Em uma coletiva de imprensa realizada na manhã de ontem (16), no plenário da Câmara de Vereadores de Erechim, os membros do Comitê Municipal de Situação de Emergência para a Covid-19, destacaram as ações que estão sendo realizadas no município para a prevenção do novo coronavírus. A mesa foi formada pelo secretário da saúde, Dércio Nonemacher; o médico infectologista, Vanderlei Madalozzo; o diretor técnico da Fundação Hospitalar Santa Terezinha, Celso Lago e a enfermeira Luciana Grendene.
O exames
Para o médico infectologista, Vanderlei Madalozzo, atualmente existe dois exames que podem ser realizados: o PCR (exame padrão ouro) e o teste sorológico. A diferença entre os dois testes é que o PCR deve ser feito do primeiro até o sétimo dia de sintomas, e o material coletado é direto da fossa nasal e/ou da garganta. Já o teste sorológico (testes rápidos), é feito com uma coleta sanguínea. Indagado sobre as alterações que os exames podem trazer, Madalozzo destaca que “se as coletas são feitas após o sétimo dia, o exame pode dar um falso negativo. Ou seja, como passou o período da coleta correta, possivelmente vai dar negativo. Aí entra a utilização do teste rápido, onde vai medir se o paciente já desenvolveu anticorpos contra o vírus. Esse vírus é novo, então nenhuma pessoa tem anticorpo contra ele. O PCR vai direto no vírus, o nosso organismo demora uns dias para desenvolver uma defesa natural. Temos que trabalhar com os dois testes”, salienta.
Segundo Dércio, o município de Erechim adquiriu mais testes que ainda não foram entregues.
O uso da cloroquina
O secretário da saúde ressaltou que a eficiência da cloroquina ainda não foi comprovada, mas que o trabalho experimental já vem sendo realizado. Nonemacher ainda destacou que as pessoas precisam ter um cuidado sobre a utilização do remédio. “A cloroquina tem muitos efeitos colaterais, como a arritmia cardíaca. Por isso, não é indicado o tratamento em casa, e sim, nos hospitais que é mais seguro”.
A situação dos hospitais Santa Terezinha e Caridade
De acordo com o médico, Celso Lago, na Fundação Hospitalar Santa Terezinha, dispõe de uma ala destinada para o atendimento da Covid-19. “Temos 16 leitos de UTI aptos, 45 ventiladores e todos os monitores. Inicialmente deixamos cinco leitos separados e 11 podem ser usados na necessidade. Cem pessoas por dia estão à disposição para o atendimento da doença. Os laboratórios e as tomografias também estão 24h disponíveis”. Outro ponto destacado por Lago, foi a união de diversas entidades na confecção de aventais. “Um paciente com suspeita da Covid-19, usa por dia 40 aventais. O hospital se preparou, houve a compra de tecidos. O Instituto Federal está cortando e montando esses materiais. Todos os dias têm a chegada de material, máscaras, luvas, toucas. Estamos nos preparando para quatro meses”, destaca Celso.
O Hospital de Caridade também montou uma estrutura para receber os pacientes. “Isolamos uma área inteira. Cada paciente que precisar, estará em seu quarto isolado. Tem uma UTI formada e criada só para tratar a Covid-19, além da normal. Os hospitais se prepararam para receber os pacientes”, destaca Madalozzo.
As cirurgias
As cirurgias eletivas estão suspensas no Santa Terezinha. Já as de emergências e as relacionadas a oncologia estão sendo realizadas, de acordo com informações divulgadas pelo médico Celso, que também destaca que as “cirurgias eletivas seguem suspensas até setembro, mas essa situação pode mudar a partir de maio”.
Uso das máscaras
Indagado sobre a utilização das máscaras, Dércio destacou que o Comitê Municipal de Situação de Emergência para a Covid-19, sugeriu ao prefeito o uso das máscaras. “Toda pessoa que está na rua ou que entrarem em estabelecimentos devem utilizar. Se alguém da família for ao supermercado e não estiver usando a máscara, o estabelecimento deverá disponibilizar”. Madalozzo também recomenda o uso, mas destaca que não tem como obrigar a utilização. “Cada pessoa tem que ter o bom sendo e fazer o uso. A máscara não vai parar a epidemia, mas auxilia para não ser contaminado”.
Isolamento horizontal
A enfermeira Luciana destacou que o isolamento vai além de evitar a propagação do vírus, como também uma maneira de estruturar os serviços de saúde, que a qualquer momento, podem se alterar. “Nesse período se optou por 15 dias e depois o decreto estadual que prolongou o isolamento, mas foi por uma situação de conter os números. Caso tenho um boom de casos, provavelmente será efetivado uma ação de isolamento novamente”.
Idosos devem continuar em casa
Apesar da reabertura do comércio, Dércio destaca que os idosos devem permanecer em casa. “A gente sabe que o clima está mudando. E existe a suspeita de que possamos ficar dois anos nessa situação. O cuidado é importante para que não tenha o vírus”.