Na segunda-feira (25), quatro agentes de combate às endemias, que atuam na Vigilância em Saúde de Erechim, testaram positivo para a covid-19. Na manhã de ontem (26), o resultado de mais um exame também foi positivo. A informação foi confirmada pela enfermeira Luciana Grendene.
Ela explica que, por haver mais de dois casos no mesmo ambiente, é constatado um surto. Diante disso, os profi ssionais foram afastados das atividades até a próxima segunda-feira, momento em que será realizado um novo exame. A enfermeira esclarece, ainda, que eles serão monitorados por 60 dias.
Definição de surto
Luciana cita que a defi nição de surto, pelo Ministério da Saúde, é onde há dois ou mais casos de uma doença ou agravo relacionado à saúde, em que esses casos tenham uma relação. “Por exemplo, um surto causado por alimentos ou água. Se duas ou mais pessoas fi zeram uma refeição em determinado local e começaram a apresentar sintomas, geralmente gastrointestinais, isso já pode ser considerado um surto relacionado ao consumo daquele alimento”, pontua.
Isso também é válido em outras situações. Atualmente a lista de doenças de notifi cação compulsória tem mais de 60 itens. “Na situação que enfrentamos nesse momento, de pandemia do novo coronavírus, por ser uma doença de fácil transmissão, é possível que dentro de um ambiente de trabalho, acabem duas ou mais pessoas se contaminando e difundindo a doença”, comenta.
Por isso, Luciana ressalta que é muito importante que as pessoas redobrem a atenção com as medidas preventivas. “Quando é declarado um surto, as observações acontecem muito além do período da quarentena, que no caso da covid-19, é 14 dias. Deve ser feito o acompanhamento das pessoas que estão envolvidas, por até 60 dias. Se nesse tempo, alguém presentar sintomas e tiver ligação com outros que já estiveram doentes, ele já faz parte desse grupo onde ocorreu o surto. Por isso, o acompanhamento é mais longo até que ocorra o desfecho”, explica.
Sobre os testes
A enfermeira reforça que é importante o conhecimento por parte da população de que, hoje em dia, nenhum teste ou medicação, é 100% efi caz. Alguns chegam a 99,9%. Em relação aos testes, pode haver os denominados “falsos positivos” ou “falsos negativos”.
“O exame também não é uma solução. Ele pode conceder um indício do que está acontecendo mas se for realizado fora do prazo, pode nos levar a algum erro. Por isso estão à disposição dois tipos: o RT PCR – que verifi ca a presença de antígenos (vírus, corpo estranho que está no nosso organismo) e o teste rápido. Se o primeiro for feito até o sétimo dia, em média, poderá registrar a presença do vírus no organismo. Alguns tipos de teste, acima do oitavo ou décimo, irá mostrar a resposta do nosso organismo (os anticorpos), que é atualmente o que registra o teste rápido”, declara, acrescentando que: “algumas pessoas criticam os motivos pelos quais em determinadas situações não é feita a testagem. Se o paciente não estiver no tempo adequado, temos o risco de estar liberando, eventualmente, uma pessoa que pode estar infectada, para suas atividades normais, quando a questão é que não foi realizado o teste no tempo certo”, orienta.
Por isso é importante seguir as orientações e observar o isolamento por 10 ou 14 dias e fazer o teste no momento exato para detectar ou não a presença da doença no organismo.
Alerta para mais conscientização
Na opinião de Luciana, a maioria dos empresários de Erechim está bastante preocupada, pois já é uma situação difícil, economicamente o período está trazendo prejuízos. “Contudo, se eventualmente uma empresa de grande porte tiver que fechar por 15, 30 ou 60 dias no período de um surto, isso pode gerar muitas demissões. Ao mesmo tempo, ainda há uma parcela da população que considera a pandemia uma “gripezinha”, que não tem problema e que é melhor passar logo. Seria se tivéssemos essa garantia de que será algo leve. Contudo, sabemos que em torno de 5% poderá ter um quadro grave e precisar de uma UTI. Se tivermos esse percentual de doentes, no mesmo momento, em Erechim, não haverá condições de atender a todos”, salienta.
Por isso, é fundamental que todos se conscientizem e que essas ações que estão em andamento, envolvendo restrições e cuidados, são para proteger o maior número possível de pessoas, diluir os casos e ampliar a chance de atendimentos.