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Saúde

Mundo pandêmico. Será?

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Jackson Arpini
Por Jackson Arpini - Cirurgião Dentista
Foto Rodrigo Finardi

O mundo vivencia inúmeras pandemias. Convivemos em permanente surto pandêmico e não estamos falando, nesse contexto, do novo coronavírus, que assola o planeta deixando uma cicatriz cinzenta entre os Pólos.  

As relações interpessoais são nevrálgicas. As brigas são cotidianas. As desavenças são habituais. A polarização entre o certo e o errado ganha contornos em negrito. As verdades absolutas são expostas em letras garrafais. As fakes news diárias.

A humanidade perpassa disputas territoriais, religiosas, políticas e bélicas. As hercúleas potências brigam por medalhas, como no desenho animado Dick Vigarista e Muttley: “Medalha, medalha, medalha!”.

Países fragilizados naufragam em permanente conflito sócio-político. Os menos favorecidos sucumbem por falta de alimento – e quem sabe d’água. Os mais abastados falecem pelo vírus.   

Nas redes sociais o conflito é explícito. Os comentários, muitas vezes, extrapolam a civilidade. Todos certos, todos errados. Não há argumentos, a verdade é suprema. Os confrontos entre a direita e esquerda ficam restritos ao olhar obtuso, quase cego. Se vem de cá, uma aberração. Se vem de lá, uma imbecilidade, e vice e versa.

As epidemias estão no trânsito, nas escolas, nos condomínios, nos ambientes de trabalho e nas relações sociais. Tudo gera dissabores. Ciúmes. Vingança. O sucesso de uns é a ira de outros. Bullying aqui, li e acolá.

O diálogo perde espaço para intolerância. Os gigantes sufocam os pequenos. Os poderosos vivem em permanente intimidação. Desfilam seus arsenais. Enaltecem suas potencialidades armamentistas, ameaçam, bradam e blefam.

Espadas estão em punho. Armas prontas para serem sacadas. Todos na defensiva. Todos no ataque. Nas ruas as buzinas vibram a bigorna, o estribo e o martelo. Gritos e xingamentos e, nos casos mais acalorados, agressões.

Doenças psicossociais emergem nas estatísticas de saúde. Stress. Paroxetina e seus similares são colírio para os olhos. Mentes padecem à pressão. Corpos contorcem pela dor e pânico. O mundo está atomizado, acelerado e plugado a uma corrente de milhares de volts.

Sob pretexto do Livro Sagrado, guerras. Olhares diferentes resultam em inimigos presentes. Visões contraditórias terminam em duelos. Todos fortemente armados em verbos e palavras.  

Criminalidade ascendente. Barbáries. As diferenças gritantes separadas apenas por um morro. Os de lá e os de cá da colina (muito tênue, é só descer o morro).

Tudo é corriqueiro e não estamos percebendo que o barco anda – e rápido. Que o povo peregrina a passos largos. Que o tempo passa mais ligeiro que o badalo dos ponteiros. Não compreendemos que a sociedade necessita parar, refletir e agir, talvez, frear.

Agora, face a virulência, o mundo parou. Ambos os lados (se é que existem lados) foram atingidos (Norte e Sul). As diferenças foram atingidas (ricos e pobres). Os iguais foram feridos (cidadãos). Os de cá e os de lá (doentes e profissionais de saúde).  Todos arquearam.

O professor Karnal vocifera que as revoluções, epidemias e guerras levam, pelos relatos da história, a aceleração dos processos que estão em curso. Notadamente a epidemia do novo coronavírus vem arrastando milhares para o abismo e o mundo está perplexo – atônito. O que fazer diante de tantas incertezas? Qual será a aceleração decorrente? “Haverá uma explosão de sociabilidade”, diz o Doutor Leandro.

Isolados por força do acaso mundo assiste a eclosão do coronavírus no Século XXI.  Não estamos imunizados e, sim, todos – até prova em contrário - na vala comum. Os pensantes laboram para estender as mãos ao mundo mortal e buscam encontrar a famosa lata de espinafre do Popeye (imunização) contra o SARS-CoV-2, todavia, temos que ter tolerância. Não é tão simples assim.

Porém, na minha concepção, para a aquarela de pandemias que aflige a humanidade a vacina está com a própria sociedade, basta atenuar o vírus. Agora paramos frente a um diminuto ser (vírus), basta ressignificar

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