitário e a solidão, por si só é muito difícil de lidar.

A cada situação nova, surgem desafios. O que estamos tentando fazer com os funcionários, por exemplo, é oferecer um lanche diferente; e a psicóloga do RH faz visitas à Ala Covid para conversar um pouco mais com os colaboradores. Do mesmo modo, o serviço de Segurança do Trabalho também faz contato para saber como eles estão. Os funcionários que precisam ficar em casa, em razão da doença, também recebem uma atenção e acompanhamento.

Percebe-se que ainda há um preconceito muito grande com quem trabalha no hospital. Contudo, sempre afirmo que o perigo é muito mais fora do ambiente hospitalar, do que dentro, pois contamos com vários equipamentos. A empatia é essencial”.

Bom Dia: No caso da família, como acontece o suporte? (tanto no repasse de informações sobre o quadro de saúde como no momento doloroso de comunicar um óbito, por exemplo).

Luana: “Em relação aos pacientes que estão hospitalizados, uma enfermeira liga duas vezes por dia e passa informações a um familiar que fica de referência.

As pessoas que internam na enfermaria podem ficar com o aparelho celular e mantém contato com a família. Incentivamos que eles façam chamadas de vídeo e usamos muito a tecnologia a nosso favor.

As que estão na UTI e conscientes, também participam de chamadas de vídeo. Após sair do isolamento de 15 dias, o paciente vai para o quarto e o familiar pode ter novamente o contato presencial.

No caso dos óbitos, é seguida a mesma recomendação da Anvisa, em âmbito nacional. Sendo assim, um familiar vai até o hospital, põe os equipamentos de segurança e vai ver o familiar e encaminha os papéis do óbito e os procedimentos com a funerária. Não há velório e o paciente vai direto para o funeral.

Pensando na questão da despedida, é algo muito complicado, pois é necessário passar por alguns rituais para elaborar melhor a questão do luto.

Para nós da Psicologia também está sendo desafiador e acho que isso pode de alguma maneira, afetar ainda mais a família”.

Bom Dia: Qual a mensagem que deixaria à comunidade de Erechim e região?

Luana: “Nesse momento devemos olhar para nós. Nos deparamos com nossos medos, nossos defeitos, mas é uma fase de reflexão e acredito que possamos sair dele ainda melhores. Isso porque estamos enfrentando muitas realidades. Estamos convivendo mais em família e antes trabalhávamos muito mais.

A pandemia tem trazido alguns aspectos importantes, tais como o fato de que as crianças não estão ficando muito doentes. Isso pode ser reflexo do maior contato dos pais e cuidadores nesse período.

Precisamos nos cuidar, se autoconhecer, descobrir as potencialidades e, essencialmente, respeitar o outro”.

 

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