O presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Erechim, Adilson Szymanski, em entrevista ao Jornal Bom Dia, fala dos cuidados que estão sendo tomados para preservar os profissionais e defende que se seguiam as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para que a curva de contágio seja diminuída. E alerta: “Estamos apenas no início na pandemia”. A seguir os principais trechos da entrevista
Com essa pandemia do coronavírus, sabemos que os profissionais da saúde são quem mais estão auxiliando a população, em geral, no front dessa pandemia. Quais são as dicas para a proteção dos profissionais da saúde frente ao alto risco de contágio oferecido pelo vírus?
Adilson: É importante frisar que estamos no início da pandemia. Estive em Brasília recentemente com todos os representantes dos sindicatos de saúde do Brasil e fizemos uma manifestação através de documentos com relação as preocupações com os profissionais da área, baseado em informações de outros países. E o histórico mostra que todos esses profissionais ficam expostos diretamente ao vírus. E esse documento foi protocolado junto ao Ministério da Saúde, pedindo todas as medidas possíveis de segurança aos trabalhadores da saúde, principalmente aqueles que estão na linha de frente. Na região temos orientados os trabalhadores através de vários canais de comunicação e falamos em tempo real com praticamente todos os profissionais de hospitais.
Como está o fornecimento de Equipamento de Proteção Individual pelos hospitais? São suficientes?
Adilson: Segundo relato que nos chega diariamente esses materiais estão sendo fornecidos. Todas as casas de saúde estão buscando providências para fornecer os EPIs para os profissionais. Eventualmente tem problemas em algum local ou outro, que depende do próprio sistema de saúde, que não se preparou da maneira que deveria para enfrentar essa pandemia. O fato positivo, é que conforme avança o vírus, mais materiais são produzidos.
Que orientações poderia passar para as pessoas ajudarem no combate do coronavírus?
Adilson: Queremos colaborar como profissionais de saúde nessa questão. Primeiro as pessoas devem procurar os canais corretos de informações, de como se precaver. É preciso buscar a qualidade da informação. E informações equivocadas não garantem uma barreira de proteção. Nesse momento, é necessário o isolamento social. Precisamos diminuir a curva epidemiológica.
Diante da suspensão do transporte público regular, como ficou o transporte do pessoal da saúde de casa para o trabalho e do trabalho para casa?
Adilson: Essa é uma preocupação muito grande do sindicato. Fomos procurados por um grande número de trabalhadores preocupados com essa situação. Procuramos as instituições de saúde para que resolvessem essa questão E as casas de saúde buscaram serviços particulares de transporte para seus trabalhadores, salvo alguns casos esporádicos. Mas estamos discutindo para melhorar ainda essas questões.
Sabe-se do isolamento social proposto pela Organização Mundial da Saúde, bem como o isolamento horizontal. O governo brasileiro insiste no isolamento vertical, mesmo com o aumento de casos e mortes. Como a categoria compreendem este cenário?
Adilson: Quem está na linha de frente no contato direto e lida diariamente com a pandemia tem determinações bem definidas e claras de como proceder. Independentemente das questões de governo, acreditamos que devemos seguir as orientações da Organização Mundial de Saúde ou do Ministério da Saúde, para respeitar os protocolos a serem seguidos. Quando se quebra os protocolos se coloca em risco toda a cadeia de atendimento. Se muitas pessoas ficarem doentes ao mesmo tempo, não terá estrutura para atendê-las. Então discordamos com a posição do governo. A federação estadual que representa 28 sindicatos, junto com outros sindicatos estão elaborando um documento para seguir as normas da Organização Mundial de Saúde, com protocolos e critérios definidos por profissionais de saúde.
Que medidas o sindicato tem tomado para auxiliar a categoria?
Adilson: Estamos verificando se as casas de saúde estão cumprindo as determinações (como afastamento dos grupos de risco), inclusive com orientação do Ministério Público do Trabalho. E aquelas instituições que não estão cumprindo, conversamos para melhorem as condições e para fazer valer essas normas. Mas não estamos encontrando problemas sérios em nossa região. Estamos discutindo os horários, como estão sendo feitas as escalas de trabalho e se tem gente suficiente para cobrir as demandas.