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Saúde

Alto Uruguai : solução que vem de casa

Para não ficar sem equipamentos de EPIs, a saída do Hospital Santa Terezinha foi fazer parcerias com empresas, instituições e a comunidade, que abraçaram a causa

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“Vamos produzir nos próximos dias 100 mil máscaras", diz diretor do Santa
Por Igor Dalla Rosa Müller
Foto Igor Dalla Rosa Müller

Os estoques de EPIs estão chegando a um ponto crítico na rede de saúde da região, afirma o Comitê Regional de Atenção ao Coronavírus, que manifesta a preocupação dos gestores e dos hospitais com a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs).

Segundo o coordenador do Comitê Regional de Atenção ao Coronavírus, Jackson Arpini, uma das grandes preocupações atuais, além do avanço e do combate a pandemia no Brasil, que já contaminou cerca de 16.500, com 841 óbitos, é a escassez de equipamentos de proteção individual. “Indispensáveis ao enfrentamento do novo coronavírus”, afirma.

“O Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais de Saúde tentam incansavelmente suprir os estoques de máscaras, aventais, óculos de proteção, protetores faciais, entre outras vestimentas, tomando como pressuposto que, por serem indispensáveis e descartáveis, há a necessidade de grandes quantitativos”, explica.

Entre os EPIs recomendados estão a máscara cirúrgica, máscara de proteção respiratória (N 95, PFF2 ou equivalente), luvas, óculos de proteção ou protetor de face, capote ou avental e gorro.

Profissionais

A região da Amau com 32 municípios tem, num cálculo simplificado, mais de 40 unidades básicas de saúde (UBS), com aproximadamente 10 profissionais na assistência e apoio, o que resulta num contingente estimado de 400 profissionais, que necessitam diariamente de máscaras cirúrgicas e outros EPIs.

Uso criterioso

Nos casos confirmados e que requerem assistência hospitalar, seja na internação clínica ou em UTI, existem normativas que requerem o uso criterioso dos EPIs. “Estamos falando de milhares de máscaras, aventais e outros equipamentos de proteção, para fazer frente a demanda”, pontua Arpini.

Coronavírus

“Nesse contexto, também, temos os serviços de referência para casos suspeitos de coronavírus (UBS Centro) e o pronto atendimento dos hospitais, que necessitam de todo aporte de equipamentos de proteção, com um consumo mais elevado do que as unidades de saúde - profissionais e pacientes”, explica.

Máscaras 

Segundo Jackson, existem vários modelos de máscaras com duração que variam de horas até semana, dependendo de modelo e variáveis, mas, também, estão em processo de desabastecimento. “A nota técnica da Anvisa nº 04/2020, que versa sobre as orientações para os serviços de saúde, entre elas o uso de EPIs, recomenda como deve ser a utilização correto desses equipamentos de proteção, no manejo de casos suspeitos e na assistência dos casos de covid-19”, afirma.

Ele explica que a máscara é um dos produtos que mais está em falta no mercado. “Máscaras cirúrgicas para pacientes com sintomas de infecção respiratória e profissionais de saúde e de apoio, que prestam assistência a menos de um metro do paciente suspeito ou confirmado pelo novo coronavírus. Máscaras de proteção respiratória para profissionais de saúde, que realizam procedimentos geradores de aerossóis, como intubação ou aspiração traqueal, ventilação mecânica, entre outros.

Ações

O coordenador comenta que algumas ações estão sendo prospectadas como a produção local, em escala maior de álcool glicerinado, e a aquisição de equipamentos de proteção com valores do Fundo de Reserva de Enfrentamento ao covid-19, com recursos repassados pelo Poder Judiciário da região.

Hospital Santa Terezinha

Como está a situação do Hospital Santa Terezinha com relação aos EPIs? Já que é referência no atendimento da saúde regional e conta, hoje, com 800 colaboradores.

Segundo o diretor executivo, Helio Bianchi, a questão dos EPIs, hoje, é um problema mundial, está em colapso. O hospital tem material suficiente até a semana que vem. Ele ressalta que na área hospitalar a máscara é essencial, e hoje, nenhum profissional da saúde anda sem ela no hospital.

Ações

Para fazer frente a escassez de itens no mercado e os preços elevados dos produtos, o Santa Terezinha conseguiu comprar o material para confeccionar máscaras em parceria com empresas, instituições locais e regionais. “Vamos produzir nos próximos dias 100 mil máscaras. Temos, também, uma equipe de voluntários na área de aventais, usado quando há casos suspeitos”, disse.

“Há uma rede de costureiras voluntárias produzindo para nós e, assim, estamos fazendo estoque, essa foi a nossa saída, porque no mercado ainda se encontra alguma coisa, mas o preço está um absurdo. Uma máscara que custava R$ 0,12 está sendo vendida por R$ 2,80 até R$ 3,00. Isso é um absurdo. A produção própria diminui o custo”, afirma. E, acrescenta, “uma caixinha de máscara vale ouro no mercado”.

Segundo o diretor, o álcool gel está começando a normalizar em função da produção local, e com a produção das 100 mil máscaras também vai normalizar os estoques. “Luvas não tem problemas e touca também não”, diz.

Contudo, Helio enfatiza que se não fosse a produção voluntária local, nos próximos 15 dias, o hospital iria ficar sem EPIs, porque os profissionais que estão trabalhando têm que se proteger. Até a próxima semana deve chegar os EPIs produzidos na região, atendendo a demanda do hospital.

“A comunidade tem que estar consciente sobre a situação do coronavírus, e ser parceira, porque o sistema de saúde não pode absorver toda a demanda”, disse.

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