21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Saúde

Em Erechim: médicos decidem junto com paciente sobre uso da cloroquina

Em entrevista ao Bom Dia, o infectologista de Erechim, Vanderlei Madalozzo, esclarece que o protocolo dos hospitais é baseado em dados científicos e prevê a não obrigatoriedade da adesão ao medicamento

teste
medicamento
Vanderlei Madalozzo
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Os debates em torno da pandemia causada pelo novo coronavírus, trazem à tona reflexões e a necessidade de decisões importantes, em prol da vida. Diretamente no campo da saúde, no que diz respeito ao tratamento da covid-19, as discussões são amplas, ao considerar que ainda não foi comprovado cientificamente um medicamento específico que possibilite a cura da doença ou, ainda, uma vacina para preveni-la.

Sendo assim, o uso da cloroquina ou de seu análogo farmacológico hidroxicloroquina (estratégias terapêuticas que vêm sido testadas e têm indicação terapêutica em algumas doenças, principalmente em malária e problemas reumáticos, como lupus eritomatoso sistêmico e artrite reumatoide), ainda divide opiniões.

Para saber mais sobre o protocolo adotado no município de Erechim, a reportagem conversou com o médico infectologista, Vanderlei Madalozzo. Ele esclarece que o protocolo dos hospitais é baseado em dados científicos e prevê a não obrigatoriedade da adesão ao medicamento. “A equipe da Vigilância em Saúde organizou dois protocolos, sendo um para o Hospital Santa Terezinha e outro para o Hospital de Caridade. Como estamos na mesma cidade e os médicos plantonistas das UTIs atendem nas mesmas instituições, o protocolo é praticamente igual, alterando apenas, alguns medicamentos não relacionados exatamente à Covid-19. O que muda é que muitos pacientes que internam com a doença ou suspeita, podem ter, ainda, uma infecção bacteriana associada a uma pneumonia. Por isso, em um hospital pode ser utilizado um tipo de antibiótico, enquanto em outro, a rotina é diferente”, explica, acrescentando que a maioria dos protocolos brasileiros e a literatura científica, não recomendam oficialmente, o uso da cloroquina.

Por isso, comenta o especialista, em seguimento aos registros oficiais, não é constado esse medicamento como algo obrigatório. “Sendo assim, a opção foi deixar a cargo de cada médico, para que, em comum acordo com o paciente, após conversar e mostrar os benefícios e os efeitos colaterais, possam decidir pelo uso ou não da cloroquina”, afirma.

Madalozzo salienta que atualmente os protocolos consideram, principalmente, a utilização de corticoides e anticoagulantes, pois há praticamente uma confirmação de que podem ocorrer problemas embólicos em relação à covid-19 (os dois medicamentos constam no protocolo dos hospitais). “Temos protocolos bem esquematizados e orientados, baseados em dados científicos. A mesma conduta também é seguida em São Paulo, Rio de Janeiro e em qualquer outra parte do mundo. É um consenso mundial”, frisa o médico.

Quando o paciente interna no hospital há necessidade, ainda, de providenciar uma relação de exames para que seja possível ter uma noção de como a pessoa pode evoluir e para acompanhar todo o quadro.

Suporte hospitalar

Como ainda não há um remédio especificamente eficaz para a covid-19, uma questão essencial no tratamento é o suporte hospitalar. “Na UTI ele precisa ter uma estrutura com ventilação mecânica e seguir todos os parâmetros específicos para aquela situação. É uma rotina do setor para fazer o acompanhamento. Do mesmo modo nas enfermarias. Muito além dos medicamentos, há se considerar o dia a dia, os cuidados com EPI’s dos profissionais de saúde e o desafio das não-visitas, por exemplo, (algo difícil mas necessário)”.

Sintomas que indicam uma internação

Inicialmente os sintomas básicos da covid-19 estavam relacionados à tosse, febre e dor de garganta. Com o passar do tempo, outros aspectos foram incorporados, tais como a diarreia (no início do quadro), perda do paladar, do olfato e dor de cabeça. Ao todo, são nove possíveis sinais de alerta para a doença.

Nesse sentido, o médico orienta que, para o paciente hospitalizar, ainda valem os sinais da chamada disfunção respiratória – quando a pessoa não consegue manter uma respiração adequada estando em casa e em isolamento. “Por isso, é utilizado o aparelho de saturação do oxigênio e se tiver abaixo de 93, há essa disfunção e é preciso internar para acompanhar, pois pode evoluir para um quadro mais grave. Em paralelo está o exame de sangue e a tomografia de tórax”, pontua.

Discussões sobre a cloroquina

De acordo com o especialista, há muito debate sobre os benefícios e riscos do uso da cloroquina. Por isso que, até o momento não foi proibida a administração do medicamento. “Quando surgiu a ideia de que essa seria uma boa ajuda, os dois hospitais organizaram seus estoques e tem a cloroquina disponível. Observo que alguns profissionais estão usando e há situações em que o paciente solicita. Contudo, sabemos que a melhor indicação seria para os primeiros dias da doença. É um debate extenso que acredito, vai persistir enquanto não tivermos uma vacina ou um medicamento específico”, ressalta.

Reforço no alerta

Por fim, o especialista frisou que não podem ser abandonadas as medidas gerais de prevenção à covid-19. “Novos estudos dizem que em torno de 6% da doença é transmitida pela superfície e 94%, pelo contato interpessoal. Sendo assim, ações como o uso da máscara, etiqueta respiratória, higienização constante das mãos e evitar aglomerações, continuam sendo as mais efetivas para evitar a proliferação do vírus. Não podemos relaxar nessas atitudes porque pode ocorrer um crescimento muito maior do número de pessoas contaminadas”, declara.

 

 

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;