Luiz Francisco Schmidt, prefeito de Erechim, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ambos do PSDB, na noite de terça-feira (31 de março), trocaram mensagens via WhatsApp, após o anúncio de novo decreto por parte do Executivo estadual, que estende o fechamento do comércio em todo território gaúcho até 15 de abril.
A indignação
A indignação do prefeito vem desde a videoconferência com alguns prefeitos e Eduardo Leite. Acredita Schmidt, que está havendo falta de convicção e os municípios estão ficando abandonados, tanto pelo governo estadual como pelo federal.
A primeira mensagem
A primeira mensagem foi encaminhada pelo prefeito ao governador: “Fechamos a cidade em respeito ao decreto de 19 de março, até o dia 06 de abril. Suspendemos toda indústria, toda construção civil, todos colégios públicos e privados, todo comércio e 100% dos transportes coletivos”.
Maior desobediência civil da história
Na mesma mensagem, o prefeito sugere que Leite, reveja seu decreto: “Ouvi atentamente todos os seus discursos e mudanças de opinião. Acredito que se o senhor mantiver ao menos as vendas virtuais, com tele-entrega, o decreto tem alguma chance de ser cumprido, caso contrário, penso que o senhor terá a maior desobediência civil da história”
Adulação, aplausos e coerência
Na tentativa de demover o governador Eduardo Leite, sobre o teor restritivo do decreto, Schmidt apertou o governador: “Alguns adulam, alguns aplaudem e eu tento ser coerente. Fechei lotéricas, templos, imobiliárias, fechei completamente tudo, restaurantes e food trucks, até mesmo agropecuárias. Aguentei ouvir até do senhor que alguns prefeitos haviam exagerado. Que cada prefeito sabia das peculiaridades de seu município”.
Hospital agonizando
Outro fato abordado por Schmidt, endereçado ao chefe do Executivo, foi a união da região e a situação calamitosa do hospital regional: “Conseguimos a anuência da AMAU inteira. O nosso Hospital Santa Terezinha agonizando em contrato que o Estado reconhece como injusto, não corrige e agora prorroga sem análise, deixando-nos à própria sorte”.
Pandemia mental nociva à pandemia viral
A partir desse momento, o prefeito foi mais a fundo, mostrando toda sua indignação: “Estamos todos assustados e afetados por essa pandemia mental tão nociva quanto a pandemia viral”.
A morte da economia dos municípios e o Estado de fome
A conversa ficou mais áspera: “Tentando fazer o melhor talvez, o senhor decreta a morte econômica dos municípios e do Estado. Reavalie, flexibilize, emita sinais de que não queremos matar o Estado de fome, queremos tão somente preservar a vida. Vamos colher com esta decisão a maior desobediência civil da história, reafirmo”.
“Não podemos perder aliados antes da batalha”
Schmidt fez um apelo final para Eduardo Leite: “Assim como Rodrigo Dias de Bivar (El Cid), direi por meu povo, por meu município e por meu Deus. Reavalie senhor Governador. Reflita, pense e repense. Não sou em nada mais sábio, apenas vivi mais, embora apenas no quartel antiguidade é posto, as mãos calejadas e os ombros ardidos, me fazem lhe pedir que reflita. Respeitoso abraço de quem confia e acredita que todos podemos combater este mal, mas não podemos perder aliados antes da batalha”, disse em tom poético, o prefeito, depois de fazer duras cobranças ao chefe maior do Rio Grande do Sul.
“Agora questiona o meu decreto? “
O governador Eduardo Leite, leu o que escreveu Schmidt e respondeu: “Não entendi, prefeito. O senhor mesmo disse que fechou ainda mais do que eu estou determinando (incluído, construção civil, indústria e 100% de transporte coletivo) e agora questiona o meu decreto? ”
“Se pensa que está certo, é só seguir em frente”
Após esse questionamento, Schmidt fez mais um textão para o governador, explicando as ações tomadas pelo município e reforçando que Erechim está alerta: “Qualquer tosse, aumento de temperatura ou mal-estar, isolamos e tratamos. Se o senhor pensa que está certo é só seguir em frente. Nosso melhor conselheiro é nosso travesseiro”.
Na coletiva de ontem (1º), o prefeito Schmidt, falou sobre a relação com o governo do Estado: “É uma boa briga”.