O período de baixas temperaturas, especialmente durante o outono e o inverno, sempre representou um alerta extra à saúde, sendo que geralmente ocorre o aumento da incidência de doenças respiratórias.
Contudo, nesse ano, mesmo com a pandemia causada pelo novo coronavírus, essa realidade pode ser um pouco alterada.
Se por um lado, os sintomas de um resfriado, por exemplo, e da covid-19, podem ser semelhantes, por outro, as medidas de prevenção, que vão desde o uso de máscara, cuidados mais expressivos com a higienização das mãos e dos ambientes e a manutenção de espaços mais arejados, podem contribuir para a diminuição de outros problemas respiratórios.
A afirmação é do médico infectologista de Erechim, Vanderlei Madalozzo. Em entrevista ao Bom Dia ele afirma que o coronavírus é um tipo novo de vírus, porém, os causadores de outras infecções, continuam existindo. “Nessa fase de outono e inverno, com frio mais intensificado, pode haver um aumento no caso de infecções respiratórias, comparadas a outros períodos do ano. Esses problemas são geralmente causados por fatores como as aglomerações. Como estamos há mais de 60 dias com orientações e explicações, acredito que teremos uma diminuição de casos de outras infecções, em relação aos outros anos, pois as medidas de prevenção já estão sendo tomadas há bastante tempo”, justifica.
Madalozzo salienta que todas as chamadas “doenças de outono/inverno”, são transmitidas da mesma maneira, ou seja, pelo nariz, boca, com espirros e tosse, por exemplo. “Por isso, se há uma prevenção do coronavírus, há, também, uma prevenção sobre outros vírus”, frisa.
Hábito que deveriam se tornar permanentes
Em meio a esse cenário de cuidados intensivos nos últimos meses, a maior parte da sociedade não mede esforços em prol da prevenção. Nesse sentido, a pergunta que não quer calar é: porque aderimos a eles somente agora?
Na opinião do especialista, a expectativa é de que a principal lição que seja obtida nessa pandemia é que possamos incluir no dia a dia, não somente pós covid-19, os bons hábitos, os quais podem evitar diversos problemas. “Nos países asiáticos isso é uma rotina nos períodos de frio”, acrescenta.
Médico esclarece sobre medidas fundamentais
Nessa fase em que as baixas temperaturas se tornam cada vez mais comuns, o grande problema são as gripes e resfriados. Por isso, o médico orienta sobre a melhor forma de proceder já nos primeiros sintomas:
* Nos casos mais leves os sintomas são: dor no corpo, de garganta, febre, com duração de dois ou três dias.
* As gripes já são causadas por vírus e apresentam praticamente os mesmos sintomas, porém, de forma mais intensa. Nesse caso, pode evoluir para uma infecção, até mesmo bacteriana. Diante disso, o que mais preocupa é a pneumonia.
* Diante de uma inflamação viral, não adianta usar antibiótico. Muitas pessoas, ao apresentar os primeiros sintomas, já buscam esses remédios, porém, não é o adequado. Essa primeira fase do tratamento deve ser por sintomas específicos. Quer dizer, tomar um medicamento para febre ou coriza.
* Se depois de cinco ou seis dias, a febre e a dor de garganta não diminuírem e surgir dor de ouvido e outros sintomas, pode ser que há uma infecção e, aí sim, deve ser procurado um médico e, caso necessário, o antibiótico fará parte do tratamento. Sempre tentamos orientar os pacientes nesse sentido.
Fique atento
De acordo com o infectologista, o uso indiscriminado de medicamentos pode mascarar o problema e posteriormente não está descartado o agravamento do quadro e a necessidade de troca de antibiótico. “Temos uma situação totalmente diferente do que já vimos, em razão da covid-19. Por isso, toda a população e nós médicos, estamos ainda mais atentos a todo tipo de infecção respiratória”, ressalta.
A importância da vacina contra a gripe
Nem todos lembram, porém vale destacar a importância da imunização contra a gripe. “Insistimos muito na vacinação pois, além de diminuir expressivamente o número de infecções, ela pode fornecer um diagnóstico diferencial do que é uma pneumonia por H1N1 ou pela covid-19. Sintomas muito parecidos, porém, com dois agentes etiológicos diferentes”, pontua Madalozzo, explicando que, por exemplo, se uma pessoa estiver vacinada e apresentar sintomas mais intensos, é um sinal de alerta mais claro de pode ser covid-19.
Como há uma infecção comunitária e o problema está disseminado em todo o País, a conduta é especial.
Alerta redobrado
No caso de crianças e idosos, vale o alerta especial. Na primeira situação, quando os baixinhos começam a ficar mais chorosos, inquietos, há diminuição do apetite, é preciso reforçar o cuidado.
Já os idosos, pela faixa etária e por terem uma imunidade diminuída em relação aos outros adultos, podem ocorrer sintomas que, num primeiro momento não é tão grave, mas que, em razão das condições, pode ser motivo de preocupação.